O custo real de operar no marketplace
A comissão dos grandes aplicativos no Brasil varia entre 23% e 30% por pedido, dependendo do plano contratado e da categoria da loja. iFood, Rappi e Uber Eats operam na mesma faixa, segundo a Central de Ajuda das próprias plataformas e levantamentos da Abrasel. Quando o lojista usa a frota do app, soma-se ainda uma taxa de entrega que pode chegar a R$ 12 por pedido em algumas regiões.
Some comissão, taxa de entrega repassada, embalagem e perda de dados do cliente, e o custo total por pedido no marketplace fica entre 25% e 33% da receita bruta. É o canal mais caro de venda do food service brasileiro — e, para 73% dos restaurantes que trabalham com delivery, segundo a Abrasel, é também o canal principal. Dentro desse grupo, 62% afirmam que a comissão impacta "muito" ou "extremamente" a rentabilidade.
O problema é estrutural. O iFood concentra cerca de 80% do market share de delivery por aplicativo no país (Similarweb, 2024), o que dá à plataforma poder quase total de precificação da comissão. Para o lojista, abrir mão desse canal significa abrir mão de uma base instalada que gera descoberta — e é aí que mora o nó da decisão.
O custo real do canal próprio
Canal próprio não é mais sinônimo de operação cara ou complexa. Plataformas white-label modernas trabalham com custo fixo mensal, sem comissão por pedido, o que muda completamente a matemática para quem tem volume.
Em operações com mais de 200 pedidos por mês, o custo total do canal próprio — plataforma, gateway de pagamento e logística terceirizada ou própria — fica entre 3% e 8% da receita, segundo benchmarks publicados pela ABF no relatório Franchising em Números 2024. Em estruturas menores ou mais verticalizadas, o custo sobe para a faixa de 8% a 15%, segundo levantamentos da consultoria Galunion. Mesmo no pior cenário, o canal próprio custa aproximadamente metade do que custa o marketplace.
E há dois ganhos invisíveis na comissão, mas visíveis no caixa:
- Repasse mais rápido: enquanto marketplaces operam com prazos de 14 a 30 dias, plataformas de canal próprio podem repassar em D0 ou D+1.
- Ticket médio maior: redes de alimentação com canal próprio ativo registram ticket médio entre 12% e 18% superior ao do marketplace (ABF, 2024), porque quem acessa o canal direto já conhece a marca e compra com mais confiança.
Comparativo direto: canal próprio vs. marketplace
| Indicador | Marketplace | Canal próprio |
|---|---|---|
| Comissão por pedido | 23% – 30% | 0% – 3% |
| Custo total por pedido | 25% – 33% da receita | 8% – 15% da receita |
| Prazo de repasse | 14 a 30 dias | D0 a D+1 |
| Acesso aos dados do cliente | Não | Sim |
| Visibilidade orgânica | Alta (base instalada) | Depende de marketing próprio |
| Ticket médio | Pressionado | 12% – 18% maior |
A diferença de 15 pontos percentuais entre os custos totais médios dos dois canais é o que explica a tese do artigo. Em um restaurante com faturamento mensal de R$ 150 mil, isso representa R$ 22,5 mil que deixam de sair do caixa — valor próximo a uma folha de pagamento inteira em operações pequenas.
Por que a migração acelerou em 2025
Três movimentos convergiram nos últimos dois anos. Primeiro, a maturidade das plataformas white-label: o que antes era investimento de grandes redes virou produto acessível para PMEs. Segundo, a mudança de comportamento do consumidor: pesquisa Conversion/OpinionBox de 2024 mostra que 41% dos brasileiros já pediram diretamente pelo site ou app do restaurante — crescimento de 9 pontos percentuais frente a 2022. No cenário global, dados da Euromonitor indicam que canais diretos digitais saíram de 18% para 27% do GMV total de food service online entre 2021 e 2024.
Terceiro, e talvez mais importante: a educação financeira dos lojistas. A régua deixou de ser faturamento bruto e passou a ser custo por pedido. Quando o lojista calcula a conta real, a decisão deixa de ser emocional.
Como migrar sem perder o volume dos apps
A migração inteligente não é abandono. É diversificação com retenção ativa. O erro mais comum é cancelar o marketplace no mês seguinte à adesão ao canal próprio — e perder descoberta antes de ter marketing próprio estruturado.
O roteiro que funciona segue três fases:
- Fase 1 — Convivência (meses 1 a 3): mantenha o marketplace ativo e abra o canal próprio em paralelo. Use embalagens, cupons impressos e QR codes nos pedidos para migrar clientes recorrentes para o canal direto. Cada cliente migrado é um custo recorrente eliminado.
- Fase 2 — Priorização (meses 4 a 6): ofereça incentivo exclusivo no canal próprio (brinde, desconto, item exclusivo). O objetivo é fazer o cliente abrir o seu app, não o do marketplace. Nessa fase, o canal próprio deve representar entre 30% e 50% dos pedidos.
- Fase 3 — Equilíbrio (meses 7 em diante): mantenha o marketplace apenas para captação de novos clientes, usando-o como canal de aquisição, não de retenção. A operação principal passa a ser o canal direto.
O que isso significa para o seu negócio
Se você opera no delivery hoje, três ações concretas valem o esforço desta semana:
- Calcule seu custo real por pedido em cada canal, incluindo comissão, taxa de entrega e tempo de capital parado no repasse. O número vai doer, mas é a base de qualquer decisão.
- Estruture o canal próprio em paralelo, não em substituição. O primeiro mês é de aprendizado operacional, não de volume.
- Trate o cliente do canal direto como ativo, não como transação. CRM próprio, comunicação direta e programa de recompra são o que transformam a tese em caixa.
Conclusão
A economia do delivery brasileiro está em transição. Lojistas que entenderam que comissão de marketplace não é custo variável — é imposto sobre crescimento — já começaram a reconstruir a rentabilidade pelo canal direto. Os números sustentam a tese: 15 pontos percentuais de margem recuperados por pedido é uma mudança estrutural na saúde financeira de qualquer operação de food service.
Cadastre sua loja no Trend SuperApp e venda com 0% de comissão e repasse D0 — comece a recuperar sua margem no próximo pedido.
