Quanto custa, de verdade, vender pelo iFood em 2025
A estrutura de cobrança do iFood combina três camadas. A primeira é a taxa de cadastro, um valor único cobrado na ativação da conta — divulgado entre R$ 100 e R$ 150 dependendo da região, segundo levantamentos da Abrasel e relatos de parceiros do setor. A segunda é a comissão por pedido, que varia conforme o modelo de entrega: de 23% a 27% quando o motoboy é da plataforma, de 12% a 16% quando a entrega é própria do restaurante, e 12% no retirada no local. A terceira camada são taxas adicionais de processamento de pagamento e eventuais custos de mídia patrocinada dentro do app.
Na prática, um ticket médio de R$ 50 com comissão de 27% significa R$ 13,50 por pedido entregues à plataforma. Esse valor sai antes do custo de insumo (que costuma representar 35% do preço de venda no setor), antes da mão de obra (25%) e antes do overhead (15%). Segundo dados da Abrasel e do SEBRAE no Panorama do Setor de Bares e Restaurantes (2023), a margem operacional média do segmento fica entre 3% e 10%. A conta é direta: se você opera só pelo iFood, sem ajuste de preço para canal, está vendendo no zero — ou no negativo.
A taxa de cadastro é só a ponta do iceberg
A discussão sobre a taxa de cadastro tende a focar no valor pontual da adesão. É um erro de leitura. O custo relevante não é o cheque que você assina no início — é o percentual recorrente que sai de cada pedido pelos próximos 12, 24 ou 36 meses.
Faça o teste: um restaurante com R$ 30 mil/mês em GMV de delivery, operando 100% via iFood na faixa de 27% de comissão, paga R$ 8.100 por mês em taxas variáveis. Em um ano, são R$ 97.200. A taxa de cadastro de R$ 150 representa 0,15% desse total anual. É ruído estatístico perto do verdadeiro custo de canal.
A pesquisa Radar do Setor da Abrasel (Q3 2023) mostrou que 48% dos restaurantes apontam a comissão de plataformas como o principal fator de compressão de margem no delivery. Não é a taxa de adesão que machuca. É o efeito acumulado da comissão sobre uma margem operacional que já era apertada antes da pandemia e ficou ainda mais comprimida com a inflação de 38,7% no grupo Alimentação fora do domicílio entre 2020 e 2023 (IBGE/IPCA).
O que mudou no mercado — e o que isso abre para você
A boa notícia: o cenário de 2025 não é o mesmo de 2020. Três movimentos abriram alternativas concretas para o restaurante reduzir dependência de uma única plataforma.
O primeiro foi a decisão do CADE no Acordo em Controle de Concentração (Processo nº 08700.005679/2020-62, 2022), que impôs obrigações de transparência ao iFood e limitou cláusulas de exclusividade. Isso liberou restaurantes para operar em múltiplas plataformas sem retaliação contratual.
O segundo foi a explosão dos cardápios digitais e apps próprios. A Goomer reportou crescimento de 210% em cadastros de cardápio digital entre 2021 e 2023. O custo de tecnologia para ter seu próprio canal de pedido caiu de proibitivo para acessível em poucos anos.
O terceiro foi o surgimento de marketplaces alternativos com modelo de comissão zero ou reduzida — como o Trend SuperApp, que cobra 0% de comissão por pedido e faz repasse em D0, contra um modelo de mensalidade fixa.
| Plataforma | Comissão (entrega da plataforma) | Comissão (entrega própria) | Repasse |
|---|---|---|---|
| iFood | 23%–27% | 12%–16% | D30 |
| Rappi | 20%–30% | 15%–18% | D14-D30 |
| Uber Eats | 15%–30% | 15% | D7-D14 |
| Trend SuperApp | 0% | 0% | D0 |
O que isso significa para o seu negócio
Diversificação não é abandonar o iFood — é parar de depender dele como canal único. O posicionamento mais saudável para a maioria dos restaurantes brasileiros hoje é tratar a plataforma líder como canal de aquisição (topo de funil) e construir recorrência em canais diretos, onde a margem volta para o seu caixa.
Três ações concretas para colocar em prática esta semana:
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Calcule seu custo de canal real. Pegue o GMV do iFood dos últimos 90 dias, aplique sua comissão contratada e divida pela receita líquida. Esse é o seu custo de aquisição por canal. Se passar de 20%, você está em zona de risco.
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Abra um segundo canal nos próximos 30 dias. Pode ser WhatsApp Business com cardápio digital, um app próprio via Goomer ou Saipos, ou um marketplace alternativo como o Trend. O objetivo não é volume imediato — é ter uma rota de fuga quando a comissão apertar.
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Migre clientes recorrentes para canal direto. Use sacolas, cupons de retorno e contato pós-venda para mover o cliente que já te conhece para um canal de margem cheia. Cada pedido migrado é dinheiro que volta para sua operação.
Conclusão
A taxa de cadastro do iFood é o título da reportagem. A história real é a aritmética da sua margem todo mês. Em um mercado onde a plataforma líder detém 82% do delivery e cobra até 27% por pedido, o restaurante que não diversifica está, na prática, terceirizando a saúde do próprio caixa.
A decisão entre manter, reduzir ou migrar não precisa ser drástica — precisa ser informada. Comece calculando seu custo real de canal hoje. Depois, abra a segunda porta.
Quer testar uma operação com 0% de comissão e repasse no mesmo dia? Cadastre sua loja no Trend SuperApp e veja quanto da sua receita volta para o seu caixa.
