iFood Ads 28% mais caro: como manter ROI sem inflar o budget

A receita de anúncios do iFood cresceu 140% e o custo por clique subiu 28%. Pagar mais deixou de ser estratégia. Este guia mostra onde está o ROI real para lojistas de delivery em 2025.

Por que o custo do clique disparou — e por que não vai parar

O iFood detém cerca de 80% do mercado de delivery por aplicativo no Brasil (Euromonitor, 2024). Quando existe um único grande leilão de atenção, quem determina o preço do clique é a demanda dos lojistas competindo entre si. A alta de 28% no CPC não é anomalia: é o comportamento esperado quando a oferta de espaço cresce mais devagar que a demanda por visibilidade.

O crescimento de 140% na receita de Ads da plataforma revela um dado incômodo. Os restaurantes toparam pagar mais. E aceitar pagar mais é diferente de obter mais resultado. Segundo pesquisa CNDL/SPC Brasil de 2023, 68% dos restaurantes que anunciam em plataformas de delivery têm dificuldade em calcular o ROI real das campanhas pagas. Ou seja: a maioria do mercado está inflando budget no escuro.

Enquanto isso, o SEBRAE aponta que 47% dos lojistas de delivery já destinam mais de 10% do faturamento delivery para publicidade paga — uma alta de 18 pontos percentuais em relação a 2022. É um ciclo de dependência que se retroalimenta: quanto mais caro fica o clique, mais o lojista precisa investir para manter o mesmo volume, e mais o leilão sobe.

A conta que quase ninguém faz: quanto de fato sobra por pedido

Vale fazer uma simulação simples. Imagine um restaurante com ticket médio de R$ 45 e margem bruta de 35% no delivery, o que dá R$ 15,75 por pedido antes de qualquer investimento em mídia. Se o custo de aquisição por pedido (CPO) via Ads passa de R$ 8-10, o canal já opera no vermelho.

Com o CPC subindo 28% e a taxa de conversão média de vitrine ficando entre 2% e 3% para operadores sem otimização, esse cálculo virou realidade para muita gente. Um restaurante que gastava R$ 6 para gerar um pedido em 2023 hoje gasta R$ 7,70 pelo mesmo pedido — mesmo mantendo a estratégia idêntica. Não é gestão ruim. É o leilão ficando mais caro.

Onde está o ROI que o marketplace não te entrega

Aqui está o dado que muda o jogo: 73% dos usuários de apps de delivery afirmam preferir restaurantes que já conhecem (CNDL/SPC Brasil, 2024). Isso significa que o tráfego pago serve bem para aquisição de primeiro pedido, mas quem paga a conta no longo prazo é o cliente recorrente. E o cliente recorrente não precisa de anúncio para voltar.

Compare os canais na prática:

Canal CPC / CPO médio (BR, 2024) Controle do lojista
iFood Ads R$ 0,80–2,40 / clique Baixo
Meta Ads (Instagram/Facebook) R$ 0,60–1,80 / clique Alto
WhatsApp Business R$ 0–0,30 / mensagem Total
SEO local + Google Meu Negócio R$ 0 (custo de tempo) Total
Programa de fidelidade próprio R$ 0,10–0,50 / reativação Total

Fontes: Meta Business, Google Keyword Planner, SEBRAE Digital, Abrasel.

Nos EUA, o mercado já reagiu. Redes como Sweetgreen, Chipotle e Shake Shack construíram canais próprios de pedido e reportaram margem de 12 a 15 pontos percentuais superior ao mesmo pedido feito via marketplace (Insider Intelligence, 2024). Esses canais próprios representam de 35% a 40% do volume digital dessas marcas. No Brasil, menos de 8% dos restaurantes com delivery ativo operam canal próprio estruturado, segundo o SEBRAE. Aí está tanto o problema quanto a oportunidade.

Benchmarks: quem lucra faz diferente

Olhando para operadores que estão dentro da média saudável do setor, os números são consistentes:

Indicador Operador sem estratégia Operador otimizado
% do faturamento delivery em Ads 12–18% 5–8%
Conversão da vitrine (clique → pedido) 2–3% 6–9%
Clientes que fazem 2º pedido em 30 dias 18–25% 42–55%
CAC (cliente novo) R$ 22–38 R$ 8–15

Fontes cruzadas: SEBRAE, Abrasel, ABF Food Franchising, CNDL.

O que a coluna da direita tem em comum? Não é budget maior. É diversificação de canal e trabalho ativo de recompra. Quem consegue elevar a taxa de segundo pedido de 20% para 45% praticamente dobra a rentabilidade do canal delivery sem gastar um centavo a mais em mídia paga.

O que isso significa para o seu negócio

Se você opera um restaurante que depende de delivery, três movimentos práticos entregam retorno rápido:

1. Meça CPO real, não CPC. Custo por clique é vaidade. O que importa é quanto custa cada pedido efetivo e qual a margem que sobra depois desse custo. Se o CPO estiver acima de 50% da margem bruta do pedido, o canal está te consumindo caixa.

2. Capture o cliente que o marketplace te entregou. Todo pedido é uma oportunidade de coletar contato via cupom no comprovante, embalagem com QR Code ou follow-up no WhatsApp. Migrar 30% da sua base de recorrentes para canal próprio reduz sua dependência de leilão e melhora margem imediatamente.

3. Reequilibre o mix de mídia. Se hoje 100% do seu investimento em marketing vai para iFood Ads, redirecione uma parte para Meta Ads (mais barato e com controle de audiência), SEO local e programa de fidelidade próprio. Esses canais têm CAC menor e geram um ativo — sua base de clientes — que ninguém pode te tirar.

Conclusão

O CPC 28% mais caro é um sinal, não um problema isolado. O sinal é que o modelo de crescer via marketplace pago está atingindo o teto da rentabilidade para quem não tem estrutura para operar em escala. Continuar inflando budget dentro do mesmo leilão só transfere mais margem do restaurante para a plataforma. A saída não é abandonar o marketplace — é parar de tratá-lo como único canal e começar a construir os próprios ativos digitais.

Se o objetivo é manter ROI real em 2025, o caminho passa por diversificar canais, capturar cliente próprio e reduzir a dependência de anúncios pagos em plataforma dominante. E se você quer operar num marketplace onde o repasse é D0 e a comissão é 0%, sobra budget de verdade para investir em crescimento. Cadastre sua loja no Trend SuperApp e venda com 0% de comissão.

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