A conta que ninguém quer fazer
Você já parou para somar quanto, de verdade, sai do seu caixa por mês para a plataforma de delivery? Não a comissão isolada. O custo total: comissão, taxa de serviço, antecipação de recebíveis e o ajuste de preço que você fez no cardápio digital para "cobrir" a plataforma.
Se a resposta for "mais ou menos", você não está sozinho. Segundo a Abrasel, 67% dos restaurantes afirmam que as taxas das plataformas impactam negativamente sua lucratividade — mas a maioria não tem o número exato na ponta da caneta.
Esse artigo é a calculadora que faltava. Vamos comparar, com dados reais e simulação mês a mês, o que significa operar com 27% de comissão versus operar com 0%. E o resultado costuma surpreender mesmo quem achava que tinha tudo sob controle.
O cardápio de taxas das plataformas tradicionais
Antes de simular, vale colocar os números na mesa. As principais plataformas de delivery no Brasil cobram, em 2024:
- iFood: entre 12% e 27% de comissão, dependendo do plano. O Básico (sem entrega) fica em 27%; o Entrega+Plano em 12%, mas com taxa de entrega à parte. Pode haver ainda taxa de registro mensal (Neemo, 2024).
- Rappi: entre 20% e 30% de comissão sobre o valor do pedido (Food Service News, 2024).
- Uber Eats: encerrou operações com restaurantes no Brasil em 2023.
Some a isso o prazo de repasse. O iFood paga em D+30 — ou seja, você só recebe 30 dias depois do pedido. Para antecipar, paga taxa adicional de 2% a 4% ao mês (Comunidade iFood; Contabilidade.com, 2024). Esse custo invisível raramente entra na conta do lojista.
E mais: a Abrasel aponta que muitos restaurantes inflam preços em 20% a 30% no cardápio digital para cobrir a comissão — uma manobra que protege a margem, mas reduz a competitividade e afasta o cliente sensível a preço.
A simulação: R$ 30 mil de faturamento mensal em delivery
Vamos a um caso concreto. Restaurante de porte médio, faturamento de R$ 30.000/mês em delivery, ticket médio de R$ 50, cerca de 600 pedidos no mês.
Cenário 1 — iFood plano Básico (27% de comissão)
| Item | Valor mensal |
|---|---|
| Comissão (27% de R$ 30.000) | – R$ 8.100 |
| Antecipação de recebíveis (3% sobre o que sobra) | – R$ 657 |
| Custo total da plataforma | – R$ 8.757 |
| % real do faturamento | 29,2% |
Cenário 2 — iFood plano Entrega+Plano (12% + taxa de entrega)
| Item | Valor mensal |
|---|---|
| Comissão (12% de R$ 30.000) | – R$ 3.600 |
| Taxa de registro/plano | – R$ 100 |
| Taxa de entrega estimada (R$ 4 × 600 pedidos, parcial) | – R$ 1.200 |
| Custo total da plataforma | – R$ 4.900 |
| % real do faturamento | 16,3% |
Cenário 3 — Plataforma com 0% de comissão e repasse D0
| Item | Valor mensal |
|---|---|
| Comissão | R$ 0 |
| Antecipação de recebíveis | R$ 0 (recebe no mesmo dia) |
| Custo total da plataforma | R$ 0 (ou mensalidade fixa) |
| % real do faturamento | 0% a 3% |
A diferença entre o Cenário 1 e o Cenário 3 é de aproximadamente R$ 8.700 por mês — ou R$ 104 mil por ano. Para um restaurante cuja margem líquida típica é de 8% a 12% (Instituto Foodservice, 2024), esse valor não é detalhe: é o que separa um negócio rentável de um que opera no limite.
Por que o repasse D0 é tão importante quanto a comissão
A maioria dos lojistas foca só no percentual de comissão e ignora o prazo de pagamento. Esse é um erro caro.
Receber em D+30 (30 dias depois) significa que você está financiando a plataforma com seu próprio capital. Para um restaurante que fatura R$ 30 mil em delivery, isso representa uma necessidade de capital de giro permanente de cerca de R$ 15 mil só para cobrir o intervalo (Contabilidade.com, 2024).
Quem não tem esse caixa, recorre à antecipação — e paga 2% a 4% ao mês para receber o que já é seu. Em 12 meses, são mais 24% a 48% de juros sobre o capital antecipado.
Plataformas como o Trend SuperApp operam com repasse D0 (no mesmo dia) e 0% de comissão por pedido — duas variáveis que, juntas, mudam radicalmente a estrutura de caixa de uma operação de delivery. Para dark kitchens, onde 100% do faturamento vem de plataformas digitais (Food Service News, 2024), essa diferença é ainda mais determinante.
O cálculo que o Sebrae recomenda
O Sebrae tem uma régua simples: o custo total com plataformas de delivery não deve ultrapassar 15% do faturamento. Acima disso, ou você sobe preços (e perde competitividade), ou comprime outras margens (e desestabiliza o negócio).
Aplicando essa régua aos cenários:
- iFood Básico (29,2%): quase o dobro do limite recomendado.
- iFood Entrega+Plano (16,3%): ligeiramente acima do limite.
- Plataforma 0% comissão (0% a 3%): dentro de qualquer margem saudável.
Isso explica por que a Abrasel registra um movimento crescente de migração entre seus associados — e por que startups com modelos alternativos cresceram em 2024 (Valor Econômico, 2024).
O que isso significa para o seu negócio
Antes de decidir em qual plataforma estar (ou se vale a pena estar em mais de uma), faça três cálculos:
- Custo real: comissão + taxas + antecipação + ajuste de preço no cardápio. Some tudo e divida pelo faturamento. Se passar de 15%, você está no vermelho silencioso.
- Impacto do prazo de repasse: calcule de quanto capital de giro você precisa para cobrir o intervalo D+30. Esse é o "custo escondido" da plataforma.
- Cenário comparativo: simule o mesmo faturamento em uma plataforma com 0% de comissão. A diferença anual costuma pagar uma reforma, um equipamento novo ou a expansão para uma segunda unidade.
Diversificar canais também é estratégia de sobrevivência. Não amarre 100% do seu delivery em uma única plataforma — especialmente uma que detém 82% do market share e tem poder unilateral sobre as regras (Mobile Time, 2024).
Faça a conta antes que ela faça você
Operar delivery hoje é, antes de tudo, uma decisão financeira. A plataforma certa não é a maior, nem a mais conhecida — é a que cabe na sua margem. Se sua comissão atual está consumindo mais de 15% do faturamento, é hora de revisar.
Quer testar uma plataforma com 0% de comissão por pedido e repasse no mesmo dia? Cadastre sua loja no Trend SuperApp e venda sem que a plataforma fique com a maior parte do seu lucro.
