Comissões consomem 28% da receita: como restaurantes estão saindo da armadilha

Um estudo recente da Abrasel revela que comissões de plataformas consomem quase um terço da receita dos restaurantes brasileiros. A boa notícia: a matemática do canal próprio finalmente fechou — e há uma terceira via que poucos lojistas estão calculando direito.

A matemática que está matando o restaurante

O dado da Abrasel não vive isolado. Cruzando com outras fontes, o quadro fica ainda mais duro: a margem líquida típica de um restaurante delivery bem gerido no Brasil fica entre 12% e 18%, segundo benchmarks da própria Abrasel e consultorias de food service. Ou seja, a comissão de 28% paga à plataforma é, em muitos casos, maior que o lucro líquido do restaurante.

Faça a conta com um caso real. Restaurante de bairro com R$ 80 mil/mês de faturamento via delivery:

  • Comissão paga à plataforma: ~R$ 22.400 (28%)
  • Margem líquida operacional: R$ 12.000 a R$ 16.000 (15-20%)
  • Resultado: a plataforma fica com mais dinheiro do que o dono da operação

Some a isso o repasse financeiro em D+30 — padrão do iFood — e o restaurante vira financiador involuntário da plataforma. Trabalha o mês inteiro para receber 30 dias depois, sem dados de clientes, sem capacidade de remarketing e sem controle sobre o algoritmo que decide quando seu cardápio vai aparecer na busca.

Não é exagero retórico. É a estrutura matemática do modelo.

O peso do quase-monopólio

Por que essa conta se sustenta? Concentração de mercado. O iFood detém cerca de 80% do market share de delivery de alimentos no Brasil em número de pedidos, segundo dados Euromonitor reportados pelo Valor Econômico em 2024. Para um restaurante urbano, sair da plataforma não é decisão livre — é abrir mão de 30% a 40% do faturamento total, fatia que o delivery representa em operações de refeições rápidas e casual dining.

Esse desequilíbrio chegou ao radar regulatório. Em 2023, o Cade abriu investigação sobre práticas anticoncorrenciais do iFood, e discussões legislativas sobre plataformas digitais começaram a tratar o modelo de comissões como tema de política pública. Enquanto a regulação caminha, restaurantes que agirem agora na construção de canal próprio sairão na frente — tanto em margem quanto em ativos digitais que nenhuma plataforma pode tomar.

A "terceira via" do plano Premium: leitura crítica

Em 2024, o iFood relançou seu modelo de planos como resposta à pressão competitiva e regulatória. O Plano Performance oferece mensalidade fixa (valores circulados na imprensa apontam R$ 100 a R$ 130/mês) com comissão reduzida para algo próximo de 12%, mediante exigência de volume mínimo de pedidos.

Na conta fechada, parece bom. Um restaurante com 500 pedidos/mês de ticket R$ 30 economiza aproximadamente R$ 1.970/mês migrando do plano padrão para o Performance. Mas a economia tática esconde um problema estratégico que poucos lojistas estão calculando.

O que muda com o Performance: o custo por pedido cai significativamente.

O que não muda: o restaurante continua sem acesso à base de clientes, sem controle sobre ranqueamento, sem garantia contratual de manutenção das condições e com repasse em D+30. Em outras palavras: o aluguel ficou mais barato, mas o locador segue podendo revisar o contrato unilateralmente — algo que o histórico do iFood no Brasil mostra que pode acontecer.

Migrar para o plano Premium e reduzir investimento em canal próprio é apostar duplamente no mesmo ecossistema de dependência. Pode funcionar como ferramenta tática de curto prazo. Não resolve o problema estratégico.

Canal próprio: a conta que finalmente fechou

Construir canal direto era complicado em 2019. Em 2025, deixou de ser. O custo médio de operar um canal próprio (WhatsApp Business + sistema de gestão de pedidos + logística integrada) gira entre 5% e 8% da receita gerada — número estimado por consultorias de food tech como Brain Sinapse e confirmado por relatos de operadores independentes.

Compare com os 28% pagos à plataforma e o cenário muda. Restaurantes que migraram parcialmente para canal direto, mantendo presença nas plataformas como vitrine de aquisição, reportaram redução de até 60% no custo por pedido, segundo cases compilados pela Abrasel e SEBRAE em 2023.

Há ainda dois efeitos que raramente entram na conta:

  • Ticket médio 15% a 22% maior em pedidos via canal próprio vs. plataformas, segundo compilação SEBRAE/Endeavor 2023-2024. O consumidor que pede direto tende a montar pedidos mais completos.
  • 62% dos consumidores brasileiros afirmam que prefeririam pedir direto ao restaurante se o processo fosse tão simples quanto pelo app da plataforma, segundo pesquisa CNDL/SPC Brasil 2023. A barreira é experiência, não vontade.

O que isso significa para o seu negócio

A saída do problema das comissões não é binária. Não é "abandonar o iFood" nem "aceitar 28% como custo do negócio". É construir uma estrutura de canais onde cada plataforma cumpre o papel certo:

  1. Use as plataformas grandes como aquisição — vitrine para conquistar cliente novo, ciente do custo de 28% como CAC (custo de aquisição) e não como custo recorrente.
  2. Construa canal próprio para retenção — todo cliente que pediu uma vez deve ser puxado para o canal direto via embalagem, cupom no QR code, programa de fidelidade ou WhatsApp.
  3. Faça a conta do delta de caixa — para cada R$ 10 mil de GMV migrados do iFood para canal próprio sem comissão, você recupera R$ 2.800/mês em margem. Em 12 meses, são R$ 33.600 a mais no caixa.
  4. Negocie repasse, não só comissão — D0 vs. D+30 muda completamente o capital de giro de uma operação que opera com margem apertada.

A diversificação de canais deixou de ser pauta de inovação. Virou pauta de sobrevivência.

Conclusão

Os 28% da Abrasel são um número que cabe na conta de qualquer lojista — e o que ele revela é uma estrutura que se tornou matematicamente insustentável para a maioria dos restaurantes brasileiros. O plano Premium do iFood reduz o sintoma; canal próprio resolve a causa.

O Trend SuperApp foi construído exatamente para esse momento: 0% de comissão, repasse D0 e logística integrada — devolvendo ao lojista a margem que estava ficando no caminho. Cadastre sua loja e venda com 0% de comissão.

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *