O que mudou nas plataformas em 2024 e 2025
Por anos, o iFood e a Rappi viveram um ciclo clássico de plataforma: queimaram dinheiro de fundos de venture capital para captar usuários com descontos pesados, construíram dependência dos lojistas e, depois, iniciaram a transição para a rentabilidade. Essa virada já começou.
O iFood, controlado pelo grupo holandês Prosus, passou a ser cobrado por EBITDA positivo a partir de 2022. Na prática, isso significa três coisas para o seu restaurante: campanhas que antes eram 100% bancadas pela plataforma agora exigem cofinanciamento do lojista, o investimento mínimo em impulsionamento subiu para quem quer manter visibilidade, e o algoritmo passou a privilegiar quem paga para aparecer — um modelo "pay-to-play" parecido com o Google Ads, mas dentro do app.
A Rappi seguiu caminho similar. Após acumular prejuízos na expansão latino-americana, a empresa cortou custos desde 2022 com demissões em múltiplos países e redução drástica do dinheiro colocado em promoções para o usuário final.
O resultado é direto: você continua pagando até 30% de comissão por pedido (Fonte: documentação oficial iFood para parceiros), mas perdeu a alavanca que justificava esse custo — a visibilidade e o desconto subsidiado que traziam volume.
Os números que explicam por que isso é grave
A dependência dos apps no Brasil é estrutural. O iFood detém 82% do mercado de delivery online no país em volume de pedidos (Fonte: Euromonitor International, 2023). Para muitos restaurantes urbanos, 60% a 80% do faturamento vem dos apps (Fonte: Abrasel, 2023).
Quando você cruza esse dado com o custo real de operar dentro da plataforma, o cenário aperta:
- Comissão por pedido: 12% a 30% (planos Básico, Entrega ou Full)
- Custo de impulsionamento: R$ 300 a R$ 2.000 por mês para manter visibilidade
- CAC via plataforma: R$ 18 a R$ 35 por cliente novo, considerando comissão + ads (Fonte: GS&CO, 2023)
- Acesso aos dados do cliente: zero. Os dados são do app, não seus.
Some inflação de alimentação fora do lar acumulada de mais de 40% entre 2020 e 2023 (Fonte: IBGE) e você entende por que tantos operadores estão no limite.
Por que o WhatsApp e a fidelidade própria mudam o jogo
A boa notícia é que existe um canal que praticamente todo brasileiro já tem aberto no bolso. O Brasil tem 169 milhões de usuários ativos no WhatsApp — a maior penetração per capita do mundo (Fonte: Meta / DataReportal, 2024). 76% dos brasileiros já usam o app para se comunicar com empresas (Fonte: Opinion Box, 2023).
Os números de retenção são ainda mais convincentes:
- A taxa de abertura de mensagens via WhatsApp é de 98%, contra cerca de 20% do e-mail marketing (Fonte: Hootsuite, 2023)
- Restaurantes que implementam pedidos via WhatsApp Business relatam redução de 20% a 40% no CAC de clientes recorrentes (Fonte: Take Blip / Zenvia, 2023)
- Aumentar a retenção de clientes em apenas 5% pode elevar os lucros entre 25% e 95% (Fonte: Bain & Company)
- Um cliente recorrente gasta em média 67% mais que um cliente novo (Fonte: Bain & Company / Harvard Business Review)
E aqui está o dado que mais surpreende: apenas 32% dos pequenos restaurantes brasileiros têm algum programa de fidelidade próprio fora dos apps (Fonte: Abrasel / Sebrae, 2023). Ou seja, dois terços do mercado está vulnerável — e a janela para se diferenciar ainda está aberta.
Plataforma vs. canal próprio: o comparativo de custo real
| Indicador | iFood / Rappi | Canal Próprio (WhatsApp + fidelidade) |
|---|---|---|
| Comissão por pedido | 12% a 30% | 0% |
| Custo de ads/visibilidade | R$ 300 a R$ 2.000/mês | R$ 0 a R$ 500/mês |
| CAC cliente novo | R$ 18 a R$ 35 | R$ 5 a R$ 15 |
| CAC cliente recorrente | R$ 10 a R$ 20 | R$ 0,80 a R$ 3,00/mês |
| Taxa de abertura | ~15% (push) | ~98% (WhatsApp) |
| Acesso aos dados do cliente | Nenhum | Total |
| Tempo para resultado | Imediato (pagando) | 30 a 90 dias |
Fontes: Zenvia, GS&CO, Hootsuite, benchmarks food service 2023–2024.
Faça a conta para a sua operação. Em um restaurante com faturamento de R$ 30.000/mês via delivery no iFood (plano Full, 27% de comissão), o repasse líquido é de aproximadamente R$ 21.900. Se uma parte desse volume migrar para canal próprio com 0% de comissão, cada R$ 1.000 deslocado vira R$ 270 a mais no seu caixa todo mês.
O que isso significa para o seu negócio
Você não vai sair do iFood amanhã — e provavelmente não deveria. O app ainda é canal de descoberta e volume relevante. Mas continuar 100% dependente dele com as regras novas é receita para sufoco. O caminho prático tem três etapas:
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Capture os dados de quem já compra de você. Em cada pedido do iFood que sai da cozinha, coloque um cartão com QR Code para o cliente entrar no seu WhatsApp e receber um benefício exclusivo (cupom, brinde, prioridade). A meta é simples: transformar cliente do iFood em cliente seu.
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Crie um programa de fidelidade simples. Não precisa de app caro. Um sistema de pontos por pedido — gerenciado via WhatsApp Business ou planilha — já segura recorrência. O dado da Bain é claro: 5% a mais de retenção vira até 95% a mais de lucro.
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Diversifique a porta de entrada. Procure plataformas alternativas com modelo de custo menor, que devolvam margem e fluxo de caixa em vez de capturá-los.
Conclusão
O fim dos subsídios não é uma fase ruim que vai passar — é o novo normal do delivery no Brasil. Quem entender isso primeiro reconstrói margem. Quem esperar vai descobrir que o problema piorou.
É exatamente nesse cenário que o Trend SuperApp faz sentido: 0% de comissão por pedido e repasse D0 (o dinheiro cai no mesmo dia, não em 14 ou 30 dias). Para um restaurante com R$ 30.000/mês em delivery, isso significa até R$ 97.200 a mais por ano no caixa, comparado a um plano com 27% de comissão.
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