Delivery puxou os R$ 1 trilhão do setor de bares e restaurantes em 2024 — e a maioria dos lojistas não percebeu

O setor de bares e restaurantes atingiu faturamento histórico em 2024. Por trás do número, uma bifurcação silenciosa separou quem cresceu de quem apenas sobreviveu.

O que o R$ 1 trilhão esconde

O marco histórico da Abrasel é consequência de uma reconfiguração estrutural do food service brasileiro entre 2020 e 2024. O setor emprega hoje cerca de 6 milhões de trabalhadores formais e abriga mais de 1 milhão de estabelecimentos ativos, representando aproximadamente 2,7% do PIB do país. São números robustos, mas o crescimento não foi homogêneo.

Quem leu o trilhão como vitória coletiva perdeu o detalhe mais importante: houve uma bifurcação silenciosa no mercado. De um lado, estabelecimentos que diversificaram canais durante e depois da pandemia e mantiveram a operação híbrida. Do outro, os que apostaram exclusivamente na retomada do fluxo de salão e ficaram presos a uma estrutura de custo fixo sem a flexibilidade de receita que o canal digital oferece.

A estimativa setorial da Abrasel aponta que cerca de 60% dos bares e restaurantes brasileiros ainda não operam com delivery estruturado, seja via plataforma ou operação própria. Esses negócios estão, na prática, competindo por uma fatia menor de um bolo maior.

O delivery deixou de ser plano B

A pandemia forçou a adoção emergencial. O que veio depois foi o que separou operações. Estabelecimentos que mantiveram o canal digital depois da reabertura dos salões registraram, segundo pesquisas regionais do Sebrae, crescimento de receita total entre 15% e 25% em relação a quem voltou ao modelo exclusivamente presencial.

Isso acontece porque o delivery não substitui o salão — ele adiciona uma linha de receita que opera em horários, públicos e ocasiões diferentes. O cliente que pede jantar em casa na terça-feira não é o mesmo que ocupa a mesa no sábado. Operar um canal sem o outro é abrir mão de metade da base potencial.

O mercado brasileiro de food delivery online movimentou entre R$ 65 e R$ 80 bilhões em 2024, segundo estimativas de consultorias internacionais como Statista e Mordor Intelligence. O crescimento anual do canal nos últimos três anos ficou na faixa de 12% a 15%, mesmo após a acomodação pós-pandemia. Para comparação, o PIB brasileiro cresceu cerca de 3% no mesmo período. O delivery está crescendo quatro vezes mais rápido que a economia.

O Brasil ainda está atrasado — e isso é oportunidade

Comparar o Brasil com mercados maduros ajuda a dimensionar o espaço que ainda existe. Nos Estados Unidos, o delivery representa entre 15% e 20% do food service. No Reino Unido, chega a 25%. Na China, passa de 30%. O Brasil, com seus 7% a 10%, está em um patamar que mercados comparáveis superaram há cinco anos.

Essa distância não é fraqueza — é runway. Significa que a curva de adoção ainda tem anos pela frente antes de atingir maturidade. Para o lojista, é a diferença entre entrar em um mercado em formação ou em um mercado saturado. Entrar agora em 2025 ainda é, por qualquer parâmetro internacional, entrar cedo.

A penetração também tem espaço para crescer: hoje, cerca de 35% da população adulta brasileira usa delivery com frequência, contra 50% a 60% nos mercados maduros. E 70% desses pedidos são feitos via smartphone — uma penetração que, segundo dados do CNDL/SPC Brasil, cresce especialmente nos públicos acima de 45 anos, que foram os últimos a adotar o canal e agora puxam o próximo ciclo de expansão.

O problema do modelo de comissão

Entrar no delivery é uma decisão. Entrar com margem é outra. É aqui que o lojista precisa fazer a conta antes de celebrar o canal.

Em plataformas tradicionais, com comissão média de 27% a 30% por pedido, um prato vendido a R$ 35 deixa cerca de R$ 24,50 para o lojista cobrir custo de produção, embalagem, mão de obra e eventual taxa de entrega. Em categorias de ticket médio mais baixo, essa estrutura transforma o delivery em canal de volume sem margem — vende-se mais, mas o lucro por pedido fica apertado ou negativo.

Nesse cenário, modelos alternativos começam a ganhar espaço no ecossistema. Plataformas com estrutura de comissão zero mudam a matemática na raiz: o mesmo pedido de R$ 35 mantém os R$ 35 integrais como receita bruta. Somado a repasses mais rápidos — que em algumas operações acontecem no mesmo dia (D0) em vez de 15 ou 30 dias —, o resultado é um canal digital que preserva o fluxo de caixa em vez de empurrá-lo para o fim do mês.

O que isso significa para o seu negócio

Se você opera um bar ou restaurante e ainda não está no delivery, três coisas ficaram claras com o fechamento de 2024:

  1. O delivery não é mais um canal complementar — é parte da estrutura básica de receita do food service brasileiro. Ignorá-lo é abrir mão de 7% a 10% do mercado potencial do seu segmento, e esse percentual cresce todo ano.

  2. Entrar agora ainda é entrar cedo. O Brasil está a pelo menos cinco anos de alcançar a maturidade dos mercados internacionais. Quem estruturar o canal em 2025 pega a onda em formação, não na quebra.

  3. Modelo de monetização define viabilidade. Antes de escolher a plataforma, faça a conta: quanto do seu ticket médio sobra depois da comissão? Se o número não fecha, o problema não é o delivery — é o modelo da plataforma.

O trilhão é passado. O próximo ciclo começa agora

O marco histórico da Abrasel é importante como fotografia, mas pouco útil como estratégia. O que define os próximos anos do food service brasileiro não é o número que o setor atingiu em 2024 — é como cada estabelecimento vai se posicionar diante da próxima onda de crescimento do canal digital, que já está em curso.

A pergunta não é mais se vale a pena estar no delivery. É com qual modelo de parceria vale a pena estar. Cadastre sua loja no Trend SuperApp e opere com 0% de comissão e repasse no mesmo dia — porque o próximo trilhão vai ser disputado por quem souber proteger a margem enquanto cresce o volume.

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