Fusão iFood-Rappi: o que muda para o seu restaurante após o CADE

A aprovação da fusão entre iFood e Rappi pelo CADE veio com 12 condições que mexem direto no bolso de quem vende delivery. Teto de comissões, fim da exclusividade e uma janela de 36 meses podem ser a maior oportunidade para diversificar canais desde o início do delivery digital no Brasil.

O contexto: por que essa fusão era um problema antitruste

Antes da decisão, o iFood concentrava em torno de 80% do mercado de delivery de refeições no Brasil, segundo estimativas de mercado replicadas por veículos como Valor Econômico e Reuters ao longo de 2024. Rappi, Uber Eats (que já havia saído do segmento de comida no país em 2022) e plataformas menores dividiam o restante.

Quando uma empresa com essa fatia compra a número dois, o alarme antitruste é automático. O CADE — Conselho Administrativo de Defesa Econômica — tinha duas opções óbvias: bloquear a fusão ou aprovar com restrições pesadas. Escolheu o segundo caminho, mas com um pacote de obrigações que, segundo conselheiros, é um dos mais detalhados já impostos a uma operação digital no país.

A lógica é clara: em vez de impedir a consolidação, o CADE optou por criar um período de transição em que as condições de mercado simulem competição mesmo sem haver competidor de porte equivalente. Esse período é de 36 meses, e é aí que está a oportunidade.

As condições traduzidas para o seu dia a dia

As 12 condições impostas tocam três grandes áreas — comissões, exclusividade e dados. Vamos ao que importa para o lojista.

1. Teto de comissões durante o período de transição

A condição mais comentada é o limite sobre quanto a plataforma pode cobrar do restaurante. Hoje, os planos do iFood variam entre faixas que começam em torno de 12% (apenas marketplace) e chegam a algo próximo de 27% quando incluem entrega e visibilidade. O CADE estabeleceu travas e regras de reajuste para impedir que, após eliminar o principal concorrente, a plataforma simplesmente repasse o custo da fusão para os lojistas.

O que isso significa na prática: se a sua comissão atual está dentro do plano contratado, ela não vai disparar nos próximos meses. Mas isso vale por tempo limitado. Quando o teto sair, o mercado precisa estar mais competitivo — ou o reajuste vem.

2. Proibição de exclusividade

Essa é a mais transformadora. Cláusulas que obrigavam (ou induziam por meio de descontos e visibilidade) restaurantes a operar apenas com uma plataforma estão proibidas. Você pode estar em iFood, Rappi, em plataformas alternativas como o Trend SuperApp, e ter seu próprio canal de WhatsApp e site simultaneamente — sem retaliação algorítmica, sem perda de posição no app, sem punição comercial.

Isso não é detalhe técnico. É uma mudança estrutural. Por anos, lojistas relataram informalmente que diversificar canais "custava caro" em termos de visibilidade dentro do app dominante. A regra agora é explícita: a plataforma não pode penalizar quem vende em outros lugares.

3. Acesso a dados e portabilidade

O CADE também exigiu mecanismos para que o lojista tenha acesso aos próprios dados de venda em formato exportável e padronizado. Isso parece técnico, mas tem consequência prática: você consegue migrar histórico de clientes, padrões de pedido e métricas operacionais para outras ferramentas. Era um dos grandes lock-ins invisíveis do mercado.

A janela de 36 meses

Aqui está o ponto que poucos lojistas perceberam. As condições do CADE têm prazo. Em 36 meses, o órgão vai reavaliar o mercado e decidir se mantém as restrições, afrouxa ou aperta. Para que sejam afrouxadas (cenário que o iFood-Rappi obviamente prefere), o mercado precisa apresentar competição real — ou seja, plataformas alternativas precisam ter ganhado fatia relevante.

Para o lojista, isso cria um cenário inédito:

  • Diversificar canais agora não tem custo de retaliação (a exclusividade está proibida);
  • O teto de comissões protege seu caixa no curto prazo enquanto você testa alternativas;
  • A portabilidade de dados facilita rodar várias plataformas em paralelo sem refazer tudo do zero.

Se você ficar parado nos próximos 36 meses esperando para ver, terminará o período exatamente onde começou: dependente de um único canal. Se aproveitar a janela, sai dela com base diversificada — e poder real de negociação.

O que isso significa para o seu negócio

Três ações concretas para os próximos 90 dias:

  1. Cadastre-se em pelo menos uma plataforma alternativa. Modelos como o do Trend SuperApp, com 0% de comissão e repasse no mesmo dia (D0), só funcionam para você se houver volume rodando — e volume começa com cadastro e cardápio publicado. Quanto mais cedo, mais cedo o canal começa a girar.

  2. Comece a captar contato direto do cliente final. WhatsApp, cupom no saco da entrega, QR code na embalagem. A portabilidade de dados liberada pelo CADE só vale se você tiver uma base própria pra onde direcionar.

  3. Acompanhe seus indicadores por canal. Margem líquida, ticket médio e tempo de repasse. Sem isso, você não consegue avaliar qual plataforma efetivamente vale a pena — e fica refém da percepção em vez do dado.

Conclusão

A fusão iFood-Rappi não é o fim do mercado de delivery — é o início de um período de transição em que o lojista tem, pela primeira vez em anos, regras explícitas a seu favor. As 12 condições do CADE valem por 36 meses. Depois disso, o jogo recomeça com as cartas que cada lado conseguir reunir.

Quem usar essa janela para diversificar canais vai negociar do outro lado da mesa em 2028. Quem não usar, vai continuar pagando o preço que decidirem cobrar.

Cadastre sua loja no Trend SuperApp e venda com 0% de comissão e repasse no mesmo dia. Em um cenário onde diversificar deixou de ser arriscado, começar agora é a decisão mais barata que você toma este ano.

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