Comissão iFood 2026: qual dos 3 planos vale mais para o seu restaurante?

Os novos planos do iFood entram em vigor em julho e prometem mais escolha ao restaurante. Mas o que ninguém fez ainda foi calcular, em números, qual plano realmente paga a conta no fim do mês. Fizemos a conta.

O que muda em cada plano, na prática

Os três novos planos do iFood (Tecnoblog, 2025; Consumidor Moderno, 2025) funcionam assim:

  • Plano Básico — 12% de comissão: presença na plataforma sem destaque. O restaurante aparece nas buscas orgânicas, sem acesso a ferramentas de marketing avançadas ou posicionamento patrocinado.
  • Plano Intermediário — 17% de comissão: visibilidade moderada, acesso a cupons, promoções dirigidas e relatórios básicos de desempenho.
  • Plano Avançado — 23% de comissão: posicionamento destacado nas buscas, acesso a campanhas patrocinadas, programa de fidelidade do iFood e suporte dedicado. É o plano mais próximo do modelo anterior, em que muitos contratos cobravam de 27% a 30% (G1, 2024).

A leitura oficial é de que houve redução de carga. A leitura do lojista é outra: para manter a visibilidade que já tinha, é preciso continuar no plano mais caro. E para quem migrar para o plano de 12%, o iFood não garante, em números, quanto a visibilidade orgânica cai.

A conta que ninguém fez: ponto de equilíbrio entre comissão e pedidos

Vamos colocar isso em números reais. Considere um restaurante médio brasileiro com ticket médio de R$ 50 (Portal Insights, 2024) e 100 pedidos por mês via iFood. A margem líquida média no setor fica entre 5% e 10% para operações de delivery (Abrasel, 2024), com CMV típico de 30% a 35% (Goomer, 2024).

Cenário 1 — Plano Básico (12%):

  • Faturamento bruto no app: R$ 5.000
  • Comissão paga: R$ 600
  • Receita líquida da plataforma: R$ 4.400

Cenário 2 — Plano Intermediário (17%):

  • Mesmo faturamento de R$ 5.000
  • Comissão paga: R$ 850
  • Receita líquida: R$ 4.150
  • Para empatar com o plano básico, o restaurante precisa gerar R$ 5.250 em vendas — ou seja, 5% a mais de pedidos.

Cenário 3 — Plano Avançado (23%):

  • Faturamento de R$ 5.000
  • Comissão paga: R$ 1.150
  • Receita líquida: R$ 3.850
  • Para empatar com o plano básico, o restaurante precisa gerar R$ 5.714 — ou seja, 14% a mais de pedidos.

Em outras palavras: o plano de 23% só vale a pena se ele entregar pelo menos 14% mais pedidos do que o de 12%. Se entregar menos, você está pagando comissão para perder dinheiro. E o iFood não garante esse ganho contratualmente.

O risco silencioso do plano básico

O cálculo acima sugere que o plano de 12% é o mais óbvio. Mas há uma armadilha. Restaurantes que migram para o básico relatam queda perceptível em pedidos quando deixam de aparecer em destaque ou de oferecer cupons (Notícias de Mercado, 2025). Se essa queda for de mais de 20%, o ganho na comissão evapora.

A operação fica refém de uma matemática que o lojista não controla. Você paga menos por pedido, mas perde tantos pedidos que o faturamento total cai. E como o delivery representa entre 35% e 60% do faturamento de restaurantes urbanos (Abrasel, 2024), a queda contamina o resultado do mês inteiro.

Os planos do iFood não são, portanto, "três opções de comissão". São três configurações de risco. O lojista escolhe entre previsibilidade de custo (básico, com risco de queda de receita) ou previsibilidade de visibilidade (avançado, com custo alto garantido).

Como o Brasil se compara com o resto do mundo

Para dimensionar a discussão: globalmente, plataformas de delivery cobram em média 20% a 30% de comissão (Statista, 2024). DoorDash, nos EUA, cobra entre 15% e 30%. Uber Eats opera na mesma faixa. Na Europa, Just Eat varia de 14% a 20% no Reino Unido (Hospitality Insights, 2024).

A faixa brasileira de 12% a 23% parece, no papel, mais favorável. Mas três fatores tornam o impacto maior por aqui:

  1. Dependência de plataforma: com 73% de market share, o iFood não é uma opção entre várias — é, na prática, o canal principal de grande parte dos restaurantes.
  2. Margens apertadas: a margem líquida média de 5% a 10% no setor (Abrasel) significa que cada ponto percentual de comissão pesa diretamente sobre o lucro.
  3. Repasse longo: o ciclo financeiro padrão das grandes plataformas brasileiras é semanal ou quinzenal, o que pressiona o capital de giro de quem opera com fluxo de caixa apertado.

O que isso significa para o seu negócio

Antes de escolher um plano, faça três contas:

  1. Calcule seu break-even de pedidos. Quantos pedidos a mais o plano de 17% ou 23% precisa entregar para compensar a comissão extra? Se você não tiver histórico para estimar, comece pelo plano básico e meça por 60 dias.
  2. Avalie sua dependência da plataforma. Se o iFood é mais de 60% do seu faturamento, você está em posição frágil para negociar qualquer comissão. Diversificar canais (canal próprio, marketplaces alternativos, telefone) não é luxo — é proteção.
  3. Considere o custo total, não só a comissão. Inclua taxas de serviço, prazo de repasse e impacto no capital de giro. Uma comissão menor com repasse em 14 dias pode ser pior que uma comissão maior com repasse em 1 dia.

Conclusão

A mudança do iFood obriga o lojista a tomar uma decisão estratégica que antes era automática. E a conta, no fim, é a mesma de sempre: quanto da sua margem você está disposto a ceder em troca de visibilidade que ninguém te garante?

Existem alternativas. O Trend SuperApp opera com 0% de comissão e repasse no mesmo dia (D0) — o lojista recebe o valor integral do pedido sem esperar fechamento de semana. Se você está revendo seus canais por causa das mudanças no iFood, vale conhecer um modelo em que a conta da comissão simplesmente não existe.

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