Lei dos Entregadores 2026: quanto vai custar para o seu restaurante e o que fazer agora

A nova regulamentação das plataformas digitais começa a valer em 2026 e o repasse de custo já está sendo desenhado pelas grandes plataformas. Entenda em números o que isso significa para o caixa do seu restaurante e como se preparar agora.

O que muda em 2026, em números

A nova lei estabelece três obrigações principais para as plataformas: piso por hora trabalhada de R$ 32,09 (cerca de 1,5x o valor-hora do salário mínimo, hoje em R$ 21,39), contribuição patronal de 20% ao INSS e seguro contra acidente de trabalho. Somando piso e INSS, o custo mínimo por hora trabalhada para a plataforma sobe para aproximadamente R$ 38,50, segundo cálculo do UOL com base no texto da lei.

Traduzindo para a unidade que importa no seu caixa — o pedido — a conta fica mais clara. Análise do Poder360 e do BTG Pactual aponta que o custo adicional por entrega varia entre R$ 2,50 e R$ 5,00, a depender do tempo médio de espera do entregador e da distância percorrida. Com ticket médio de R$ 44,90 no delivery brasileiro (CNDL/SPC, 2024), isso representa um aumento de 5,5% a 11% no custo operacional de cada pedido.

Não é um número pequeno. O mercado brasileiro de delivery movimentou R$ 68 bilhões em 2024 (Abrasel) e deve chegar a R$ 80 bilhões em 2025 segundo projeção do Valor Econômico. Mesmo um repasse parcial a restaurantes parceiros desloca bilhões de reais de margem dentro do setor.

Quem já sinalizou repasse — e como

As três grandes plataformas estão em estágios diferentes de comunicação, mas o movimento é o mesmo: revisão de taxas em 2026.

  • iFood: maior plataforma do país com mais de 80 milhões de pedidos mensais e 350 mil restaurantes cadastrados (Exame, 2024), comunicou parceiros sobre possível revisão de taxas a partir de janeiro de 2026. Em nota, a empresa afirmou buscar equilíbrio para não onerar excessivamente os parceiros, mas analistas projetam aumento de 2 a 4 pontos percentuais nas comissões cobradas dos estabelecimentos (Blog do iFood / análise de mercado).
  • Rappi: indicou em comunicado interno que taxas de serviço podem ser revisadas no primeiro trimestre de 2026 (Exame).
  • Uber Eats: ainda não se pronunciou oficialmente sobre o repasse.

A leitura do BTG Pactual é direta: com margens já apertadas, as plataformas não têm como absorver sozinhas um custo que pode chegar a R$ 5 por entrega. O repasse de 60% a 80% se distribui entre dois bolsos — o do restaurante (via aumento de comissão e taxas de serviço) e o do consumidor (via taxa de entrega mais alta). E quando o consumidor paga mais frete, o pedido cai. O que devolve a conta para o lojista de outra forma: menos volume.

O que esse aumento significa na sua DRE

Vamos colocar números no seu negócio. Imagine um restaurante com 1.500 pedidos/mês em uma plataforma cobrando hoje 23% de comissão (cenário comum no mercado). Com ticket médio de R$ 50:

  • Faturamento bruto na plataforma: R$ 75.000/mês
  • Comissão atual (23%): R$ 17.250/mês
  • Cenário 2026 com +3 p.p. (26%): R$ 19.500/mês
  • Custo adicional: R$ 2.250/mês — ou R$ 27.000/ano

Esse valor sai direto da sua margem operacional. Para um restaurante com margem líquida típica do setor (entre 8% e 12%), R$ 27 mil podem representar de 25% a 40% do lucro anual gerado naquele canal. E isso considerando apenas o cenário conservador de 3 p.p. de aumento.

Some o efeito secundário — frete mais alto, ticket pressionado, queda de conversão — e fica claro por que a Abrasel recomenda que os restaurantes se preparem para aumento de custo operacional entre 5% e 12% em 2026.

O que isso significa para o seu negócio

Esperar para ver o tamanho do repasse em janeiro de 2026 é a pior estratégia possível. Quando o aumento entrar em vigor, sua margem já estará comprometida e suas opções de reação serão limitadas. Há três movimentos que dá para fazer ainda em 2025:

  1. Mapeie sua dependência por canal. Quanto do seu faturamento vem de cada plataforma? Se mais de 60% está concentrado em uma única, você está exposto demais ao repasse que essa plataforma decidir fazer. Diversificação não é luxo — é gestão de risco.
  2. Negocie agora, não em janeiro. Plataformas têm planos comerciais customizados para parceiros estratégicos. Em 2025, você ainda tem poder de negociação. Em 2026, com a lei já em vigor, a régua estará alta para todo mundo.
  3. Teste canais com estrutura de custo diferente. Marketplaces que operam com 0% de comissão e repasse D0 não têm exposição direta ao custo da nova lei na mesma proporção, porque a estrutura de receita é outra. Testar um canal alternativo agora — mesmo que com 10% ou 20% do volume — gera dado real para decidir o que fazer quando o repasse chegar.

Conclusão

A Lei dos Entregadores não é um problema do iFood. É um problema de toda a cadeia, e o lojista é o elo que historicamente absorve mais pressão de margem nas mudanças do setor. A diferença, desta vez, é que dá para ver o impacto chegando com meses de antecedência — e isso é uma vantagem rara. Use 2025 para mapear, negociar e diversificar. Em janeiro de 2026, a conta chega para todo mundo. Cadastre sua loja no Trend SuperApp e venda com 0% de comissão e repasse no mesmo dia. Proteja sua margem antes que a virada chegue.

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