O tamanho real do problema na sua DRE
Os números do setor explicam por que tantos restaurantes operam no limite. Segundo Abrasel e Sebrae (2024), a margem líquida média de um restaurante bem gerido fica entre 5% e 15%. O CMV (Custo de Mercadoria Vendida) consome de 30% a 35% da receita. Sobram, em tese, 50% para folha, aluguel, impostos, marketing e a comissão da plataforma.
O problema é que a comissão sozinha pode levar até 30% dessa fatia, segundo o Valor Econômico (2024). Em planos com entrega subsidiada, embalagem reforçada e participação em campanhas promocionais, o impacto efetivo chega aos 35% citados pela Abrasel ao CADE. Em outras palavras: para muitos restaurantes que dependem da plataforma, a operação de delivery é deficitária e está pagando o aluguel com o caixa do salão.
E não é problema de poucos. Estudo de 2024 mostra que 60% dos restaurantes de médio porte geram mais da metade das vendas via iFood. Quando uma plataforma representa mais de 50% do faturamento, deixa de ser canal e vira sócio — só que sem participação nas decisões.
O que o CADE está investigando (e por que isso importa para você)
O processo aberto em 2025 não é o primeiro round. Em outubro de 2022, o CADE já havia firmado um Termo de Compromisso de Cessação (TCC) com o iFood. A empresa concordou em três pontos:
- Suspender cláusulas de exclusividade com restaurantes parceiros
- Dar transparência aos critérios de ranqueamento nos resultados de busca do app
- Não discriminar preços de restaurantes que também operam em outras plataformas
A nova investigação, segundo reportagem do Jota (2024), apura justamente se esses compromissos foram cumpridos — em especial o ponto do ranqueamento algorítmico, que continuaria favorecendo restaurantes exclusivos. O iFood, hoje, detém entre 80% e 84% do mercado de delivery brasileiro, segundo Euromonitor/UBS (2024), o que classifica a empresa como dominante para fins concorrenciais. Eventual condenação pode resultar em multa entre R$ 380 milhões e R$ 760 milhões, além de obrigações de mudança de conduta.
Para o lojista, o ponto prático é: a investigação pode durar até dois anos. Esperar o desfecho não é estratégia — é torcida. O movimento certo é usar esse intervalo para reduzir a dependência estrutural, aproveitando o cenário em que a plataforma está sob escrutínio público e regulatório.
O mercado já está se movendo: canal próprio cresce
Enquanto o CADE investiga, parte do setor já está executando o próximo passo. Três dados mostram a direção:
- 43% dos restaurantes brasileiros já recebem pedidos via WhatsApp, e para 28% deles é o segundo maior canal de vendas (Panorama Mobile Time/Meta, 2024)
- Restaurantes com canal próprio (site, WhatsApp, app) reduzem custos com plataformas em até 25% da receita quando mantêm volume mínimo (Abrasel/Sebrae, 2024)
- Programas de fidelidade próprios aumentam em 40% a taxa de retorno dos clientes (Abrasel, 2024)
O contraponto honesto: adquirir cliente para o canal próprio custa em média 5 vezes mais do que receber pedido via marketplace, segundo a Goomer (2024). Mas o LTV (valor de vida do cliente) é 3,2 vezes maior. O cliente próprio compra mais vezes, com ticket maior, e você não paga comissão sobre a recompra. A matemática só faz sentido no longo prazo — e é por isso que quem começa agora chega na frente.
O que isso significa para o seu negócio
Você não precisa sair do iFood. Precisa parar de depender exclusivamente dele. Três ações concretas para os próximos 90 dias:
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Mapeie a sua dependência hoje. Calcule o percentual da receita que vem de cada canal. Se um único marketplace representa mais de 40%, você está em zona de risco — qualquer mudança de regra contratual afeta seu caixa diretamente.
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Ative pelo menos dois canais alternativos. WhatsApp Business com catálogo ativo é o passo zero — gratuito e com 43% de adoção no setor. Em paralelo, configure pedidos no Google Meu Negócio e avalie plataformas com modelos comerciais diferentes, como marketplaces de comissão zero que repassam o dinheiro no mesmo dia.
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Construa base própria de clientes. Toda venda, em qualquer canal, deve gerar um cadastro seu — nome, telefone, histórico. Essa base é o ativo que sobrevive a qualquer mudança de algoritmo, contrato ou plataforma.
Conclusão
A investigação do CADE é uma janela. Se a decisão favorecer os restaurantes, quem já diversificou estará pronto para aproveitar margens melhores. Se a decisão demorar ou for tímida, quem diversificou terá reduzido o problema por conta própria. Nos dois cenários, depender de uma única plataforma com 80% de market share e comissão de até 30% deixou de ser um modelo viável.
Cadastre sua loja no Trend SuperApp e venda com 0% de comissão e repasse no mesmo dia. Comece a reduzir sua dependência hoje — antes que o próximo reajuste do marketplace decida por você.
