A estrutura real das comissões do iFood em 2025
O iFood opera com três planos principais, todos com taxa de cadastro adicional entre R$ 100 e R$ 130. O plano Básico cobra 12% de comissão, mas a logística fica por conta do lojista — ou seja, você precisa ter frota própria ou pagar um entregador terceirizado. O plano Plus cobra 23% e inclui a logística do iFood. O plano Entregador iFood cobra 27% — nessa modalidade, sua frota fica à disposição da plataforma, o que na prática significa pagar o maior percentual e ainda ceder operação.
Importante: todas essas taxas incidem sobre o valor bruto do pedido, antes de descontar insumos, embalagem, mão de obra ou qualquer outro custo. Em um pedido de R$ 50, o plano Plus leva R$ 11,50 direto na saída. Se o CMV (custo da mercadoria vendida) do prato for R$ 20, sobram R$ 18,50 para cobrir aluguel, funcionários, impostos, embalagem e lucro.
O choque com a realidade da margem do setor
Os dados consolidados pelo mercado mostram o tamanho do descompasso:
- Restaurantes de serviço completo: 3% a 5% de margem líquida
- Fast food: 6% a 9%
- Cafeterias: 2,5% a 6,5%
- Food trucks: 6% a 9%
A média geral, segundo levantamentos do setor, fica entre 2% e 6% do faturamento total. Ou seja: para cada R$ 100 vendidos, sobram entre R$ 2 e R$ 6 de lucro real. Quando 23% a 27% desse faturamento já vai embora na comissão, o lojista precisa compensar com volume absurdo, preço mais alto (perdendo competitividade) ou corte de qualidade.
Pesquisa da Abrasel já havia sinalizado o problema: 60% dos restaurantes afirmaram que os aplicativos de delivery aumentaram seus custos e 55% consideraram as taxas cobradas muito altas. Isso em um levantamento de anos anteriores — com as comissões atuais, o cenário é mais apertado.
Quando cada plano ainda faz sentido (e quando não)
Antes de migrar ou abandonar o iFood, vale fazer a conta por plano:
Plano Básico (12%) ainda compensa quando:
- Você já tem frota própria organizada e com custo controlado
- Seu ticket médio permite absorver 12% sem comprometer margem
- O volume do iFood representa pelo menos 30% do seu faturamento (justifica a operação dedicada)
Plano Plus (23%) só compensa quando:
- Seu ticket médio é alto (acima de R$ 60) e o CMV é baixo (abaixo de 30%)
- Você não tem estrutura logística própria e o custo de montar uma seria maior
- Você usa o iFood como canal de aquisição, não como canal principal
Plano Entregador (27%) raramente compensa:
- A combinação de maior comissão com cessão da frota torna a conta inviável para a maioria dos lojistas de pequeno e médio porte
- Faz sentido apenas em contextos muito específicos de alto volume e marca já consolidada
As alternativas que estão ganhando tração
Com o iFood respondendo por 83% do market share do food delivery no Brasil (segundo análise da SimilarWeb), romper a dependência não é simples — mas também não é mais utópico. Três movimentos têm aparecido com força na operação dos lojistas que conseguiram reduzir a exposição:
1. WhatsApp como canal direto. Pedidos pelo WhatsApp eliminam qualquer comissão de marketplace. A conversão é alta porque o cliente já conhece a marca, e o custo por pedido se resume ao atendimento e à entrega. Lojas organizadas usam catálogos, automações e links diretos do cardápio para transformar o WhatsApp em um canal estruturado, não improvisado.
2. App próprio ou cardápio digital com link direto. Marcas que investem em presença digital própria (mesmo que simples) conseguem recuperar clientes recorrentes sem pagar comissão. O cliente que já pediu uma vez não precisa voltar ao marketplace — basta um link no bolso dele.
3. Marketplaces regionais com comissões menores. O avanço de plataformas alternativas vem justamente desse espaço: lojistas que não querem mais pagar 23%+ e consumidores que buscam opções fora do app dominante. Marketplaces com 0% de comissão e repasse em D0 (como o Trend SuperApp) atacam diretamente os dois pontos que mais pesam na conta: o percentual sobre o pedido e o prazo de recebimento, que no iFood pode levar dias.
O que isso significa para o seu negócio
Depender de um único canal que cobra entre 12% e 27% de comissão sobre um faturamento com margem média de 3% a 9% é um risco estrutural, não um custo operacional. A boa notícia: você não precisa abandonar o iFood da noite para o dia. Precisa, sim, construir um mix.
Três ações concretas para começar esta semana:
- Calcule sua margem real por canal. Separe pedidos iFood, WhatsApp e balcão. Veja quanto sobra em cada um depois de todos os custos. Muitos lojistas se surpreendem ao descobrir que o iFood dá prejuízo em certos tickets.
- Ative o WhatsApp como canal estruturado. Catálogo, cardápio em link, pedido via mensagem. Zero comissão, cliente seu.
- Teste um marketplace alternativo em paralelo. Não precisa migrar tudo. Comece com uma parte do cardápio em uma plataforma com comissão menor e repasse mais rápido, e meça o resultado em 30 dias.
Conclusão
A comissão do iFood não vai cair. O mercado está consolidado, e a plataforma tem 83% de share para sustentar essa estrutura. O que muda é o lado do lojista: a cada ano, mais opções surgem para diluir a dependência e proteger a margem. Quem começar a diversificar agora chega em 2026 com mais caixa, mais autonomia e menos vulnerabilidade. Cadastre sua loja no Trend SuperApp e venda com 0% de comissão e repasse em D0 — teste em paralelo ao seu operacional atual e veja a diferença no fechamento do mês.
