O que muda com a regulamentação (em números)
O texto aprovado na Câmara estabelece três pilares de custo para as plataformas: piso por hora trabalhada, contribuição previdenciária patronal e benefícios mínimos (seguro contra acidentes, auxílio em caso de afastamento). Em uma operação típica de delivery — em que o entregador realiza em média 2 a 3 corridas por hora durante o pico — o custo adicional por entrega projetado por analistas do setor fica entre R$ 1,80 e R$ 3,20, dependendo da densidade da rota e do horário.
Parece pouco. Não é.
Considerando o ticket médio do delivery brasileiro em 2024 — estimado entre R$ 55 e R$ 65 pelas principais plataformas e validado pela ABRASEL —, um custo adicional de R$ 2,50 por entrega representa cerca de 4% sobre o valor do pedido. Se a plataforma optar por repassar integralmente esse custo via aumento de comissão, o lojista que hoje paga 23% de taxa marketplace passaria a operar com 27% — patamar próximo ao limite de viabilidade para a maioria dos cardápios.
O caso espanhol: o que aconteceu quando a regra chegou
A Espanha aprovou em 2021 a chamada Ley Rider, que obrigou plataformas como Glovo, Uber Eats e Deliveroo a contratar entregadores via CLT. O resultado, documentado pela publicação Restauración News e pela imprensa europeia, foi imediato:
- Uber Eats deixou o mercado espanhol em modalidade tradicional poucos meses depois
- Deliveroo encerrou operações no país inteiro em novembro de 2021
- Custos por entrega subiram entre 30% e 40% para as plataformas que ficaram
- Restaurantes parceiros relataram aumento médio de 3 a 5 pontos percentuais nas comissões cobradas
O paralelo com o Brasil não é perfeito — a regulamentação aqui é mais flexível, mantém o vínculo autônomo e estabelece piso por hora ativa, não por jornada cheia. Mas a direção é a mesma: toda regulamentação trabalhista no delivery, em todo lugar do mundo, foi parar na conta de alguém. Na Espanha, foi o restaurante.
Os três cenários para 2026
Cruzando o texto aprovado na Câmara, as declarações públicas das plataformas e o histórico internacional, três cenários se desenham para o lojista brasileiro:
Cenário 1 — Repasse integral via comissão. As plataformas dominantes elevam a taxa marketplace em 3 a 5 pontos percentuais. Quem paga 23% hoje pagaria entre 26% e 28%. Para um restaurante com ticket médio de R$ 60 e 1.500 pedidos/mês, isso significa R$ 2.700 a R$ 4.500 a menos no caixa, todo mês.
Cenário 2 — Repasse via taxa de entrega ao consumidor. O frete pago pelo cliente sobe, o pedido fica mais caro e o ticket cai. Estimativas conservadoras apontam queda de 8% a 12% no volume de pedidos nos primeiros seis meses, com recuperação parcial conforme o consumidor se adapta ao novo preço.
Cenário 3 — Modelo híbrido. Pequeno aumento na comissão (1 a 2 p.p.) combinado com aumento no frete ao consumidor. É o cenário mais provável segundo analistas de mercado, e o que mais dilui o impacto — mas ainda assim corrói margem.
Nenhum dos três cenários é neutro para o lojista. A diferença está em quem absorve o atrito do reajuste — você ou seu cliente.
O que isso significa para o seu negócio
Independentemente do cenário que se confirme, três movimentos passam a ser essenciais a partir de agora:
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Diversificar canais de venda. Restaurantes que dependem de uma única plataforma para mais de 70% do faturamento entram em 2026 sem poder de negociação. Operar em múltiplos marketplaces — incluindo plataformas com modelos alternativos de custo — deixa de ser opcional.
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Revisar a precificação do cardápio para delivery. Se você ainda usa o mesmo preço do salão no app, está subsidiando a comissão com sua própria margem. O preço de delivery precisa ser construído de trás para frente: parta da margem desejada e adicione todos os custos da plataforma — incluindo os que virão.
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Mapear o custo real por pedido, não por canal. Comissão não é o único custo de um pedido no app. Embalagem, tempo de preparo dedicado, taxa de cancelamento e desconto promocional somam. Restaurantes que conhecem o custo real por pedido conseguem decidir, com dados, quais canais valem a pena manter.
Conclusão
A regulamentação dos motoristas é uma das maiores mudanças estruturais que o delivery brasileiro vai atravessar na década. Os dados não deixam dúvida: alguém vai pagar a conta, e o histórico mostra que esse alguém costuma ser o lojista. A boa notícia é que ainda há tempo de chegar em 2026 com a casa em ordem — diversificando canais, ajustando preço e reduzindo a dependência de plataformas que cobram 23% ou mais.
No Trend SuperApp, sua loja vende com 0% de comissão e recebe o repasse no mesmo dia da venda. Em um cenário em que cada ponto percentual de margem virou estratégia de sobrevivência, esse é o tipo de conta que faz diferença. Cadastre sua loja agora e venda mais sem pagar comissão.
