iFood deve reajustar comissões em novembro: quanto sua margem perde e como reagir

O setor de delivery se prepara para mais um aperto nas comissões. Entenda em números o que muda para o seu restaurante e descubra como diluir a dependência de uma única plataforma.

Quanto você paga hoje — e para onde isso pode ir

A tabela pública do iFood tem três planos principais. O Plano Básico cobra cerca de 12% de comissão sobre o pedido, mas a entrega fica por conta do cliente ou do próprio lojista. O Plano Entrega iFood, usado pela maioria dos restaurantes, varia entre 23% e 27% sobre o valor do pedido. E o pacote com visibilidade adicional pode chegar a 30% ou mais, dependendo da categoria e da praça, segundo dados consolidados pela Abrasel e cobertura do Mercado&Consumo em 2024.

Os rumores apontam para um movimento que levaria a faixa intermediária dos atuais 25% para algo entre 27% e 30%. Parece pouco quando se olha pedido a pedido. Mas o jogo muda quando você projeta no mês.

Ticket médio Comissão atual (25%) Pós-reajuste (27–30%) Diferença por pedido
R$ 30 R$ 7,50 R$ 8,10–R$ 9,00 R$ 0,60–R$ 1,50
R$ 55 R$ 13,75 R$ 14,85–R$ 16,50 R$ 1,10–R$ 2,75
R$ 90 R$ 22,50 R$ 24,30–R$ 27,00 R$ 1,80–R$ 4,50

Para um restaurante com ticket médio de R$ 55 e 100 pedidos por mês na plataforma, a conta final é de R$ 110 a R$ 275 a mais, todo mês, sem nenhuma venda adicional. Em um ano, isso é entre R$ 1.320 e R$ 3.300 saindo diretamente da sua margem.

Por que a margem do restaurante não aguenta mais pressão

A matemática do setor é desconfortável. Segundo o Sebrae, restaurantes independentes operam com margem líquida média de 6% a 10% do faturamento. Em pedidos de ticket baixo — abaixo de R$ 35 —, a comissão de 25% a 27% da plataforma já come praticamente toda a margem, muitas vezes deixando o pedido no zero ou no negativo depois de descontar insumo, embalagem, imposto e custo fixo rateado.

E não dá para simplesmente desligar o aplicativo. Pesquisa da Abrasel de 2023 mostra que 68% dos restaurantes dependem do delivery para mais de 30% do faturamento. O iFood, segundo levantamentos da Comscore e Kantar, concentra cerca de 80% do market share brasileiro em número de pedidos. Ou seja: para a maioria dos operadores, sair da plataforma significa perder entre um quarto e metade do faturamento de uma vez — um buraco que poucos negócios conseguem absorver.

É esse travamento estrutural que explica por que os reajustes acontecem com pouca resistência prática. A plataforma sabe que o custo de troca para o lojista é alto. Mas sabe também que existe um limite — e os sinais do mercado indicam que esse limite está ficando mais próximo.

O que fazer agora: 4 ações para proteger seu caixa

Em vez de esperar pelo próximo reajuste, há movimentos concretos que você pode começar esta semana.

1. Rode sua precificação na calculadora do Sebrae. O Sebrae disponibiliza no portal uma ferramenta de precificação para food service com um campo específico para taxa de marketplace. Em cinco minutos você simula o cenário atual, o cenário pós-reajuste e descobre em quanto precisa ajustar o cardápio do delivery para preservar a margem. Muitos lojistas descobrem que operam no vermelho em metade dos pedidos e nem sabiam.

2. Entre na estratégia multi-plataforma. A própria Abrasel aponta que 54% dos restaurantes já operam em mais de uma plataforma simultaneamente — e esses estabelecimentos relatam redução de 18% a 22% na dependência da plataforma principal. Rappi, Trend SuperApp e operadores regionais têm estruturas de comissão diferentes do iFood. O Rappi, por exemplo, vem oferecendo programas de fidelidade com comissão reduzida para lojistas que mantêm volume. O Trend SuperApp opera com 0% de comissão por pedido e repasse D0 — o dinheiro cai na conta no mesmo dia da venda, não na semana seguinte. Em 100 pedidos de ticket R$ 55, isso representa R$ 1.485 a R$ 1.650 que ficam no seu caixa em vez de ir para a plataforma.

3. Construa canais próprios. Cardápio digital com link direto, WhatsApp Business com catálogo e um programa simples de fidelidade para clientes recorrentes custam pouco e, com o tempo, transferem parte do volume para canais sem comissão. Não substitui o delivery das plataformas, mas reduz a dependência.

4. Reveja seu cardápio por canal. Nem todo item precisa estar em todas as plataformas pelo mesmo preço. Produtos de ticket baixo, que têm margem negativa com 27% de comissão, podem sair do iFood e ficar só no canal próprio ou em plataformas com comissão menor. Combos de ticket maior absorvem melhor a taxa.

O que isso significa para o seu negócio

O reajuste do iFood, se confirmado, não é um evento isolado. Faz parte de uma tendência global em que plataformas que atingiram escala dominante começam a pressionar margens — nos EUA, DoorDash e Uber Eats passaram pelo mesmo movimento, até que cidades como Nova York e São Francisco regulamentaram tetos de comissão. No Brasil, essa regulamentação ainda está distante.

Enquanto isso, o lojista tem duas escolhas: absorver silenciosamente cada reajuste e ver a margem minguar ano após ano, ou começar hoje a diversificar canais e proteger o caixa. Os dados mostram que quem já operava em multi-plataforma antes dos últimos reajustes passou por eles com muito menos dor. Não existe mais mercado para colocar todos os pedidos em um único cesto — e os números deixam isso claro.

Conclusão

Confirmado ou não para novembro, o reajuste é inevitável dentro de um horizonte curto. O setor de delivery no Brasil vai movimentar R$ 70 bilhões em 2025, segundo a Euromonitor, e as plataformas dominantes vão continuar monetizando essa expansão. Sua tarefa como lojista é garantir que a sua fatia dessa torta não encolha a cada trimestre. Comece pela calculadora do Sebrae, mapeie seu custo real por pedido e teste pelo menos uma plataforma alternativa nos próximos 30 dias. Cadastre sua loja no Trend SuperApp e venda com 0% de comissão — a diferença no fim do mês pode ser o que mantém seu caixa saudável até o próximo reajuste.

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