PL dos Aplicativos: o que muda no custo do delivery para o seu restaurante em 2026

A Lei 15.109/25 criou um piso por hora para entregadores, mas quem está pagando a conta não são só as plataformas. Entenda o repasse que já está chegando no extrato do seu restaurante.

Quanto a nova lei custa, na prática, por pedido

A conta é mais simples do que o volume de notícias sugere. Um entregador de app faz, em média, de 2 a 3 entregas por hora. Pegando o custo mínimo da nova lei (R$ 34,97 por hora), isso representa de R$ 11,66 a R$ 17,48 de custo adicional por entrega — valor que as plataformas podem absorver, repassar ao consumidor via taxa de entrega mais alta, ou repassar ao lojista via comissão maior.

A matemática do setor é implacável: as próprias plataformas (iFood, Rappi, Uber Eats, 99Food) estimam o impacto total em R$ 12 bilhões por ano para o mercado como um todo. Nenhuma empresa de capital privado absorve R$ 12 bilhões sem distribuir parte dessa conta na cadeia. E a cadeia do delivery tem três pontos de absorção: a plataforma (margem), o consumidor (ticket médio) e o lojista (comissão). Historicamente, o elo que mais apanha é o do meio — porque é o que tem menos poder de barganha.

Como as taxas estão se mexendo em 2025

O iFood já confirmou publicamente, segundo reportagem do Poder360, que aumentou as taxas de restaurantes parceiros e vinculou a mudança diretamente à Lei dos Aplicativos. Hoje, segundo dados divulgados pela própria empresa a investidores, a comissão média cobrada é de 13,2% sobre o valor do pedido — mas esse número é uma média que esconde uma dispersão enorme. Dependendo do plano contratado e do volume do restaurante, a comissão real pode chegar a 27% (segundo a Conta Azul e dados compilados pela Abrasel).

Some a isso:

  • Taxa de pagamento online (geralmente 3,2% sobre o pedido)
  • Taxa de entrega quando o lojista usa a logística da plataforma
  • Custos de mídia para aparecer melhor na busca do app
  • Mensalidades de alguns planos

Em números de margem: um restaurante que opera com 15% de lucro líquido e paga 20% de comissão agregada ao app já destina mais à plataforma do que embolsa como lucro. Um reajuste de 3 a 7 pontos percentuais na taxa — faixa projetada pelo mercado para 2025-2026 — não é um ajuste cosmético. É a diferença entre operar no delivery e sangrar silenciosamente.

Por que a conta vai piorar em 2026

A Lei 15.109/25 ainda está em fase de implementação e os reajustes de 2025 refletem apenas uma parte do custo total. Três componentes ainda vão aparecer no caixa das plataformas ao longo de 2026:

FGTS obrigatório: 2% do rendimento mensal do entregador, com cobrança plena quando a estrutura de contribuição estiver 100% ativa.

Adicional noturno: 20% sobre o piso para trabalho entre 22h e 5h — faixa em que boa parte dos pedidos de delivery acontece (jantar e madrugada).

Adicional climático: 25% sobre o piso em condições climáticas severas (chuva forte, calor extremo). Em cidades como Rio e São Paulo, isso impacta uma fatia relevante do calendário anual.

Nenhum desses três componentes está totalmente precificado nas taxas atuais. A estimativa é que a segunda onda de reajustes aconteça entre o segundo semestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, à medida que as plataformas fecham o balanço do primeiro ano completo sob a nova lei.

O que isso significa para o seu negócio

Três movimentos práticos para proteger a margem antes que o próximo reajuste chegue:

  1. Abra o seu DRE do delivery. Separe por canal: pedidos via app com comissão X, pedidos via WhatsApp próprio, pedidos no salão. Muitos lojistas descobrem que o delivery via app opera no vermelho quando se somam comissão, taxa de pagamento e custo logístico — e seguem no canal por volume, não por lucro.

  2. Diversifique canais agora, não depois. Dependência de uma única plataforma com 20%+ de comissão é um risco de modelo de negócio. WhatsApp, site próprio e marketplaces alternativos com estrutura de taxa menor passaram a ser decisões de sobrevivência financeira, não apenas de marketing.

  3. Repasse estratégico, não linear. Se você vai subir preço no app para compensar a nova taxa, suba de forma segmentada — nos itens de maior margem, não em tudo. Repasse linear mata ticket médio e volume ao mesmo tempo.

O que vem agora

O PL dos Aplicativos foi vendido ao público como pauta trabalhista, e é. Mas o desenho da lei empurra o custo adicional para dentro da cadeia, e a cadeia de delivery tem o lojista no elo mais pressionado. 2026 vai separar os restaurantes que ajustaram a estrutura de canais a tempo dos que descobriram tarde demais que estavam pagando duas vezes pela mesma entrega: no custo da plataforma e na perda de autonomia sobre o próprio cliente.

Se o modelo atual já aperta a margem, o próximo reajuste vai apertar mais. Cadastre sua loja no Trend SuperApp e venda com 0% de comissão e repasse D0 — o seu dinheiro no caixa no mesmo dia da venda, sem taxa de serviço comendo o lucro.

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