Delivery vs cozinhar em casa: o que sai mais barato no Brasil hoje

Cozinhar em casa parece mais econômico — até você somar gás, desperdício e tempo. Fizemos as contas para descobrir em que situações o delivery realmente compensa no Brasil de 2024.

Introdução

Você já abriu o aplicativo de delivery, viu o total da compra com taxa de entrega e pensou: "seria mais barato cozinhar". Em seguida, foi até a geladeira, calculou o que faltaria comprar, lembrou que o gás está acabando — e voltou ao app.

Essa dúvida tem fundamento econômico real. O ticket médio do delivery no Brasil em 2023 foi de R$ 68,00, segundo o relatório de impacto do iFood, enquanto a mesma refeição em casa custaria, na maioria dos casos, menos da metade. Mas essa conta esconde variáveis que quase ninguém calcula: gás de cozinha, desperdício alimentar, tempo de preparo e custo de oportunidade.

Neste artigo, fizemos a comparação completa com dados de 2024. O resultado é menos óbvio do que parece — e em alguns cenários específicos, o delivery realmente sai mais barato.

A conta que todo mundo faz (e está incompleta)

Em março de 2024, o UOL Economia publicou uma simulação comparando três pratos preparados em casa versus pedidos por aplicativo nas capitais brasileiras. Os números foram contundentes:

  • Frango com arroz e feijão (4 porções): R$ 28,50 em casa vs R$ 89,80 no delivery
  • Macarrão ao molho (4 porções): R$ 18,40 em casa vs R$ 62,00 no delivery
  • Hambúrguer artesanal (2 porções): R$ 24,00 em casa vs R$ 54,00 no delivery

Em valores absolutos de ingredientes, a cozinha doméstica vence com folga — o delivery custa de duas a três vezes mais. Mas, como o próprio estudo aponta, o cálculo "em casa" considerou apenas os ingredientes na quantidade exata da receita. Sem desperdício. Sem gás. Sem tempo.

E é aí que a conta muda.

Os custos invisíveis da cozinha doméstica

Gás de cozinha: R$ 2 a R$ 3,50 por refeição

O preço médio nacional do botijão P13 chegou a R$ 102,78 em setembro de 2024, segundo a ANP, com picos de R$ 130 no Acre. Uma família de quatro pessoas que cozinha duas refeições por dia consome um botijão a cada 30 a 45 dias — o que coloca o custo do gás entre R$ 2,00 e R$ 3,50 por refeição preparada.

Pode parecer pouco, mas em 30 refeições mensais isso representa entre R$ 60 e R$ 105 que raramente entram na conta de quem compara delivery e cozinha.

Desperdício: 17% da sua compra vai para o lixo

Aqui mora a variável mais subestimada. Segundo estudo da FGV/IBRE de 2022, famílias brasileiras desperdiçam em média 17% dos alimentos que compram. Em famílias de maior renda, o número sobe para 22%. O custo médio do desperdício alimentar por família chega a R$ 1.200 por ano.

Os campeões do lixo são previsíveis: hortaliças (34% de descarte), pão (21%) e frutas (18%), de acordo com a Nielsen IQ. Quando se incorpora esse desperdício ao cálculo, o custo real de cozinhar em casa sobe proporcionalmente — aquele frango com arroz e feijão de R$ 28,50 vira, na prática, R$ 33,30.

Tempo: o custo que ninguém precifica

O IBGE registrou, na PNAD Uso do Tempo de 2022, que brasileiros dedicam em média 1h17min por dia a atividades de preparo de alimentos e limpeza relacionada. Mulheres gastam 1h44min; homens, 42min.

Considerando o rendimento médio do trabalhador brasileiro em 2024 (R$ 3.109/mês, ou cerca de R$ 14,13/hora segundo a PNAD Contínua), 1h17min de cozinha por dia equivale a aproximadamente R$ 18,15 em custo de oportunidade diário. Não é dinheiro que sai do bolso — mas é tempo que poderia ser usado em trabalho remunerado, descanso ou família.

Quando o delivery realmente compensa

Somando ingredientes + gás + desperdício médio, uma refeição "caseira" de R$ 28,50 chega facilmente a R$ 36 ou R$ 38 reais — sem contar o tempo. Isso ainda é menos que o ticket médio do delivery (R$ 68), mas a vantagem encolhe em alguns cenários específicos:

1. Refeições para uma ou duas pessoas. O custo fixo do gás e o risco de desperdício são proporcionalmente maiores quando você cozinha pouco. Comprar meia cebola, um dente de alho e 200g de carne moída é praticamente impossível — sobra alimento que vira lixo.

2. Pratos com muitos ingredientes específicos. Quer fazer um curry tailandês? Vai precisar comprar pasta de curry, leite de coco, capim-limão e gengibre fresco. Para uma refeição, o investimento inicial em ingredientes raros raramente compensa.

3. Quando você usa o tempo para gerar renda. Se a hora extra trabalhada paga mais que a diferença entre delivery e cozinha caseira, a matemática inverte.

4. Promoções e cupons agressivos. A taxa de entrega média ponderada no Brasil é de R$ 6,80 (Proteste, 2024), mas frete grátis e descontos podem zerar a diferença em pratos específicos.

O fator escondido: comissões que inflam o preço final

Existe uma variável que afeta diretamente o preço que você paga no delivery e que poucos consumidores conhecem: a comissão das plataformas.

Segundo a Abrasel, 71% dos restaurantes brasileiros cobram preços mais altos no delivery do que no salão — em média 23% a mais, segundo dados do Sebrae de 2024. O motivo? As comissões das grandes plataformas chegam a 27% do valor do pedido, e o restaurante precisa repassar esse custo para não fechar no vermelho.

Na prática, aquele hambúrguer que custa R$ 35 no balcão pode aparecer por R$ 43 no app — e a diferença não vai para o lojista, vai para a comissão da plataforma. É por isso que aplicativos com modelos diferentes têm ganhado espaço. O Trend SuperApp, por exemplo, opera com 0% de comissão para restaurantes locais, o que permite que o lojista mantenha o preço do delivery próximo ao do balcão. Para o consumidor, isso se traduz em menos inflação de cardápio.

O que isso significa para o seu bolso

Se você quer tomar decisões mais inteligentes entre cozinhar e pedir, considere estas três regras práticas:

  1. Cozinhe em batelada. Preparar 4 ou 6 porções de uma vez dilui o custo do gás e do tempo, e o congelamento elimina o desperdício. É aqui que a cozinha caseira ganha por larga margem.

  2. Pesquise apps com menor markup. Plataformas que cobram menos comissão dos restaurantes geralmente têm preços mais próximos do balcão. Vale comparar o mesmo prato em dois apps diferentes antes de finalizar — a diferença pode chegar a 25%.

  3. Reserve o delivery para quando faz sentido. Refeições solo, dias de jornada longa, finais de semana ou pratos que exigiriam ingredientes que você não vai reaproveitar. Nessas situações, a conta real geralmente fecha a favor do app.

Conclusão

Cozinhar em casa continua sendo, na maioria dos cenários, mais barato que pedir delivery — mas a vantagem é menor do que a comparação ingênua sugere. Quando você soma gás, desperdício e tempo, e considera que muitos restaurantes inflam o cardápio digital para cobrir comissões abusivas, o delivery passa a fazer sentido em mais situações do que se imagina.

A escolha mais inteligente não é "sempre cozinhar" nem "sempre pedir": é saber em quais momentos cada opção compensa — e usar plataformas que não inflam artificialmente o preço final.

Quer pedir delivery sem pagar pela comissão abusiva embutida no cardápio? Conheça o Trend SuperApp — restaurantes locais com preços mais justos, porque o lojista paga 0% de comissão.

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