Por que 2026 não é 2019
O fracasso do Amazon Restaurants em 2019 teve uma causa central: infraestrutura. A Amazon tentou usar sua malha de e-commerce — projetada para entregas em 24 horas — para resolver um problema que exige janelas de 30 a 45 minutos, manutenção de temperatura e densidade de entregadores por bairro. O iFood, naquele momento, já tinha rede própria de entregadores estruturada e custo por entrega estruturalmente menor. A Amazon não tinha como competir no custo unitário.
O cenário de 2025/2026 é diferente por três motivos mensuráveis. Primeiro, a Amazon consolidou 11 centros de distribuição no Brasil (São Paulo, Rio, Minas, Paraná, Santa Catarina e Pernambuco), com capacidade de entrega em 4 horas nas capitais. Segundo, o Amazon Fresh — que faturou US$ 23,5 bilhões globalmente em 2023 — já operou em fase beta em bairros selecionados de São Paulo desde 2023, criando playbook local para perecíveis. Terceiro, e mais importante: a base Prime brasileira atingiu uma escala que torna o cross-sell viável sem necessidade de queimar caixa para adquirir usuários do zero.
O peso real da comissão no seu balanço
Antes de se animar (ou se assustar) com a chegada da Amazon, é preciso olhar para o número que de fato decide se você fica ou sai de uma plataforma: a comissão.
Segundo a Abrasel, em parceria com o Sebrae, a comissão média cobrada por plataformas de delivery no Brasil em 2023 ficou entre 23% e 30% por pedido, variando conforme o plano de visibilidade contratado. E mais: uma pesquisa da própria Abrasel mostrou que 41% dos restaurantes que operam em plataformas de delivery relataram margem líquida nula ou negativa nos pedidos digitais. Ou seja: quase metade dos lojistas paga para trabalhar.
Faça a conta no seu negócio. Um restaurante com ticket médio de R$ 45 e 200 pedidos/mês via plataforma fatura R$ 9.000 brutos. Pagando 30% de comissão, são R$ 2.700/mês — ou R$ 32.400 por ano — que saem do caixa antes de qualquer custo de insumo, embalagem, gás ou folha. É esse dinheiro que define se você consegue contratar mais um atendente, abrir mais um turno ou simplesmente fechar o mês no azul.
Amazon como concorrente do iFood: oportunidade ou mais uma taxa?
O iFood detém hoje 83% do market share de delivery de alimentos no Brasil, segundo a Statista (2024), com mais de 300 mil restaurantes parceiros ativos e mais de 1 bilhão de pedidos processados em 2023. Essa concentração já chamou atenção do Cade, que abriu investigação em 2023 sobre práticas de exclusividade e precificação junto a restaurantes.
A entrada da Amazon pode mudar essa equação de duas formas. A primeira é estrutural: um segundo player com infraestrutura comparável força o líder a rever margens, planos e contratos de exclusividade. A segunda é regulatória: o debate antitruste no Cade ganha tração quando há alternativa real no mercado.
O risco para você é simples de enxergar: se a Amazon entrar replicando o modelo de comissão das plataformas dominantes — 25% ou 30% por pedido — você só ganha mais uma janela de venda. Não ganha margem. Troca um aluguel caro por dois aluguéis caros. A oportunidade só existe se a Amazon entrar com modelo diferenciado (subsídio via Prime, comissão reduzida, frete bancado) ou se você usar o momento para diversificar canal e reduzir dependência do líder atual.
Comparativo: Brasil x mundo
| Indicador | Brasil (2024) | Referência global |
|---|---|---|
| Market share do líder | iFood: 83% | DoorDash (EUA): 67% |
| Comissão média de plataformas | 23–30% | EUA: 15–30% |
| Crescimento do mercado 2023–24 | +14% GMV | Global: +12% |
| Restaurantes ativos em plataformas | +500 mil | EUA: ~900 mil |
O Brasil tem hoje a maior concentração de mercado entre as grandes economias de delivery. Isso significa que o lojista brasileiro tem menos poder de barganha que um concorrente americano ou europeu equivalente. Qualquer movimento que aumente a competição no mercado tende a beneficiar quem está na ponta — desde que o lojista esteja posicionado para aproveitar.
O que isso significa para o seu negócio
Três ações concretas que você pode tomar agora, antes da Amazon entrar oficialmente:
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Calcule sua dependência do iFood. Se mais de 60% do seu faturamento digital vem de uma única plataforma, você está em posição de fragilidade. Qualquer mudança contratual unilateral (aumento de comissão, mudança de plano, fim de promoção) impacta seu caixa diretamente.
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Mapeie canais alternativos com economia diferente. Canais próprios (cardápio digital, WhatsApp, marketplaces sem comissão) precisam representar pelo menos 20–30% das suas vendas digitais. Não para substituir o iFood — para te dar poder de negociação quando o contrato vier para revisão.
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Não espere a Amazon para diversificar. Quando ela entrar, o custo de adquirir cliente em qualquer canal vai subir (briga publicitária). Quem já tem base própria de clientes recorrentes entra na nova fase com vantagem.
A pergunta que importa
A entrada da Amazon no delivery brasileiro é boa notícia para o setor — mais competição quase sempre é. Mas o debate sobre "qual plataforma tem mais usuários" não resolve o seu problema de margem. O que resolve é ter pelo menos um canal de venda que não cobra 30% para você existir.
O Trend SuperApp foi construído exatamente para esse papel: 0% de comissão por pedido, repasse D0 (você recebe no mesmo dia) e uma base de centenas de milhares de clientes ativos buscando opções locais. Não é para substituir o iFood. É para garantir que, quando a Amazon chegar e o jogo das comissões esquentar, sua loja já tenha um canal que trabalha a favor do seu caixa — não contra ele.
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