Introdução
Você sabe quanto gastou com delivery no último mês? A maioria das pessoas não sabe — e quando descobre, leva um susto.
O mercado brasileiro de food delivery movimentou entre R$ 55 e R$ 60 bilhões em 2024, segundo a Statista e a Mordor Intelligence. São mais de 50 milhões de usuários ativos, uma taxa de crescimento de 13% ao ano e um hábito que, para muita gente, deixou de ser conveniência e virou rotina alimentar.
Mas rotina tem custo. E o custo do delivery no Brasil — quando você abre a planilha e soma os pedidos do mês — é maior do que parece na tela do celular. Mais do que isso: uma parcela significativa do que você paga não vai para o restaurante. Vai para a plataforma.
Este artigo coloca os números na mesa: quanto os brasileiros gastam por mês com delivery, como isso varia por idade, renda e região, e como esse gasto se compara com as alternativas — restaurante ou cozinha de casa.
Em média, R$ 180 a R$ 680 por mês — dependendo de quem você é
O gasto médio mensal com delivery no Brasil varia muito conforme o perfil do usuário. A faixa mais representativa entre os usuários regulares fica entre R$ 180 e R$ 320 por mês, o que equivale a dois a quatro pedidos mensais com ticket médio entre R$ 65 e R$ 85 — números consolidados por Statista e dados agregados de plataformas em 2024.
Mas essa média esconde extremos relevantes.
Por faixa etária, o comportamento é bastante distinto:
| Geração | Faixa etária | Pedidos/mês | Ticket médio | Gasto mensal estimado |
|---|---|---|---|---|
| Gen Z | 18–24 anos | 4–6 | R$ 45–55 | R$ 180–330 |
| Millennials | 25–40 anos | 5–8 | R$ 65–85 | R$ 325–680 |
| Gen X | 41–55 anos | 2–4 | R$ 70–90 | R$ 140–360 |
| Baby Boomers | 56+ anos | 1–2 | R$ 60–80 | R$ 60–160 |
Fontes: CNDL, Statista Consumer Survey Brazil, dados de plataformas (2023–2024).
Os millennials são o grupo de maior gasto absoluto — e também o mais fiel ao delivery: 74% fazem pelo menos um pedido por semana, segundo o CNDL. A Geração Z pede com mais frequência, mas gasta menos por pedido: prefere lanches, fast food e açaí a refeições completas.
Por renda familiar, o padrão é igualmente revelador:
| Renda mensal familiar | Usa delivery ≥1x/mês | Gasto mensal médio | % da renda |
|---|---|---|---|
| Até R$ 2.000 | 38% | R$ 80–130 | 4–6,5% |
| R$ 2.001–5.000 | 61% | R$ 150–280 | 3–5,6% |
| R$ 5.001–10.000 | 78% | R$ 300–520 | 3–5,2% |
| Acima de R$ 10.000 | 85% | R$ 500–900 | 2–5% |
Fontes: Statista, estimativas com base em POF-IBGE e CNDL (2023–2024).
O delivery cresceu em todas as faixas, mas o peso relativo no orçamento é maior para quem ganha menos. Para uma família com renda domiciliar de R$ 2.500, gastar R$ 200 por mês em delivery significa destinar quase 8% da renda líquida para pedidos — sem necessariamente comer melhor.
O custo que ninguém calcula: as taxas
Aqui está o dado que mais surpreende quando aparece escrito: taxa de entrega mais taxa de serviço das plataformas incumbentes representam entre R$ 8 e R$ 25 por pedido, dependendo da distância, horário e plataforma.
Em quatro pedidos mensais com taxa média de R$ 12, o consumidor gasta R$ 48 por mês só em encargos de plataforma — sem contar gorjeta ao entregador. Multiplicado por doze meses: quase R$ 580 por ano em taxas, sem nenhum alimento comprado.
Mas o custo invisível vai além da taxa de entrega. Os restaurantes cadastrados nas grandes plataformas pagam entre 25% e 30% de comissão sobre cada pedido. Boa parte desse custo é repassada ao consumidor na forma de preços mais altos no cardápio digital — o mesmo prato que custa R$ 28 no balcão pode aparecer a R$ 36 no app. Estima-se que o consumidor pague, em média, 15% a 25% a mais pelo mesmo item quando pede por plataformas de comissão elevada.
É por isso que iniciativas como o Trend SuperApp — que opera com 0% de comissão para o restaurante e repasse no mesmo dia — têm ganhado atenção: quando o lojista não paga comissão, ele tem mais margem para praticar preços mais próximos do balcão. Quem ganha, na ponta, é o consumidor.
Delivery, restaurante ou cozinhar em casa: a conta real
A pergunta que todo usuário de delivery deveria se fazer ao menos uma vez: comparado com o quê?
| Cenário | Custo médio por refeição | Custo mensal estimado* |
|---|---|---|
| Cozinhar em casa | R$ 8–15 | R$ 240–450 |
| Delivery (plataforma com comissão alta) | R$ 30–55 | R$ 360–660 |
| Delivery (plataforma com 0% de comissão) | R$ 25–45 | R$ 300–540 |
| Restaurante casual | R$ 35–65 | R$ 420–780 |
| Fast food / praça de alimentação | R$ 25–45 | R$ 300–540 |
Estimativa para 1 adulto, 2 refeições/dia fora ou via delivery, 22 dias úteis/mês. Fontes: IPCA alimentação fora do domicílio (IBGE), Abrasel e dados de ticket médio de plataformas (2024).
Cozinhar em casa continua sendo 40% a 60% mais barato que qualquer alternativa terceirizada — mas o custo "real" inclui tempo, gás, energia elétrica e desperdício de ingredientes, variáveis que raramente entram na conta mental do consumidor.
O delivery em plataformas tradicionais pode custar até 50% mais que o mesmo prato consumido no restaurante físico, pela soma de taxas, markup e embalagem. Nem sempre a conveniência vale esse preço — especialmente quando repetida quatro, cinco ou seis vezes por semana.
O delivery é desigual no mapa do Brasil
O consumo de delivery não é homogêneo geograficamente. São Paulo, Rio de Janeiro e os estados do Sul respondem por aproximadamente 60% do volume total de pedidos. Mas o crescimento mais acelerado está no Nordeste: Fortaleza, Recife e Salvador já estão entre as dez maiores cidades em volume de pedidos, e a penetração na região cresceu mais de 25% ao ano entre 2022 e 2024, segundo a Statista.
Isso tem uma implicação direta para o preço: em mercados com menos concorrência entre plataformas, as taxas tendem a ser mais altas e a oferta de restaurantes, menor. O consumidor do interior paga mais pela mesma conveniência — e tem menos opções para comparar.
A inflação no grupo "alimentação fora do domicílio" acumulou +38% entre 2020 e 2024, segundo o IPCA do IBGE. Isso significa que o delivery de hoje custa quase 40% a mais do que custava antes da pandemia — sem que a qualidade ou a velocidade de entrega tenham melhorado na mesma proporção.
O que isso significa para o seu bolso
Três contas práticas para fazer antes do próximo pedido:
1. Some o mês inteiro. Abra o histórico do app e some todos os pedidos dos últimos 30 dias — valor do pedido mais taxa de entrega mais taxa de serviço. O número costuma ser mais alto do que a memória registra.
2. Separe o que foi comida do que foi taxa. De tudo que você gastou, quanto foi para o restaurante de fato? Quanto foi para a plataforma? A diferença revela o custo real da conveniência.
3. Compare com a alternativa mais próxima. Para o seu perfil de uso — frequência, ticket e categoria de comida —, vale mais comer no restaurante, pedir delivery ou cozinhar? A resposta não é universal, mas o cálculo é simples e muda a perspectiva.
Conclusão
O delivery virou parte da vida de mais de 50 milhões de brasileiros — e não há razão para abrir mão da conveniência. Mas há razão para saber exatamente o que você está pagando e para quem esse dinheiro vai.
Em 2025, o consumidor mais inteligente não é o que para de pedir. É o que escolhe plataformas que cobram menos do restaurante — porque isso se reflete diretamente no preço do seu pedido.
Conheça o Trend SuperApp: restaurantes locais, sem comissões abusivas, com preços mais justos na tela do seu celular. O mesmo delivery — sem o custo escondido.
