Mercado Livre no Delivery: O Que Muda Para os Lojistas em 2025

A entrada de mais um gigante no delivery brasileiro pode reequilibrar o jogo — ou apenas trocar quem controla a régua. O que muda de fato para quem tem restaurante.

Um mercado dominado por um só player

Para entender o tamanho do movimento, é preciso olhar para a foto atual. O iFood detém entre 80% e 83% do mercado brasileiro de delivery de comida em valor de pedidos, segundo levantamento do Brazil Journal. A plataforma processa 70 milhões de pedidos por mês e está presente em mais de 1.700 municípios. Rappi e Uber Eats disputam os 17% restantes, focando em nichos premium e regiões metropolitanas específicas.

Essa concentração não é apenas um dado de mercado — é um problema regulatório. O CADE abriu investigação sobre práticas do iFood relacionadas a cláusulas de exclusividade com restaurantes parceiros. E é também um problema operacional para o lojista: pesquisa da Abrasel mostra que 65% dos restaurantes brasileiros dependem de plataformas de delivery para mais de 40% do faturamento. Ou seja, a régua do jogo está na mão de uma empresa só, e o boleto vem no fim do mês.

O que o Mercado Livre traz de diferente

O Mercado Delivery não é um app novo pedindo espaço na tela do consumidor — ele opera integrado ao aplicativo do Mercado Livre, sem download separado, aproveitando uma base de usuários que já compra, paga e recebe encomendas ali (Tecnoblog). Três ativos tornam a expansão diferente das tentativas anteriores de competir com o iFood:

Logística já instalada. O Mercado Envios entrega 75% dos pedidos em até 48 horas e tem capacidade para 1 milhão de entregas diárias, segundo dados do grupo. A frota própria cresceu 60% em 2024. Traduzindo para delivery de comida: infraestrutura de última milha pronta, sem precisar construir do zero.

Mercado Pago integrado. São 55 milhões de usuários ativos na carteira digital brasileira, segundo o próprio grupo. Pagamento em um clique, sem fricção. Para o lojista, isso pode significar taxa de conversão maior por pedido exibido.

Taxa de entrada agressiva. Fontes do setor citadas pelo Tecmundo indicam que o Mercado Livre está operando com comissões abaixo do praticado pelo iFood para atrair restaurantes parceiros. O iFood cobra entre 12% e 27% de comissão, dependendo do plano, com custo efetivo total que chega a 25%-35% do faturamento quando somadas taxas de entrega, promoções e anúncios (Abrasel).

O detalhe importante: comissão baixa na largada não é garantia de comissão baixa no longo prazo. Foi assim que o iFood ganhou o mercado — e depois virou a régua.

O risco de trocar seis por meia dúzia

O reflexo natural do lojista pressionado é comemorar qualquer concorrente novo. Mais opções, teoricamente, significam mais poder de barganha. Mas a experiência recente do e-commerce brasileiro sugere cautela: quando duas ou três grandes plataformas dominam um setor, elas tendem a convergir em condições comerciais parecidas. O consumidor pode até ganhar. O lojista, quase nunca.

O iFood já reagiu. A Exame reportou que a empresa anunciou novos pacotes de fidelização para restaurantes parceiros e investimentos em logística própria em resposta à entrada do Mercado Livre. Ou seja: a disputa vai ser por travar o restaurante em uma plataforma, não por libertá-lo.

É por isso que 78% dos donos de restaurante consideram as taxas de delivery "altas" ou "muito altas" (CNDL/SPC), mas continuam dentro delas. A dependência é o produto real que essas plataformas vendem — não a entrega.

A saída inteligente: multicanalidade

Enquanto os gigantes brigam pela sua tela, o dado mais relevante para a sua margem está em outro lugar. Estudo do Sebrae-SP mostra que restaurantes que diversificam canais de venda têm margens 18% maiores do que os que dependem exclusivamente de plataformas. E o WhatsApp já é o segundo maior canal de pedidos de delivery no Brasil: 34% dos consumidores brasileiros já pediram comida direto pelo aplicativo de mensagens (Consumidor Moderno).

As soluções de pedido direto — canais próprios integrados a WhatsApp, cardápio digital e sistemas de gestão — cresceram 200% em 2023, segundo o E-commerce Brasil. Não é coincidência: o lojista que constrói base de clientes própria paga uma vez pela aquisição e depois vende quantas vezes quiser, sem pedágio por pedido.

O que isso significa para o seu negócio

A chegada do Mercado Livre no delivery é boa notícia — mas não pela razão óbvia. Ela é boa porque tira o iFood do piloto automático e pode forçar melhores condições para quem sabe negociar. Só que apostar todas as fichas em "esperar o mercado se ajeitar" é o mesmo erro que levou o setor à dependência atual. Três ações concretas para tomar agora:

  1. Mapeie o seu custo real por plataforma. Some comissão, taxa de entrega paga por você, desconto em promoções e investimento em visibilidade. Se passar de 25% do ticket, você está trabalhando para a plataforma.
  2. Construa um canal direto antes que ele seja necessário. WhatsApp com cardápio integrado, cadastro simples de clientes e programa de recompra. Isso não substitui as plataformas — protege você delas.
  3. Teste plataformas com modelo comercial diferente. Marketplaces com comissão zero, repasse rápido e logística integrada estão surgindo justamente porque o mercado percebeu o problema. Diversificar canais é o único hedge real contra a régua dos grandes.

Conclusão

O Mercado Livre chega forte no delivery, mas a lição do e-commerce brasileiro é clara: gigante disputando gigante nem sempre significa lojista respirando. Quem sair dessa próxima fase mais leve é quem parou de terceirizar 100% da sua base de clientes. A hora de construir autonomia é agora — antes que a próxima régua já esteja escrita.

No Trend SuperApp, o lojista opera com 0% de comissão, repasse em D0 e logística integrada. Se você já entendeu que diversificar canais é sobrevivência, cadastre sua loja e comece a vender sem pedágio.

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