Quanto sua loja economiza na prática
Segundo pesquisa da Abrasel de outubro de 2024, com base em 2.300 estabelecimentos, a comissão média paga hoje ao iFood é de 23,5% por pedido. Restaurantes de pequeno e médio porte gastam em média R$ 2.800 por mês em comissões, valor que representa de 18% a 27% do faturamento online.
Vamos à conta com números reais. Um restaurante que fatura R$ 15 mil por mês no delivery paga hoje aproximadamente R$ 3.525 em comissões (23,5%). Se a comissão cair para 15%, esse mesmo faturamento gera R$ 2.250 em comissões. A economia mensal é de R$ 1.275 — ou R$ 15.300 por ano.
Para uma loja maior, que fatura R$ 40 mil/mês nos apps, a diferença passa de R$ 3.400 economizados por mês. Em um setor onde 70% dos restaurantes que operam em apps trabalham com margem líquida entre 3% e 8% (Abrasel, 2024), essa economia deixa de ser detalhe — vira a diferença entre fechar o mês no azul ou no vermelho.
A própria Abrasel estima que o teto de 15% pode representar economia de até R$ 1.500/mês para lojas de pequeno porte que dependem das plataformas. Multiplicando pelos mais de 350 mil restaurantes cadastrados só no iFood, o impacto do PL no setor é de bilhões de reais por ano — que, hoje, saem do caixa dos lojistas.
Os riscos reais: o que os apps já sinalizam fazer
Aqui a conversa fica menos otimista. Logo após a aprovação na Câmara, iFood e Rappi indicaram publicamente ao Senado que uma redução compulsória de comissão pode levar ao fim de benefícios que hoje são "gratuitos" para o lojista. Especificamente:
- Fim ou encolhimento de programas de subsídio de frete grátis, que hoje aumentam a conversão de pedidos
- Redução do iFood Benefícios e outros programas de fidelidade que trazem tráfego recorrente
- Perda de posicionamento premium sem custo adicional, empurrando lojistas para campanhas patrocinadas pagas
- Reforço de critérios de ranqueamento que privilegiem quem gasta mais em promoções internas
Traduzindo: a plataforma não pode cobrar mais comissão, mas pode cobrar mais em outras frentes — ou reduzir sua visibilidade orgânica até que você compre visibilidade paga. É o que analistas ouvidos pela Exame chamaram de "compensação por dentro do algoritmo".
Há ainda o risco do repasse ao consumidor. Como o iFood detém cerca de 80% do market share do delivery no Brasil (Valora Consultoria, 2024), a plataforma tem margem para aumentar taxas de entrega ao cliente final e recuperar parte da receita perdida. E, se a taxa sobe para o consumidor, o pedido pode cair — o que atinge de novo o caixa do lojista.
Cardápio duplo: por que a solução atual não é sustentável
Um dado da pesquisa Abrasel merece destaque: 1 em cada 4 restaurantes já aumenta os preços no app para compensar a comissão. É o famoso "cardápio duplo". Na prática, quem paga a comissão de 23,5% hoje não é só o lojista — é o cliente, que consome o mesmo prato mais caro no delivery do que no salão.
Isso cria três problemas: reduz a competitividade da sua loja frente a quem não faz o repasse, machuca a percepção de valor do cliente e ainda expõe o lojista a comparações de preço nas redes sociais. O PL 2847/2026 endereça a raiz do problema, mas mesmo se aprovado no Senado prevê 180 dias para adaptação das plataformas após sanção. Ou seja: mesmo no cenário mais otimista, o alívio real no caixa só chega em meados de 2026.
O que isso significa para o seu negócio
Enquanto a votação não acontece, três movimentos são concretos e você pode fazer agora:
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Diversifique canais de venda. A pesquisa da Abrasel mostra que restaurantes em múltiplas plataformas têm margem 2,3 pontos percentuais maior do que quem depende de um único app. Cadastrar sua loja em plataformas com comissão menor — ou zero — não é apenas economia imediata: é reduzir dependência de uma única regra do jogo.
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Meça o custo real por pedido, não só a comissão. Some comissão + taxa financeira + custo de campanhas patrocinadas + embalagem. A conta completa hoje pode chegar a 32% do valor do pedido, segundo o Sebrae. Sem esse número, você não sabe qual pedido dá lucro e qual dá prejuízo.
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Construa canal próprio de recompra. WhatsApp, cardápio digital com pedido direto e programa de fidelidade próprio reduzem a fatia de vendas que passa pela comissão do app — independentemente do que o Senado decidir.
Conclusão
O PL 2847/2026 pode representar mais de R$ 15 mil por ano no caixa de uma loja média — dinheiro que hoje sai do seu bolso e vai para a plataforma. Mas mesmo se aprovado, a lei só entra em vigor 180 dias depois da sanção, e as plataformas já sinalizam compensar a perda por outros caminhos. A melhor estratégia não é esperar: é reduzir dependência agora.
No Trend SuperApp, você já vende com 0% de comissão e recebe o valor no mesmo dia da venda (D0). Não é uma promessa política — é como a plataforma funciona hoje. Cadastre sua loja e comece a vender com a economia que o PL só promete para 2026.
