Logística própria vs plataforma: o cálculo que define o lucro do seu delivery

A decisão entre manter sua logística ou terceirizar para plataformas não é operacional — é financeira. Veja a metodologia completa, com planilha modelo, para descobrir qual modelo realmente entrega lucro no seu volume de pedidos.

Introdução

Um restaurante com ticket médio de R$ 45,00 que paga 28% de comissão mais taxa logística pode estar transferindo até R$ 12,60 por pedido para a plataforma — antes de pagar ingredientes, mão de obra ou aluguel. Em um volume de 300 pedidos/mês, isso representa quase R$ 4.000 saindo do caixa.

A pergunta que poucos lojistas param para responder com calma é: esse valor seria suficiente para montar uma operação logística própria? E, se sim, a partir de qual volume isso passa a fazer sentido?

Este artigo apresenta a metodologia de cálculo que transforma essa dúvida em decisão objetiva. Você vai ver os números reais de cada modelo (plataforma com logística inclusa, entregador autônomo via app e frota CLT), o ponto de inflexão financeiro e uma planilha modelo para aplicar na sua operação ainda hoje.

O peso real das taxas logísticas no seu caixa

O setor de food service brasileiro opera com margem líquida média entre 5% e 12%, segundo a Abrasel. Nesse cenário, qualquer ponto percentual transferido para terceiros pesa.

Os números do mercado:

  • 73% dos restaurantes brasileiros operam em pelo menos uma plataforma de delivery (Abrasel, Pesquisa de Conjuntura 2023)
  • Plataformas líderes cobram entre 12% e 30% do valor do pedido em comissão + taxa logística (levantamentos de mercado, 2024)
  • A taxa logística isolada (modalidade "entrega pela plataforma") varia de R$ 5,50 a R$ 12,00 por pedido (tabelas públicas iFood/Rappi, 2024)
  • 68% dos restaurantes apontam as taxas como o principal fator de compressão de margem no delivery (Abrasel, Pesquisa Impacto Digital 2023)
  • Restaurantes que operam exclusivamente por plataformas chegam a comprometer 25% a 35% do faturamento bruto do canal em taxas (Sebrae, Guia de Delivery 2023)

A leitura que fica: o atalho da plataforma com logística inclusa é conveniente, mas tem preço fixo — e ele não negocia com o seu ticket médio.

Quanto custa, de fato, cada modelo logístico

Antes de ir para a planilha, é preciso ter em mãos os custos de referência de cada modelo no Brasil em 2024.

Plataforma com logística inclusa

  • Custo por entrega (ticket R$ 45): R$ 8,00 a R$ 14,00
  • Custo fixo mensal: zero (totalmente variável)
  • Volume mínimo viável: qualquer

Entregador autônomo via app (Mottu, Borzo, Lalamove)

  • Custo por entrega: R$ 6,00 a R$ 15,00, conforme cidade, distância e horário (Pesquisa Mottu/Loggi, 2023)
  • Custo fixo mensal: zero
  • Volume mínimo viável: a partir de 80 pedidos/mês

Frota própria CLT

  • Salário base motoboy em São Paulo: R$ 1.780 a R$ 2.200/mês (SINTEMOT-SP, 2024)
  • Custo real com encargos (FGTS, INSS patronal, férias, 13º, VT, VR): R$ 3.400 a R$ 4.800/mês — multiplicador médio de 1,7x a 2,2x sobre o salário (CNDL/Sebrae, 2023)
  • Manutenção da moto: R$ 350 a R$ 600/mês (Sindipeças, 2023)
  • Seguro: R$ 180 a R$ 450/mês (Porto Seguro/Tokio Marine, 2024)
  • Sistema de rastreio: R$ 89 a R$ 499/mês
  • Custo por entrega (com 500 pedidos/mês): R$ 3,50 a R$ 7,00

A diferença entre R$ 3,50 (CLT em volume) e R$ 12,00 (plataforma) por entrega é exatamente onde mora a margem perdida — ou recuperada.

O ponto de inflexão: a partir de quantos pedidos vale a pena?

Pesquisas do Sebrae com pequenos negócios de alimentação indicam que o ponto de viabilidade da logística própria aparece em duas faixas distintas, dependendo do regime contratual:

  • Entregador em regime de parceria (autônomo via app): breakeven entre 150 e 250 pedidos mensais, em raio de até 5 km
  • Frota própria CLT: breakeven a partir de 400 pedidos mensais, dado o peso dos encargos fixos

A variável que mais altera esse cálculo é a concentração geográfica dos pedidos. Estabelecimentos em zonas residenciais densas viabilizam logística própria mais cedo, porque o tempo de deslocamento por entrega cai e a capacidade do entregador aumenta — mais pedidos por hora significa menor custo unitário.

Um detalhe que muda o jogo: usar uma plataforma como o Trend SuperApp, que cobra 0% de comissão por pedido e oferece logística integrada, deixa o lojista livre para escolher o modelo que faz sentido para o seu volume — sem que a plataforma de captação consuma a margem que a logística própria está ajudando a recuperar.

Planilha-modelo: o cálculo que você pode aplicar hoje

Replique a estrutura abaixo em Excel ou Google Sheets para a sua operação:

BLOCO 1 — PLATAFORMA (logística inclusa)
━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━
Ticket médio do pedido:           R$ ______
(×) Taxa da plataforma (%):       ______%
(=) Custo de comissão/pedido:     R$ ______
(+) Taxa logística fixa/pedido:   R$ ______
(=) CUSTO TOTAL/PEDIDO:           R$ ______
(×) Volume mensal de pedidos:     ______
(=) DESEMBOLSO MENSAL TOTAL:      R$ ______

BLOCO 2 — ENTREGADOR AUTÔNOMO (via app)
━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━
Custo por entrega (app):          R$ ______
(×) Volume mensal de pedidos:     ______
(=) Custo variável total:         R$ ______
(+) Taxa de plataforma só captação: R$ ______
(=) DESEMBOLSO MENSAL TOTAL:      R$ ______

BLOCO 3 — FROTA PRÓPRIA CLT
━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━
Salário base motoboy:             R$ ______
(×) Fator encargos (1,85):        R$ ______
(=) Custo trabalhista real:       R$ ______
(+) Manutenção moto/mês:          R$ ______
(+) Seguro mensal:                R$ ______
(+) Combustível estimado/mês:     R$ ______
(+) Sistema de rastreio/mês:      R$ ______
(=) Custo fixo total/mês:         R$ ______
(÷) Volume mensal de pedidos:     ______
(=) CUSTO POR ENTREGA:            R$ ______

As variáveis que o cálculo simples deixa de fora

A planilha entrega os números diretos, mas três fatores costumam ser ignorados na conta — e mudam significativamente a equação:

1. Capital de giro retido. Plataformas tradicionais retêm o repasse por 14 a 30 dias em média. Um restaurante com R$ 50.000/mês em vendas via delivery pode ter R$ 25.000 a R$ 85.000 "presos" em trânsito ao longo do ano — dinheiro que poderia estar pagando fornecedores ou financiando o próprio capital de giro.

2. Cancelamentos e chargebacks. Em plataformas, a política de cancelamento tende a favorecer o consumidor, e o ônus recai sobre o estabelecimento. Com logística própria, o controle sobre a entrega reduz drasticamente disputas.

3. Acesso ao cliente. Usando a logística de plataformas, o lojista não recebe dados de contato do consumidor para campanhas de retenção. Cada pedido custa duas vezes: na taxa e no relacionamento que não é construído.

O que isso significa para o seu negócio

Três ações concretas que você pode tomar essa semana:

  1. Levante seus números reais dos últimos 3 meses: ticket médio, volume mensal, taxa efetiva paga (some comissão + logística + outras taxas) e raio médio de entrega. Sem esses dados, a decisão é palpite.
  2. Aplique a planilha-modelo com os três cenários. Compare desembolso mensal total — não só custo por entrega isolado.
  3. Considere modelos híbridos. A escolha não precisa ser binária. Muitos lojistas usam logística própria para o raio de até 4 km (onde a operação é eficiente) e plataforma para entregas distantes ou horários de pico.

Se o seu volume já passou da faixa de 200 pedidos/mês, há uma probabilidade alta de que o modelo atual esteja custando mais do que precisaria.

Conclusão

Logística não é despesa — é variável estratégica. A diferença entre R$ 3,50 e R$ 12,00 por entrega, multiplicada pelo seu volume mensal, é exatamente o tamanho da margem que você está deixando na mesa ou recuperando para o caixa.

Quer testar uma operação onde 100% do que você fatura volta para você, sem comissão por pedido? Cadastre sua loja no Trend SuperApp e venda com 0% de comissão e repasse no mesmo dia.

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