Quanto custa, de fato, vender no iFood
Antes de comparar, é preciso entender o que sai do caixa. As comissões variam conforme o plano contratado:
- Plano Básico (entrega própria do restaurante): 12% a 15% sobre o pedido.
- Plano Entrega (com entregador iFood): 23% a 30% sobre o pedido — a soma da comissão de serviço (cerca de 12%) com a taxa de logística (entre 11% e 18%).
- Plano Performance (com publicidade dentro do app): adiciona de 10% a 12% em taxas extras.
Some a isso a taxa de antecipação de recebíveis (em torno de 2% a 2,99% para receber antes do prazo padrão de D+30) e a taxa de cadastro mensal de aproximadamente R$ 100. Em um cenário comum — Plano Entrega + antecipação — o custo total fica entre 27% e 32% do faturamento bruto da plataforma.
Para um restaurante que fatura R$ 30.000/mês no iFood, isso significa entre R$ 8.100 e R$ 9.600 saindo do caixa só em comissões e taxas.
Quanto custa operar um canal próprio
O canal próprio tem uma estrutura de custos completamente diferente. Em vez de um percentual sobre cada pedido, o lojista paga:
- Plataforma de cardápio digital + pedidos: entre R$ 99 e R$ 299/mês, dependendo dos recursos.
- Taxa de pagamento online: 2% a 3,5% via cartão; PIX geralmente entre 0% e 0,99%.
- Marketing digital para atrair pedidos: o Sebrae aponta que esse é o verdadeiro desafio. Sem o tráfego orgânico do marketplace, o lojista precisa investir entre 5% e 10% do faturamento em mídia paga, redes sociais e fidelização para manter o volume de pedidos.
O custo de aquisição de cliente (CAC) no canal próprio fica, em média, entre R$ 15 e R$ 35 para o primeiro pedido via tráfego pago. A conta vira a favor quando o cliente volta: o custo de retenção é 5 a 7 vezes menor que o de aquisição, e canais próprios com programa de fidelidade chegam a 40% de recorrência em três meses, segundo dados da Goomer.
A calculadora editorial: três cenários reais
Com ticket médio do iFood Insights e margens líquidas do Sebrae, a conta para cada segmento fica assim:
Pizzaria — ticket médio R$ 75, margem líquida típica 10% a 15%
Com 400 pedidos/mês no iFood Plano Entrega (faturamento de R$ 30.000), a comissão consome cerca de R$ 8.400. No canal próprio, com plataforma de R$ 199, taxa de pagamento média de 2% e investimento de 8% em marketing, o custo total fica em torno de R$ 3.000/mês — uma diferença líquida de R$ 5.400. Ponto de equilíbrio: a partir de R$ 12.000/mês de faturamento no iFood, o canal próprio começa a ser financeiramente vantajoso, considerando que a pizzaria consiga migrar pelo menos 50% dos clientes recorrentes.
Lanchonete/hambúrguer — ticket médio R$ 45, margem líquida típica 6% a 10%
Esse é o segmento mais pressionado. Com margem líquida menor e ticket médio mais baixo, cada ponto percentual de comissão pesa mais. Faturando R$ 20.000/mês no iFood, a comissão (Plano Entrega) leva cerca de R$ 5.600 — quase a margem inteira da operação. Ponto de equilíbrio: a partir de R$ 8.000/mês, o canal próprio compensa, especialmente porque hambúrguer tem alta recorrência e ticket que cresce com combos.
Restaurante por quilo / marmitex — ticket médio R$ 30, margem líquida típica 8% a 15%
Aqui o jogo é diferente: ticket baixo, mas alta recorrência (cliente almoça 3 a 5 vezes por semana). Faturamento de R$ 25.000/mês no iFood gera R$ 7.000 em comissões. Ponto de equilíbrio: a partir de R$ 10.000/mês, com a vantagem extra de que clientes de marmita são os mais previsíveis para fidelizar via WhatsApp e canal próprio.
Por que a resposta não é "abandonar o iFood"
A decisão inteligente não costuma ser binária. O iFood entrega tráfego pronto — milhões de usuários abrem o app diariamente procurando por restaurantes. Sair completamente significa abrir mão dessa janela de descoberta. O movimento que vem se mostrando mais rentável é o modelo híbrido: usar o marketplace como vitrine de aquisição (onde o cliente conhece a marca pela primeira vez) e migrar a recorrência para o canal próprio, onde a margem é maior.
Na prática, isso significa: pedido feito no iFood vai com cupom, brinde ou cartão impresso convidando o cliente a pedir direto na próxima vez. Quem pede direto ganha desconto, fidelidade ou frete grátis. O custo do "presente" sai do que era comissão.
O que isso significa para o seu negócio
Três ações concretas para começar a fazer sua própria conta:
- Calcule sua comissão real, somando taxa do plano + antecipação + qualquer publicidade interna. Divida pelo faturamento bruto da plataforma. Esse é seu custo real de marketplace.
- Estime sua taxa de recorrência: quantos % dos seus clientes pediram mais de uma vez nos últimos 90 dias? Se está acima de 25%, você tem base para canal próprio.
- Comece pelo WhatsApp + cardápio digital simples antes de investir em apps complexos. A maior parte do retorno vem da migração da recorrência, não da aquisição nova.
Conclusão
A comissão do iFood não é "cara" em si — é cara para quem a paga sobre o cliente que já é fiel. O ponto de equilíbrio entre marketplace e canal próprio aparece muito antes do que a maioria dos lojistas imagina: para a maior parte dos segmentos, a partir de R$ 10.000 a R$ 12.000/mês de faturamento na plataforma já compensa montar uma operação paralela. O segredo está em não escolher um lado, mas em colocar cada canal para fazer o que ele faz melhor.
Para reduzir essa conta de forma estrutural, vale conhecer alternativas com modelo de remuneração diferente. Cadastre sua loja no Trend SuperApp e venda com 0% de comissão e repasse no mesmo dia.
