A nova tabela escalonada: quem paga quanto
A redução não é geral. O iFood criou uma estrutura de três faixas baseada no faturamento anual de cada loja dentro da plataforma:
- Até R$ 120 mil/ano (R$ 10 mil/mês): comissão de 12%
- Entre R$ 120 mil e R$ 240 mil/ano (R$ 10 mil a R$ 20 mil/mês): comissão de 19%
- Acima de R$ 240 mil/ano: comissão permanece em 27%
Além do teto de faturamento, há outros dois filtros para a faixa mínima: o restaurante precisa ter no máximo 20 funcionários e estar enquadrado como Microempresa (ME) ou Microempreendedor Individual (MEI). Segundo o iFood, a medida deve beneficiar mais de 100 mil estabelecimentos — um número expressivo, mas que representa uma fatia menor do total de lojistas ativos na plataforma, que detém 85% do mercado de delivery no Brasil segundo a própria Abrasel.
Vale registrar uma armadilha narrativa: a comparação "de 27% para 12%" parte do plano mais completo (Entrega Max), que inclui logística da plataforma. Lojistas que já estão em planos mais baratos, como o Básico (que tem comissão menor e logística própria), podem não ver redução nenhuma. O próprio iFood admitiu ao g1 que "ainda está definindo como serão os critérios para estabelecer quem se enquadra na nova regra".
Quanto isso significa no seu caixa, na prática
Vamos sair da abstração e ir aos números. Um restaurante que fatura R$ 10 mil por mês no iFood — o teto da faixa mínima — está hoje pagando, no plano completo, R$ 2.700 de comissão mensal. Com a nova taxa de 12%, esse valor cai para R$ 1.200. Sobra R$ 1.500 a mais por mês no caixa do lojista. Em um ano, são R$ 18 mil — o equivalente, para muitos negócios, ao 13º de toda a equipe, à reforma da cozinha ou ao capital de giro que falta para atravessar uma sazonalidade ruim.
Para quem está na faixa intermediária (faturando, digamos, R$ 15 mil/mês), a economia é menor mas ainda relevante: a comissão sai de R$ 4.050 para R$ 2.850, devolvendo R$ 1.200 mensais. Já o restaurante que fatura R$ 25 mil/mês na plataforma continua pagando os mesmos R$ 6.750 de antes — não muda nada.
O que esses números não mostram, porém, são as taxas de entrega, taxas de serviço e cobranças adicionais que continuam existindo paralelamente à comissão. O recibo final do lojista no fim do mês é uma soma de várias linhas, e historicamente foi nessa fragmentação que o setor encontrou margem para crescer enquanto reduzia o "número de manchete".
Por que agora? Abrasel, Congresso e DoorDash
A redução não nasceu de uma epifania corporativa. Ela é resposta a três pressões simultâneas que se acumularam ao longo de 2025.
A primeira veio da Abrasel, que em maio enviou carta formal ao presidente do iFood pedindo redução de comissões para 10% — patamar que a associação considera justo. Junto com o pedido, veio o aviso: se a redução não viesse, a entidade apoiaria projetos de lei em tramitação.
A segunda pressão veio do Congresso. Em abril, a Câmara dos Deputados aprovou projeto que limita em 15% as comissões cobradas por aplicativos de delivery. A regulamentação ainda precisa passar pelo Senado, mas o sinal de que o setor pode ser regulado por lei mudou o cálculo de risco da empresa.
A terceira — e talvez decisiva — foi a confirmação da entrada da DoorDash no Brasil em 2025. A gigante americana, que tem 67% do mercado nos EUA, anunciou taxas entre 15% e 30% para restaurantes brasileiros. Em um mercado onde o iFood reinava sem concorrente à altura, a chegada de um player com bolso fundo e expertise comprovada força revisão de prática que se sustentava apenas pela ausência de alternativa. Como resumiu o Poder360: "A americana DoorDash anunciou entrada no Brasil. Dias depois, o iFood anunciou redução de comissões."
O que isso significa para o seu negócio
Se você se enquadra na faixa de R$ 120 mil anuais e está no plano completo, a notícia é boa — e você deve sentir o efeito a partir de julho. Mas há três movimentos práticos que valem ser feitos agora, antes da mudança entrar em vigor:
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Revise seu plano atual no iFood. A redução vale para o plano de comissão de 27%. Se você já está em plano com comissão menor, o impacto pode ser zero — e nesse caso, fazer as contas para decidir se vale ou não migrar.
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Faça o cálculo do faturamento real na plataforma. Restaurantes que estão próximos do teto de R$ 120 mil/ano podem ter incentivo para diversificar canais e não ultrapassar o limite — preservando a alíquota menor.
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Não dependa de uma plataforma só. A própria existência dessa redução prova que mercados concentrados em um único player produzem condições piores para o lojista. Diversificar canais (site próprio, WhatsApp, outras plataformas) é proteção estratégica, não infidelidade.
A lição que fica
A mudança do iFood é uma vitória do setor — mas é também a confirmação de que o lojista só ganha quando há concorrência real e voz organizada. Por anos, a comissão de 27% foi tratada como inevitável. Bastou um concorrente do tamanho da DoorDash bater à porta para que ela caísse pela metade.
No Trend SuperApp, esse não é um cálculo que precisa ser refeito a cada anúncio: a comissão é 0% desde o primeiro pedido, com repasse em D0 e logística integrada. Sem faixas, sem condições, sem letras miúdas. Cadastre sua loja agora e venda sem comissão a partir do próximo pedido.
