O que mudou no modelo de comissão do iFood
Pressionado pelo acordo com o CADE em 2024 — que proibiu cláusulas de exclusividade e abriu caminho para planos diferenciados — o iFood passou a oferecer três faixas de comissão a partir de 2025, segundo apuração do Valor Econômico e da InfoMoney:
- Plano padrão: comissão de 27% a 30% sobre o pedido, mais taxa de entrega de R$ 4 a R$ 8.
- Plano intermediário: comissão de 18% sem taxa de entrega adicional, voltado a operações com volume médio.
- Plano parceiro (canal próprio): comissão de 12% a 15%, exclusivo para restaurantes que comprovam vendas diretas fora da plataforma.
A mudança é estrutural. O iFood detém 80% do mercado brasileiro de food delivery e processa mais de 70 milhões de pedidos por mês (Valor Econômico, 2024). Quando ele se mexe, o setor inteiro se mexe — Rappi e Uber Eats já são apontados pela Exame como próximos a revisar suas tabelas para não perderem competitividade.
O que o iFood considera "canal próprio"
Aqui está o ponto que confunde a maioria dos lojistas. Ter perfil no Instagram ou um número de WhatsApp não basta. Segundo o blog oficial do iFood e a documentação reunida pela ABComm, o "canal próprio" precisa atender três critérios:
- Canal de pedidos digital ativo: site próprio, aplicativo, ou cardápio digital com link de pagamento integrado (Goomer, Aiqfome, sistemas similares). WhatsApp Business serve, desde que tenha link de pagamento via PIX, cartão ou gateway integrado — não apenas conversa.
- Volume mínimo de vendas diretas: pelo menos 20% das vendas mensais (em algumas faixas, 30%) precisam ser realizadas fora da plataforma, comprovadas por extrato bancário ou relatório do sistema de gestão (POS) nos últimos 90 dias.
- Comprovação técnica: integração com sistema de gestão de pedidos. Anotação manual em caderno não conta.
A pesquisa da ABComm com 1.200 restaurantes mostrou que 61% já usam WhatsApp para receber pedidos, mas apenas 34% têm pagamento integrado. Ou seja: a maioria dos lojistas tem o canal — falta apenas formalizar para o iFood reconhecer.
Quanto isso vale no seu caixa
A conta é direta. Vamos a três cenários, com base na simulação da Contabilidade para Restaurantes e no ticket médio de R$ 58 por pedido no segmento de restaurantes (dados iFood Insights 2024):
| Faturamento mensal no iFood | Comissão atual (30%) | Comissão nova (12%) | Economia mensal | Economia anual |
|---|---|---|---|---|
| R$ 20.000 | R$ 6.000 | R$ 2.400 | R$ 3.600 | R$ 43.200 |
| R$ 50.000 | R$ 15.000 | R$ 6.000 | R$ 9.000 | R$ 108.000 |
| R$ 80.000 | R$ 24.000 | R$ 9.600 | R$ 14.400 | R$ 172.800 |
Um caso real publicado pela revista PEGN: uma pizzaria de São Paulo, com faturamento de R$ 80 mil mensais no iFood, investiu R$ 2.000 por mês em ferramenta de canal próprio e marketing. Resultado: economia líquida de R$ 12.400 por mês após a migração. Em um ano, R$ 148 mil que ficaram no caixa em vez de irem para a plataforma.
Passo a passo para migrar de plano
Se você quer se enquadrar no plano de 12%-15%, o caminho é o seguinte:
- Implante um canal de pedidos próprio. Cardápio digital com pagamento integrado custa entre R$ 79 e R$ 350 por mês (Sebrae Minas). WhatsApp Business com link de pagamento é gratuito, mas exige integração com gateway.
- Comunique o canal próprio aos seus clientes. Imã de geladeira, QR code na embalagem, mensagem no comprovante. Pesquisa CNDL/SPC mostrou que 73% dos consumidores pediriam direto se houvesse desconto de 10% ou mais — repasse parte da economia da comissão e o canal cresce rápido.
- Mantenha o volume por 90 dias. O iFood exige histórico de três meses para comprovação. Não adianta vender direto por um mês e pedir migração no seguinte.
- Abra solicitação no portal do parceiro. Anexe extratos bancários, relatórios do seu sistema de gestão e prints do canal ativo. O processo de análise tem levado, segundo relatos no blog da ABComm, entre 15 e 30 dias.
O que isso significa para o seu negócio
Três ações concretas para começar esta semana:
- Calcule seu cenário real: pegue seu faturamento médio no iFood dos últimos três meses, multiplique por 0,18 (a diferença entre 30% e 12%) e veja quanto você está deixando na mesa. Para a maioria dos lojistas, esse número paga sozinho qualquer investimento em canal próprio.
- Não dependa de uma única plataforma: restaurantes em modelo híbrido (plataforma + canal próprio) têm margem 4 a 7 pontos percentuais maior, segundo levantamento do E-Commerce Brasil. Diversificar não é só sobre comissão — é sobre não ficar refém das regras de quem você não controla.
- Trate canal próprio como ativo, não como tarefa: cada cliente que pede direto é um cliente que você pode reativar quando quiser, com a margem que faz sentido para você. No iFood, o cliente é da plataforma.
Conclusão
A mudança na comissão do iFood é a maior janela de oportunidade financeira do setor de delivery em anos. Quem tiver canal próprio estruturado em 2026 paga menos da metade do que paga hoje. Quem continuar dependente exclusivo da plataforma vai assistir concorrentes operarem com margens muito maiores — e baixarem preços. A escolha começa agora.
No Trend SuperApp, a comissão é zero desde o primeiro pedido, com repasse no mesmo dia. Sem plano, sem comprovação, sem espera de 90 dias. Cadastre sua loja e venda com 0% de comissão.
