Em que pé está a regulação (sem enrolação)
O debate sobre regulação dos entregadores de aplicativo no Brasil se arrasta há anos, mas ganhou tração nova a partir de 2023, quando o governo federal instalou um Grupo de Trabalho tripartite (governo, plataformas e representantes dos entregadores) para desenhar uma proposta. O texto encaminhado ao Congresso propõe uma figura intermediária entre autônomo e CLT: o trabalhador autônomo por plataforma, com contribuição previdenciária obrigatória, remuneração mínima por hora trabalhada e cobertura contra acidentes.
⚠️ Nota editorial: O status exato de tramitação (aprovação em comissões, votação em plenário) deve ser conferido no portal da Câmara dos Deputados antes da publicação, pois muda com frequência.
O ponto central para o lojista é entender que, independentemente do formato final aprovado, o custo do entregador vai subir para as plataformas — e esse custo, historicamente, é repassado. A pergunta não é se o preço da entrega vai mudar. É quanto e quem vai absorver.
Os três modelos de entrega — e como a regulação afeta cada um
Modelo 1: Entregador próprio (CLT ou MEI dedicado)
Aqui o restaurante contrata diretamente. É o modelo mais previsível em termos de custo por entrega, mas o mais pesado em custo fixo.
Composição típica de custo mensal de um motoboy CLT:
- Salário base: R$ 1.700 a R$ 2.200
- Encargos trabalhistas (INSS patronal, FGTS, férias, 13º, provisões): aproximadamente 70% a 80% sobre o salário
- Ajuda de combustível, manutenção da moto (se fornecida) e vale-refeição
- Custo total mensal estimado: R$ 3.500 a R$ 4.500
Se esse entregador faz uma média de 8 entregas por dia em 22 dias úteis, chegamos a cerca de 176 entregas/mês. O custo por entrega fica entre R$ 20 e R$ 25 — sem contar horas ociosas, que são o calcanhar de Aquiles desse modelo.
Como a regulação afeta: praticamente não afeta, porque o vínculo CLT já é o teto de proteção trabalhista. Se o cenário for o de plataformas ficando mais caras, o modelo próprio fica relativamente mais competitivo.
Modelo 2: Plataforma tradicional (comissão + taxa de entrega)
O modelo dominante hoje. Nas grandes plataformas, o restaurante paga:
- Comissão sobre o pedido: entre 12% e 27%, dependendo do plano e da categoria
- Taxa de entrega, que pode ser subsidiada pelo consumidor, pelo lojista ou dividida
Na prática, um pedido de R$ 60 pode chegar a custar entre R$ 12 e R$ 18 em taxas totais para o restaurante, dependendo do contrato. O custo efetivo por entrega, olhando só o serviço logístico embutido, gira em torno de R$ 8 a R$ 14 — mas com a comissão sobre o ticket, o gasto total supera facilmente o modelo próprio em restaurantes de ticket alto.
Como a regulação afeta: este é o modelo mais exposto. Se a proposta em discussão for aprovada com piso remuneratório por hora e recolhimento previdenciário obrigatório, as plataformas terão custo adicional estimado entre 15% e 30% sobre o valor pago por corrida. Historicamente, esse tipo de aumento chega ao lojista via reajuste de comissão, redução de subsídios ou mudança de política de taxa de entrega.
Modelo 3: Logística terceirizada (empresa de frete sob demanda)
Um meio-termo que vem crescendo: você contrata uma empresa de entregas por chamada (via API ou app próprio), paga por corrida e não tem vínculo trabalhista. Custo típico varia entre R$ 9 e R$ 16 por entrega, dependendo da distância e da cidade.
Vantagem: sem custo fixo, sem comissão sobre o ticket, e você mantém o cliente na sua base (sem intermediário).
Como a regulação afeta: essas empresas também vão precisar se adequar às novas regras, e o custo por corrida deve subir na mesma proporção — provavelmente entre 10% e 20%. Mesmo assim, o modelo tende a continuar competitivo para restaurantes com pedido médio acima de R$ 70.
Comparativo direto: quanto custa cada entrega em 2026 (estimativa)
| Modelo | Custo por entrega hoje | Estimativa pós-regulação | Melhor para |
|---|---|---|---|
| Entregador próprio | R$ 20 – R$ 25 | R$ 20 – R$ 25 (estável) | Alto volume, área concentrada |
| Plataforma tradicional | R$ 8 – R$ 14 + comissão de 12-27% | R$ 10 – R$ 18 + comissão possivelmente maior | Baixo volume, aquisição de cliente novo |
| Logística terceirizada | R$ 9 – R$ 16 | R$ 11 – R$ 19 | Ticket médio-alto, base própria de clientes |
Os valores são estimativas de mercado e servem como referência de ordem de grandeza — o cálculo exato depende da cidade, do plano contratado e do volume mensal.
O que isso significa para o seu negócio
Três movimentos práticos que valem a pena começar já:
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Calcule seu custo real por entrega hoje. Some tudo o que sai do caixa por causa da logística (comissão, taxa, subsídio, salário de motoboy) e divida pelo número de pedidos entregues no mês. Sem esse número, qualquer decisão sobre modelo é chute.
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Diversifique os canais de venda. Depender de uma única plataforma te deixa refém do próximo reajuste. Ter pelo menos dois canais ativos (uma plataforma + venda direta via WhatsApp, site ou app próprio) reduz o risco.
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Reavalie contratos anuais agora. Se você está prestes a renovar um contrato com plataforma, pense duas vezes antes de travar condição por 12 meses. O cenário regulatório de 2026 pode abrir espaço para renegociar em condição melhor daqui a poucos meses.
Conclusão
A regulação dos entregadores é uma daquelas mudanças que parecem tema de política nacional, mas terminam batendo diretamente na margem do seu restaurante. O lojista que entender o comparativo entre os três modelos agora vai chegar em 2026 com poder de decisão — não reagindo ao próximo reajuste de comissão.
No Trend SuperApp, o lojista opera com 0% de comissão e repasse D0, o que já elimina a maior parte da dependência do modelo tradicional. Cadastre sua loja e comece a vender sem comissão — e prepare seu caixa para o novo cenário regulatório.
