iFood vs Rappi em 2026: quem está ganhando a guerra do delivery (e o que muda para o seu restaurante)

Enquanto o iFood comemora seu primeiro lucro e a Rappi ainda queima caixa para crescer, quem paga a conta da guerra é o lojista. Entenda o cenário de 2026 e onde vale concentrar esforço.

O placar de 2026: iFood domina, Rappi resiste

Os números falam por si. Segundo dados divulgados pelo grupo Prosus e reportados pelo Brazil Journal em 2025, o iFood processa mais de 80 milhões de pedidos mensais no Brasil, opera em mais de 1.700 cidades e tem cerca de 350 mil restaurantes parceiros. A receita cresceu aproximadamente 30% no último ano fiscal, e a companhia atingiu lucro operacional pela primeira vez. Segundo reportagem da Veja de 2025, o iFood detém cerca de 80% do mercado brasileiro de delivery de comida.

A Rappi, por sua vez, joga outro jogo. De acordo com o Brazil Journal (2025), a operação brasileira ainda opera no vermelho e depende de aportes do SoftBank para se manter. Cresceu 25% em volume de pedidos em 2024 versus 2023, mas parte de uma base muito menor. A estratégia da colombiana passa por diversificação — RappiBank, entretenimento, delivery em cidades médias — em vez de disputar frente a frente com o iFood nas grandes praças.

O mercado como um todo continua expandindo. Segundo a Statista (2023), o delivery brasileiro movimenta cerca de US$ 8,5 bilhões e deve chegar a US$ 12 bilhões até 2027. A Euromonitor projeta que o setor atinja R$ 60 bilhões no país até 2027. Ou seja: o bolo cresce, mas quem está pegando a fatia grande é um só.

O que a lucratividade do iFood significa para o seu caixa

Aqui é onde a coisa fica interessante — e desconfortável. Uma plataforma que passa anos operando no prejuízo tem incentivo para subsidiar o lojista: comissões menores, adesão gratuita, cashback, patrocínio de frete. Uma plataforma lucrativa, não. Ela precisa manter e ampliar a margem para justificar o resultado ao controlador (no caso, a Prosus, listada em bolsa na Europa).

Na prática, isso já se traduz em três movimentos:

1. Comissões estáveis no teto. Segundo o Portal Insights (2025) e pesquisa da Abrasel citada em 2024, o iFood cobra entre 12% e 30% por pedido, com a maioria dos restaurantes pagando entre 20% e 30% quando somamos comissão de venda, taxa de entrega e adicionais. A Rappi opera em faixa parecida — 15% a 30%, segundo o mesmo Portal Insights — e chega a oferecer condições melhores em cidades estratégicas onde o iFood domina. Mas condição melhor da Rappi só resolve se a Rappi tiver base de clientes onde você está.

2. Migração do orgânico para o pago. Segundo análise publicada pelo Negócios de Gastronomia (2024), restaurantes que não investem em iFood Ads têm visto queda progressiva na visibilidade orgânica dentro do app. É o mesmo caminho percorrido pelo Facebook com páginas de empresa há uma década: primeiro se constrói a audiência com alcance orgânico gratuito, depois se cobra para acessar essa audiência. O iFood Ads começa em R$ 5 por dia para patrocínio de listagem, mas o custo real para competir em categorias disputadas é bem maior.

3. Consolidação de dependência. Com 80% do mercado, o iFood passa a ser canal quase obrigatório. Segundo a Abrasel, muitos restaurantes já relatam que o app representa mais de 40% do faturamento total — e uma parte relevante da margem sai antes mesmo do produto sair da cozinha.

Rappi: alternativa real ou aposta de nicho?

Vale a pena investir esforço na Rappi em 2026? A resposta depende de três variáveis: onde sua loja opera, qual seu ticket médio e quanto você depende de descoberta.

Em capitais e cidades onde a Rappi mantém base ativa (São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Brasília e algumas capitais do Norte/Nordeste), pode fazer sentido como canal complementar — especialmente se você conseguir negociar comissão abaixo do teto padrão. A Rappi, por precisar de restaurantes para justificar sua operação, ainda tem margem para negociar. Fora do eixo das grandes cidades, o retorno costuma ser marginal.

O ponto crítico é: mesmo somando iFood e Rappi, sua loja está entregando 20% a 30% da receita de cada pedido para intermediários. E dependendo de anúncios pagos para ser encontrada. E esperando 14 a 30 dias para receber. Essa é a matemática que define a rentabilidade real do delivery em 2026 — e ela não melhora, ela piora.

O que isso significa para o seu negócio

Três coisas ficam claras olhando o cenário de 2026:

  • Reduza dependência de canal único. Diversifique presença: iFood pelo volume, Rappi como complemento onde faz sentido, e — principalmente — canais próprios ou marketplaces com condições melhores. Ter um pedido direto vale o dobro de um pedido de app grande, porque a margem é integral.
  • Trate anúncio como custo fixo, não como investimento marginal. Se você depende do iFood, considere o iFood Ads parte do custo de aquisição — não uma opção. Meça CPA (custo por pedido) e recorrência do cliente adquirido.
  • Reavalie seu ponto de equilíbrio. Com comissão de 25% e repasse D+14 ou D+30, muitos negócios estão operando com margem negativa sem perceber. Refaça a conta com números reais dos últimos três meses.

Conclusão

A guerra do delivery em 2026 já tem vencedor no placar de mercado — mas o resultado importa menos do que a pergunta que fica para o lojista: quanto da sua receita você aceita continuar entregando para participar do jogo? Existem alternativas ganhando tração no Brasil, com modelos de 0% de comissão, repasse no mesmo dia e logística integrada. Vale conhecer antes de renovar contrato.

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