O mercado cresce, mas o dinheiro não chega igual para todos
O setor de alimentação fora do lar fechou 2024 movimentando R$ 1,1 trilhão, o equivalente a cerca de 10% do PIB brasileiro, segundo o Panorama do Setor da Abrasel. O crescimento real foi de 4,8% sobre 2023, acima da inflação do próprio segmento, e a previsão da entidade para 2025 é de expansão entre 5% e 6%. São números robustos para uma economia que ainda patina.
O problema é a distribuição desse valor. Pesquisa Abrasel/Galunion de 2024 aponta que 67% dos restaurantes consideram as taxas cobradas pelas plataformas o principal entrave para escalar no delivery. As comissões praticadas no Brasil ficam entre 25% e 35% por pedido — patamar significativamente acima da média americana e europeia, que orbita entre 15% e 25%. Na prática, um restaurante com ticket médio de R$ 60 entrega R$ 18 por pedido à plataforma antes de pagar embalagem, funcionário e insumo. Como a margem líquida média do setor no Brasil fica entre 3% e 8%, segundo o SEBRAE, basta um pedido em promoção ou com frete subsidiado para o resultado zerar.
O crescimento do mercado, então, está acontecendo — só que ele passa por dentro do ecossistema e nem sempre chega até o caixa do lojista.
Quem está do outro lado da curva: o perfil que cresce
Aqui estão os dados que mais chamam atenção quando você olha para os operadores que efetivamente cresceram acima da média em 2024. Segundo levantamento da consultoria Galunion, 89% dos lojistas que expandiram faturamento acima de 20% no ano passado operam com pelo menos uma ferramenta de automação de atendimento — chatbot de WhatsApp, cardápio digital próprio ou sistema de fila automatizado. Não é tecnologia cara. É tecnologia usada com método.
Outro dado do SEBRAE mostra que estabelecimentos com canal de pedido próprio (WhatsApp Business, site ou app white-label) cresceram o faturamento digital 2,3 vezes mais rápido do que os exclusivamente dependentes de marketplace. E em 2024, 43% dos pedidos de delivery no país já foram feitos fora das grandes plataformas — via WhatsApp, Instagram, telefone ou app próprio — contra 31% em 2022, de acordo com dados Galunion/Abrasel. É uma migração silenciosa, mas consistente.
A questão do ticket médio também é reveladora. Restaurantes com cardápio digital próprio têm ticket médio 18% superior ao do mesmo estabelecimento nas plataformas, segundo o Delivery Report da Galunion. A ausência de promoções forçadas e de um feed com dezenas de concorrentes diretos ao lado ajuda a explicar. E lojistas com ticket acima de R$ 55 apresentam rentabilidade três vezes superior à daqueles com ticket abaixo de R$ 35, mesmo operando volumes menores.
O perfil, portanto, não é o do restaurante maior. É o do restaurante que trata delivery como canal de relacionamento, não como vitrine terceirizada.
Fidelização: o ativo mais subestimado do delivery
Um dos números mais estratégicos veio de dados divulgados pelo próprio iFood Insights em 2024: clientes recorrentes geram 64% da receita de restaurantes bem-sucedidos no delivery, mas representam apenas 22% da base total. Ou seja, uma minoria de clientes fiéis sustenta a maior parte do faturamento saudável desses negócios.
Aprofundando essa lógica, dados do SEBRAE Digital indicam que lojistas que usam informações de pedido para personalização — push segmentado, cashback direcionado, comunicação em datas específicas — têm taxa de recompra 31% maior. O ponto é simples: quem tem o dado do cliente, tem o cliente. E quem só recebe o pedido pela plataforma, sem acesso ao histórico, sem canal direto, sem CRM próprio, opera na dependência de um algoritmo alheio para reencontrar aquele consumidor no próximo mês.
O franchising, aliás, entendeu isso primeiro. Segundo a ABF, 72% das franquias de alimentação já operam com pelo menos dois canais de venda digital — plataforma somada a canal próprio. O segmento de food franchising cresceu 14,3% em 2024, e as sub-redes de delivery (dark kitchens e marcas virtuais franqueadas) expandiram 28% em número de unidades no mesmo período. Não é coincidência.
O que separa quem cresce de quem apenas sobrevive
Cruzando todos esses dados, três diferenças estruturais aparecem entre os lojistas que crescem e os que estagnam:
Ticket médio acima de R$ 55. Não porque preço alto é sempre bom, mas porque abaixo desse patamar a comissão de plataforma inviabiliza a operação. Lojistas vencedores investem em combinação de produtos, upsell na finalização do pedido e curadoria de cardápio para elevar o valor de cada ticket.
Canal próprio ativo, mesmo que simples. WhatsApp Business com cardápio organizado, link direto para pedido, base de clientes identificada. Não é sobre abandonar as plataformas — é sobre não depender exclusivamente delas.
Uso de dados para retenção. Saber quem comprou, o quê, com que frequência e por qual canal. É esse dado que permite trazer o cliente de volta sem pagar comissão para conquistá-lo pela segunda vez.
O que isso significa para o seu negócio
Se o seu restaurante depende hoje exclusivamente de marketplaces, três movimentos concretos podem ser feitos ainda neste trimestre. Primeiro: abra e organize um WhatsApp Business com cardápio digital estruturado e comece a direcionar clientes recorrentes para esse canal, oferecendo pequeno benefício (cashback, brinde, prioridade). Segundo: revise seu ticket médio real — não o ticket médio bruto, mas o líquido após comissão. Se ele está abaixo de R$ 40, o problema não é volume, é estrutura de cardápio. Terceiro: comece a registrar quem são seus clientes recorrentes. Uma planilha simples com nome, telefone, frequência e pedido preferido já é ponto de partida para uma estratégia de retenção.
Os dados de 2024-2025 são bastante claros: o próximo ciclo do delivery no Brasil não vai ser vencido por quem tem o maior volume nas plataformas. Vai ser vencido por quem tem o relacionamento direto com o cliente e o controle sobre a própria margem.
Conclusão
O mercado brasileiro de delivery caminha para R$ 78 bilhões em 2026, mas esse crescimento não é distribuído por igual. Os dados mostram que o lojista que cresce em 2026 é aquele que combina presença nas plataformas com canal próprio, opera com ticket médio saudável e trata fidelização como estratégia central — não como consequência. O que separa quem escala de quem apenas sobrevive não é tamanho: é autonomia sobre a própria operação.
No Trend SuperApp, sua loja opera com 0% de comissão por pedido e repasse D0 — o que significa manter integralmente a margem que hoje escoa nas plataformas convencionais. Cadastre sua loja e comece a vender com autonomia real.
