O que está por trás da comissão de 32%
Segundo os planos públicos do iFood, a comissão varia entre 12% e 32% dependendo do modelo contratado. No plano "Entrega", que é o mais comum entre restaurantes de médio porte, a taxa fica em torno de 23%. Quando o lojista adiciona pacotes de marketing e destaque, o percentual pode chegar a cerca de 32% do valor do pedido. A Rappi opera em faixa semelhante, entre 15% e 30% conforme categoria e cidade.
O problema não é a existência da comissão em si — é a aritmética. Segundo a Abrasel, a margem líquida média de restaurantes no Brasil oscila entre 3% e 10%. E a inflação de alimentação fora do domicílio acumulou mais de 35% entre 2019 e 2023, segundo o IPCA/IBGE. Quando você coloca uma comissão de 27% sobre uma margem operacional de 8%, o resultado é matemático: em vários itens do cardápio, cada pedido vendido pela plataforma dá prejuízo.
Foi essa consciência que fez com que a Abrasel, que representa mais de 1 milhão de estabelecimentos no país, intensificasse negociações públicas com as plataformas ao longo de 2023 e 2024. E abriu espaço para movimentos regionais organizarem lojistas em torno de pautas concretas: transparência sobre taxas, previsibilidade de repasse e limites em cobranças acessórias.
Pix e WhatsApp: as duas alavancas invisíveis
Enquanto a pressão coletiva avança nas plataformas, dois canais silenciosos redesenharam o poder do lojista.
O Pix reconfigurou os pagamentos. Em 2023, o Pix movimentou R$ 6,6 trilhões e tornou-se o meio de pagamento mais usado do país, segundo o Banco Central. Para o restaurante, isso significa três coisas concretas: recebimento instantâneo (D0), custo zero de transação para a maioria dos tickets de delivery e independência da antecipação de recebíveis — que costuma custar de 2% a 4% ao mês. Só essa camada financeira, invisível na maioria das planilhas, come uma fatia relevante da margem de quem depende de plataformas com repasse em D+30.
O WhatsApp virou infraestrutura de venda direta. Está instalado em praticamente todos os smartphones brasileiros e, segundo o Sebrae, 43% dos pequenos negócios de alimentação já o usam como canal de vendas. Plataformas de cardápio digital integradas ao WhatsApp reportaram forte crescimento nos últimos anos, e a Anota AI publicou que clientes que migraram para atendimento automatizado via WhatsApp reduziram comissões pagas às plataformas em até R$ 8.000 por mês, dependendo do volume.
O resultado prático é que o restaurante, hoje, tem duas alavancas simultâneas nas mãos: pode pressionar a plataforma grande por meio das associações e reduzir a dependência dela por meio de canais próprios de baixo custo.
Quanto fica no seu caixa: comparativo por canal
Vale traduzir a conversa em números. Para um pedido de R$ 80:
| Canal | Comissão | Repasse | Custo por pedido |
|---|---|---|---|
| iFood (Plano Entrega) | ~23% | D+1 a D+30 | R$ 18,40 |
| iFood (Plano com Marketing) | ~27–32% | D+1 a D+30 | R$ 21,60–25,60 |
| Rappi | ~15–30% | D+7 a D+15 | R$ 12–24 |
| Delivery próprio + maquininha | ~2,5% | D+30 (ou antecipação) | R$ 2,00 |
| Delivery próprio + Pix | 0% | Instantâneo | R$ 0,00 |
| Trend SuperApp | 0% | D0 | R$ 0,00 |
Fontes: tabelas públicas iFood e Rappi, tarifas de maquininhas Cielo, Stone e PagSeguro (2024).
A leitura aqui não é ideológica. É contábil. Cada canal tem função. Plataforma grande entrega visibilidade e volume; canal próprio entrega margem, dados do cliente e recorrência. O erro estratégico da maioria dos lojistas foi tratar plataforma como o único canal — e não como um dos canais.
Como está a pressão fora do Brasil
O movimento brasileiro não é isolado. Nova York limitou comissões de delivery a 15% durante a pandemia e transformou a regra em permanente em 2021, forçando DoorDash e Uber Eats a ajustarem seus modelos. No Reino Unido, a associação UK Hospitality pressionou Just Eat por transparência de taxas entre 2022 e 2023. Na França, o governo mediou em 2023 um acordo entre UberEats e sindicatos de restaurateurs, com teto de 30% negociado setorialmente.
O padrão é claro: onde os lojistas se organizam, os termos mudam. O Brasil está atrasado nessa curva, mas caminhando na mesma direção.
O que isso significa para o seu negócio
Você não precisa esperar uma associação bater na sua porta para capturar essa conjuntura. Três movimentos práticos que qualquer restaurante pode implementar em 30 dias:
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Reveja seu plano nas plataformas. Muitos lojistas contratam pacote de marketing e destaque sem medir ROI real. Rode 30 dias no plano mais básico e compare faturamento líquido — não bruto. Em muitos casos, a queda de visibilidade é menor do que a economia em comissão.
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Ative um canal próprio hoje. Cardápio digital integrado ao WhatsApp custa a partir de R$ 59/mês. Comece divulgando para a base que já pediu de você — não precisa de tráfego pago no dia um. Meta razoável: capturar 20% a 40% do volume atual da plataforma em 90 dias.
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Aceite Pix como padrão no canal próprio. Custo zero, repasse instantâneo, sem antecipação de recebíveis. Em um restaurante que faz 800 pedidos por mês, a economia só de taxa de maquininha passa de R$ 1.500 mensais.
A soma disso é simples: para um restaurante que fatura R$ 80 mil no delivery, migrar 40% do volume para canal próprio com 0% de comissão gera economia superior a R$ 88 mil por ano. É o suficiente para contratar um funcionário, reformar a cozinha ou reforçar caixa em um ano difícil.
Conclusão
A comissão de 32% deixou de ser um custo aceito e virou uma decisão. Você pode continuar pagando essa alíquota por inércia, pode se organizar coletivamente para pressionar por termos melhores, ou pode simplesmente começar a construir seu canal próprio agora — enquanto a infraestrutura está mais barata e acessível do que em qualquer momento da última década. As três opções não são excludentes. Mas apenas a segunda e a terceira dependem exclusivamente de você.
Se quer testar como fica a conta do seu restaurante com 0% de comissão e repasse D0, cadastre sua loja no Trend SuperApp e comece a vender ainda esta semana.
