A consolidação que tirou o contrapeso do lojista
Em março de 2023, o Uber Eats encerrou suas operações no Brasil e transferiu sua base de restaurantes ao iFood via parceria comercial. O Rappi, na mesma janela, anunciou corte de cerca de 6% do quadro global e reduziu sua expansão local, concentrando-se em nichos premium nas grandes capitais. O resultado prático: o iFood passou a operar com estimados 80% ou mais do mercado brasileiro de delivery de refeições, segundo levantamentos da Euromonitor e da Statista — concentração que não tem paralelo em nenhum grande mercado ocidental.
Para comparar: nos EUA, o DoorDash lidera com cerca de 67% e divide o jogo com Uber Eats e GrubHub. No Reino Unido, o Just Eat detém cerca de 52% em um mercado com três players relevantes. Na França, Deliveroo lidera com 45% disputando com três a quatro plataformas. Em todos esses mercados, a concorrência real obriga as plataformas a negociar condições comerciais — algo que, no Brasil, simplesmente deixou de existir.
A consequência aparece nas taxas. As comissões do iFood aos lojistas variam de 12% a 30% por pedido, conforme a tabela pública de planos para parceiros. A faixa superior é aplicada a estabelecimentos sem plano de assinatura ou sem volume mínimo garantido — ou seja, justamente os pequenos e médios, que mais precisariam de condições favoráveis.
Desaceleração não virou alívio. Virou pressão
Em mercados competitivos, a estabilização de volumes costuma forçar plataformas a reter parceiros com melhores condições. No Brasil de 2024, o movimento é o inverso. Com crescimento orgânico menor e pressão de investidores por lucratividade — o iFood é controlado pela Prosus/Naspers, listada em Amsterdã —, a lógica deixou de ser conquistar novos pedidos e passou a ser extrair mais margem por pedido existente.
Globalmente, o padrão é convergente. Segundo a McKinsey, o food delivery saiu de crescimentos de 20% a 30% ao ano (2020–2021) para 5% a 9% ao ano (2023–2024). A Deliveroo registrou queda de pedidos em 2023 no Reino Unido; o DoorDash desacelerou para um dígito nos EUA. As plataformas mundo afora entraram em modo de rentabilização. A diferença é que, nos outros mercados, o lojista tem com quem negociar. Aqui, não.
A conta que não fecha no caixa do restaurante
A margem líquida média de um restaurante no Brasil gira entre 3% e 8%, segundo dados consolidados pela Abrasel e pelo Sebrae. Em operações predominantemente via delivery com comissão de 27% a 30%, a conta simplesmente não fecha sem repasse de preço ao consumidor — algo que reduz conversão e gera fricção. A inflação de alimentação fora do domicílio acumulou 6,2% em 2023 segundo o IPCA/IBGE, comprimindo ainda mais a margem residual.
A própria Abrasel, em sua Pesquisa de Conjuntura de 2023, identificou que 72% dos donos de bares e restaurantes apontam "aumento de custos operacionais" como o principal desafio do setor — categoria que engloba diretamente as taxas das plataformas. Não é percepção isolada. É consenso setorial.
Em outros mercados, o problema gerou resposta regulatória. Nova York aprovou em 2021 um teto de 15% de comissão para plataformas de delivery — legislação motivada exatamente pela concentração e pela pressão sobre restaurantes independentes. No Brasil, o CADE abriu investigação sobre práticas do iFood em 2021, sem resolução definitiva publicada até agora.
O que isso significa para o seu negócio
Esperar regulação resolver o problema é apostar em um prazo que você não controla. Esperar uma nova plataforma de massa surgir é apostar em um cenário que, com a saída do Uber Eats e o recuo do Rappi, ficou improvável no curto prazo. A única variável sob controle do lojista é o mix de canais de venda.
Na prática, isso significa três movimentos:
-
Ativar canal próprio com WhatsApp Business. Pedido recebido direto no WhatsApp tem zero comissão. O custo é operacional — alguém precisa receber, lançar no sistema e organizar a entrega. Mas a margem retida compensa em volumes a partir de 30–50 pedidos/mês.
-
Construir base de clientes recorrentes fora da plataforma. Cada pedido entregue é uma oportunidade de capturar contato e migrar a próxima compra para canal direto. Cartão na sacola, cupom para o segundo pedido, grupo de ofertas — táticas simples que reduzem dependência ao longo do tempo.
-
Adotar plataformas com modelo de comissão zero. É exatamente o que o Trend SuperApp oferece: 0% de comissão por pedido em um segmento onde a média é 20%–27%, e repasse D0 em vez de D+30. Para o restaurante do exemplo inicial — 200 pedidos/mês, ticket R$ 45 —, migrar uma parcela do volume para o Trend pode representar entre R$ 2.000 e R$ 2.700 a mais em caixa por mês. Sem mudar preço. Sem mudar operação.
Conclusão
O mercado de delivery brasileiro deixou de ser um jogo de crescimento e virou um jogo de extração de margem. Enquanto a única plataforma de massa do país opera sem contrapeso competitivo, cabe ao lojista construir alternativas que reduzam dependência e devolvam previsibilidade ao caixa. Não é sobre abandonar o iFood. É sobre não estar refém dele.
Cadastre sua loja no Trend SuperApp e venda com 0% de comissão e repasse no mesmo dia.
