Quanto as plataformas realmente cobram
As comissões praticadas pelas grandes plataformas de delivery no Brasil variam conforme plano, região e poder de negociação do lojista, mas as faixas mais comuns relatadas pelo setor são bem documentadas: iFood cobra entre 23% e 30% por pedido, Rappi opera entre 25% e 30%, Uber Eats trabalha entre 15% e 30% dependendo do plano contratado, e Aiqfome fica entre 12% e 18%. Para efeito de comparação, canais próprios de pedido operam com 0% de comissão por pedido — o lojista arca apenas com o custo de infraestrutura, que pode ser zero em plataformas que oferecem esse modelo.
A questão é que a comissão da plataforma não é uma linha de custo qualquer. Ela incide sobre a receita bruta, antes de qualquer outro cálculo. E quando você olha a composição típica de custos de um restaurante brasileiro — CMV em torno de 35%, mão de obra próxima de 30%, aluguel e utilities em 15%, embalagem de delivery entre 3% e 5% — não sobra muito espaço para acomodar mais 27% em cima do faturamento digital.
A simulação em três cenários
Vamos aos números. Todas as simulações abaixo usam as mesmas premissas: CMV de 35% do preço de venda, custos fixos operacionais rateados em 25% do preço de venda, embalagem e entrega em 10%, e comissão de plataforma em 27% (patamar médio do iFood no plano padrão).
Cenário A — Ticket médio de R$ 35 (lanche, açaí, poke simples). De R$ 35 de receita bruta, R$ 12,25 vão para CMV, R$ 3,50 para embalagem e entrega, R$ 9,45 para a plataforma e R$ 8,75 para o rateio de custos fixos. Sobra R$ 1,05 de margem líquida — exatos 3%. No canal próprio, sem comissão, essa margem sobe para R$ 10,50 (30%). Diferença de R$ 9,45 por pedido.
Cenário B — Ticket médio de R$ 50 (prato executivo, pizza pequena, hambúrguer artesanal). A conta escala proporcionalmente: R$ 17,50 de CMV, R$ 5 de embalagem, R$ 13,50 de comissão, R$ 12,50 de rateio. Margem líquida final: R$ 1,50, ou 3%. Em canal próprio: R$ 15 por pedido. Um restaurante que vende 150 pedidos por mês nesse ticket via plataforma gera R$ 225 de margem líquida mensal. Em canal próprio, geraria R$ 2.250 — dez vezes mais, com o mesmo volume de vendas.
Cenário C — Ticket médio de R$ 80 (sushi, prato premium, jantar para dois). CMV de R$ 28, embalagem de R$ 8, comissão de R$ 21,60, rateio de R$ 20. Margem líquida: R$ 2,40, 3% novamente. Canal próprio: R$ 24 por pedido — diferença de R$ 21,60.
O padrão é claro: independentemente do ticket, a comissão consome entre 70% e 90% da margem líquida disponível. Um restaurante saudável no cardápio vira um restaurante que trabalha majoritariamente para a plataforma no fim do mês.
Por que o consumidor já está pronto para pedir direto
Aqui está o dado que muda a conversa: 72% dos consumidores brasileiros afirmam que pediriam diretamente ao restaurante se houvesse um canal fácil e confiável disponível, segundo pesquisa da Nuvemshop com a Opinion Box em 2023. A dependência das plataformas não é uma escolha do consumidor — é uma consequência da ausência de alternativa acessível para o lojista pequeno e médio.
Restaurantes com canal próprio ativo reportam ticket médio 12% a 18% superior ao das plataformas, segundo análise da Goomer. A razão é comportamental: na vitrine comparativa do aplicativo, seu prato disputa com dezenas de outros pelo mesmo olhar, o que empurra descontos e cupons para baixo. No canal próprio, essa pressão desaparece.
Além disso, o custo de aquisição de cliente via plataforma de terceiros é de 3 a 5 vezes maior do que manter um cliente em canal próprio, segundo benchmark da McKinsey publicado no relatório Ordering In: The Rapid Evolution of Food Delivery (2022). Você paga caro para adquirir o cliente e continua pagando comissão em cada recompra — enquanto o mesmo cliente, migrado para um canal direto, custa efetivamente zero na segunda compra em diante.
A estratégia de canal duplo
A conclusão não é abandonar as grandes plataformas. Elas ainda são a principal fonte de descoberta de novos clientes no Brasil, com o iFood detendo entre 80% e 85% do mercado de delivery conectado. A estratégia inteligente é usar a plataforma para o que ela faz melhor — aquisição — e migrar os clientes recorrentes para um canal com custo menor.
Restaurantes que migram apenas 20% do volume de plataformas para canal próprio já observam aumento médio de 8 pontos percentuais na margem líquida total da operação, segundo benchmark da Goomer de 2023. Combinando três ações práticas — QR code na embalagem com cupom para o próximo pedido direto, WhatsApp Business com link de pedido e programa de fidelidade próprio — é possível gerar entre 25% e 40% dos pedidos em canal próprio em 90 dias.
O que isso significa para o seu negócio
Três ações concretas que você pode implementar já esta semana. Primeiro, calcule sua margem líquida real por canal — separe as vendas por plataforma, aplique CMV, embalagem, rateio de custos fixos e a comissão específica de cada canal. O número vai orientar toda decisão daqui pra frente. Segundo, imprima um QR code para colar em cada embalagem que sai da sua cozinha, direcionando para um cupom de 10% no próximo pedido feito direto. É a forma mais barata de migrar cliente recorrente. Terceiro, avalie plataformas que operam com 0% de comissão como camada complementar às grandes — você mantém a visibilidade do iFood para novos clientes e recupera margem no volume recorrente.
Não é sobre abandonar o que funciona. É sobre parar de trabalhar de graça para quem já cobra caro pela sua vitrine.
Conclusão
A comissão de 27% deixa de ser uma linha de custo aceitável quando você percebe que ela come 90% da sua margem líquida. Os dados mostram três coisas ao mesmo tempo: o consumidor está pronto para pedir direto, o canal próprio é economicamente muito superior e a estratégia de canal duplo é o caminho de menor risco para migrar sem perder volume. O Trend SuperApp opera com 0% de comissão por pedido e repasse D0 justamente para eliminar as duas maiores dores identificadas pelos lojistas brasileiros. Cadastre sua loja no Trend SuperApp e comece a vender com a margem que sempre foi sua.
