iFood cresceu 40% em 2024 e faturou R$ 70 bi: e o seu restaurante?

Enquanto o iFood cresceu 40% em 2024, o setor de bares e restaurantes avançou só 10,7%. A conta não fecha — e o motivo está nas comissões. Veja o que fazer.

O que os R$ 70 bilhões realmente significam

O GMV (Gross Merchandise Value) é o valor total movimentado pela plataforma — tudo o que o consumidor pagou, incluindo o prato, a taxa de entrega e a gorjeta. Não é receita do iFood. É o tamanho do canal que passa pelo iFood.

Dentro desses R$ 70 bilhões está, em boa parte, o faturamento dos 300 mil restaurantes parceiros. E é aí que a matemática começa a ficar interessante. Segundo dados publicados pela Abrasel em pedido de regulação ao Congresso, as comissões praticadas pelas plataformas variam entre 20% e 30% por pedido. No iFood, os planos para restaurantes vão de 12% (Basic) a 27% (Premium), sem contar taxas adicionais de processamento e entrega.

Em números práticos: um restaurante com ticket médio de R$ 65 e 100 pedidos por dia movimenta R$ 6.500 diários. Com comissão de 27%, são R$ 1.755 por dia que ficam na plataforma — quase R$ 53 mil por mês. É dinheiro que sai do caixa antes de pagar funcionário, fornecedor ou aluguel.

A concentração que pressiona a margem

O Brasil é hoje um dos mercados de delivery mais concentrados do mundo. Segundo dados do CADE, o iFood detém entre 78% e 82% das transações de delivery online no país. Rappi tem 10-12%, e o restante se divide entre apps menores e regionais. Para comparação: nos Estados Unidos, DoorDash, Uber Eats e Grubhub dividem o mercado em proporções mais equilibradas, com o líder detendo cerca de 60%.

A saída do Uber Eats do segmento de comida no Brasil em 2023 reforçou esse cenário. Para o lojista, menos concorrência entre plataformas significa menos poder de negociação. E quando 80% dos pedidos online passam por um único canal, esse canal define as regras: comissão, posicionamento na busca, prazo de repasse e participação obrigatória em promoções.

O resultado aparece na ponta. Segundo nota técnica do SEBRAE, a margem líquida de um restaurante no delivery fica entre 4% e 9% — e em planos com comissão de 27%, pode cair para 2-8%. Para efeito de comparação, a margem média do salão costuma ser de 8-15%. Em outras palavras: o delivery cresce em volume, mas pode estar diluindo o lucro do seu restaurante.

Por que o seu crescimento não acompanhou o do iFood

Se o canal cresceu 40% e o seu restaurante não cresceu na mesma proporção dentro dele, três fatores costumam explicar:

1. Mais concorrentes na mesma plataforma. Em um ano, o iFood adicionou milhares de novos parceiros. Mais oferta no mesmo espaço significa mais brigas por destaque — e destaque, no iFood, custa dinheiro (impulsionamento, planos premium, participação em campanhas).

2. Inflação corroendo o ticket real. O ticket médio do delivery brasileiro subiu cerca de 8% em 2024, segundo dados do próprio iFood. Boa parte desse aumento foi inflação alimentícia, não margem. O cliente paga mais, mas o restaurante também paga mais pelos insumos.

3. Dependência de um único canal. Quando 100% do seu delivery passa por uma plataforma, qualquer mudança de regra impacta direto o seu caixa. Mudou a comissão? Mudou o algoritmo de busca? Atrasou o repasse? Não há plano B.

O que isso significa para o seu negócio

A leitura prática do balanço do iFood não é "o delivery está bombando, vai com tudo". É: o delivery está consolidado como canal, mas a forma como você participa dele define se ele vai gerar lucro ou só faturamento.

Três ações concretas para os próximos 90 dias:

  • Calcule a margem real do seu delivery por plataforma. Pegue o faturamento mensal, subtraia comissão, embalagem, mão de obra adicional e CMV. Se a margem líquida estiver abaixo de 5%, o canal está te dando volume sem rentabilidade.
  • Diversifique canais de venda. Estar em mais de um app reduz o risco de dependência e te dá poder de comparação. Apps com comissão menor (ou zero) liberam margem imediata — em um pedido de R$ 65, sair de 27% para 0% de comissão são R$ 17,55 a mais no seu caixa por pedido.
  • Construa relação direta com o cliente. Use o pedido pelo app como porta de entrada, mas trabalhe para que o cliente recorrente compre por canais com menor custo de aquisição (WhatsApp, app próprio, cardápio digital).

Conclusão

Os R$ 70 bilhões do iFood mostram que o delivery deixou de ser tendência e virou infraestrutura do consumo no Brasil. A pergunta para o lojista não é mais "devo estar no delivery?", e sim "em que condições eu participo desse mercado?".

Crescer 40% como plataforma é uma história. Crescer com margem como restaurante é outra. E essa segunda história depende, cada vez mais, de não colocar todos os pedidos em uma única conta.

Se você quer testar o que acontece com a sua margem operando com 0% de comissão e repasse no mesmo dia, cadastre sua loja no Trend SuperApp e compare os números do próximo mês.

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