Taxas de delivery em 2025: o cálculo que decide se você lucra ou só fatura

As comissões das plataformas mudaram pouco, mas o contexto mudou muito. Com o TCC do CADE e a maturidade dos canais próprios, decidir onde vender virou matemática — não fidelidade. Veja os números que importam.

O que cada plataforma cobra em 2025

As faixas de comissão variam por plano, segmento e volume, mas a estrutura geral está consolidada:

  • iFood: 12% no plano básico (com taxa adicional de R$ 1,00 por pedido) até 27% no plano Entrega iFood, que inclui logística (Central do Parceiro iFood, 2024).
  • Rappi: 20% a 28%, dependendo de segmento e volume contratado (relatórios de parceiros Rappi, 2024).
  • Uber Eats: 15% a 30%, com variação ligada à adesão a campanhas promocionais (Uber Eats Partner Terms, 2024).
  • Mercado Delivery: 12% a 16%, foco em conveniência e mercado.

Para dimensionar o peso desse jogo: o iFood detém cerca de 80% do market share de delivery de refeições no Brasil (Euromonitor, 2024) e processou mais de 1 bilhão de pedidos em 2023 (iFood, Relatório de Impacto 2023). Em mercados como o americano, a líder DoorDash tem 67% de share — concentração menor e, portanto, mais concorrência por preço de comissão.

A decisão do CADE que abriu a porta para o multihoming

Em novembro de 2022, o CADE firmou um Termo de Compromisso de Cessação (TCC) com o iFood determinando que a plataforma não pode impor cláusulas de exclusividade a restaurantes parceiros (Processo CADE nº 08700.003070/2021-88). O acordo tem vigência de quatro anos, com monitoramento semestral, e permanece ativo até cerca de 2026.

Na prática, o que isso significa para o seu negócio: você tem respaldo legal para operar simultaneamente em múltiplas plataformas e em canais próprios, sem ser penalizado contratualmente. O que antes era zona cinzenta agora é direito do lojista. Boa parte dos restaurantes ainda não se moveu — e essa inércia é, hoje, a maior aliada das plataformas dominantes.

A matemática que muitos lojistas evitam

A margem líquida média de um restaurante no Brasil fica entre 5% e 15% (Sebrae, Panorama do Setor de Alimentação, 2023). Em paralelo, pesquisa da Abrasel (2024) aponta que 67% dos restaurantes afirmam que as taxas das plataformas comprimem significativamente sua margem, e 29% relatam operar no limite ou no prejuízo nos pedidos via app.

Veja o cálculo concreto, com parâmetros médios de mercado, para um pedido de R$ 60:

  • CMV (35%): R$ 21
  • Embalagem delivery: R$ 4
  • Mão de obra proporcional: R$ 6
  • Overhead fixo proporcional: R$ 5
  • Custo total antes da comissão: R$ 36 — sobra bruta de R$ 24
Canal Comissão Sobra ao lojista Margem líquida
iFood Básico 12% + R$ 1 R$ 15,80 ~26%
iFood Entrega 27% R$ 7,80 ~13%
Rappi 25% R$ 9,00 ~15%
Canal próprio (WhatsApp + gateway) 0–3% R$ 22,20 ~37%
Trend SuperApp 0% R$ 24,00 ~40%

A leitura é direta: o mesmo pedido pode entregar margem de 13% ou 40%, dependendo do canal. Para um restaurante que faz 300 pedidos/mês, a diferença entre operar pelo plano Entrega iFood e por um canal sem comissão chega a aproximadamente R$ 4.860 por mês — ou cerca de R$ 58 mil por ano de margem que fica ou sai do seu caixa.

O movimento dos canais próprios

A reação dos lojistas já aparece nos dados. Pesquisa Sebrae + Abrasel (2024) mostra que 38% dos restaurantes com operação de delivery já usam ao menos um canal próprio — site, app ou, principalmente, WhatsApp Business, que é o canal direto de 71% desses negócios (Meta/Sebrae, 2024). Plataformas de cardápio digital e link direto cresceram entre 40% e 60% em base de clientes ao longo de 2023–2024.

O padrão que emerge é claro: o lojista mais sofisticado não abandona as plataformas — usa-as como canal de aquisição, aceitando a comissão alta como custo de marketing para alcançar clientes novos, e migra os pedidos recorrentes para canais próprios, onde a margem é dramaticamente maior. Essa bifurcação está separando dois perfis no mercado: quem domina a matemática do mix e quem permanece refém do repricing unilateral das plataformas dominantes.

Quando faz sentido ficar, diversificar ou migrar

Três cenários práticos para orientar a decisão:

  1. Você tem volume baixo e precisa de descoberta: plataforma faz sentido como vitrine. Negocie o plano básico (12%) e use a plataforma para captar — não para reter.
  2. Você tem clientes recorrentes que pedem sempre o mesmo: cada pedido recorrente que continua na plataforma é dinheiro deixado na mesa. Construa um caminho de migração via WhatsApp, cupom de desconto no canal próprio, programa de fidelidade.
  3. Você opera com margem comprimida e ticket médio baixo: o plano Entrega iFood (27%) provavelmente está consumindo seu lucro. Refaça o cálculo com seus números reais antes de qualquer decisão.

O que isso significa para o seu negócio

Três ações concretas para colocar em prática esta semana:

  • Calcule sua margem real por canal. Pegue um pedido médio, aplique a comissão de cada plataforma onde você opera e veja quanto sobra. Sem esse número, qualquer decisão é palpite.
  • Mapeie quanto do seu volume é recorrente. Clientes que pedem mais de duas vezes ao mês são candidatos naturais para migração para canais próprios — onde a margem dobra ou triplica.
  • Diversifique antes de precisar. O TCC do CADE protege seu direito de operar em múltiplos canais. Adicionar um segundo canal hoje, mesmo com volume pequeno, cria opção estratégica para quando a plataforma dominante reajustar comissões — e ela vai reajustar.

Conclusão

Taxas de delivery em 2025 não são um problema a ser resolvido — são uma variável a ser gerenciada. O lojista que entende isso opera com margem de 30% ou mais. O que não entende, opera com 13% e culpa o mercado. O Trend SuperApp existe para que você não precise escolher entre alcance e margem: 0% de comissão, repasse D0 e visibilidade real para sua loja.

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