Taxas do iFood em 2025: quanto seu restaurante realmente paga (e como reduzir)

A comissão do iFood pode chegar a 27% por pedido, e dados da Abrasel mostram que 67% dos restaurantes lucram menos no delivery do que no salão. Entenda a estrutura real de taxas, o PL que propõe teto de 15% e o passo a passo para calcular o break-even do seu cardápio.

A estrutura real das taxas do iFood em 2025

O iFood não publica uma tabela oficial unificada de comissões, o que gera muita confusão entre lojistas. A estrutura praticada, confirmada por reportagens da Folha de S.Paulo e Valor Econômico e por análises do Sebrae-SP, funciona em três planos principais:

Plano Comissão por pedido Entrega Mensalidade
Básico (entrega própria) ~12% Lojista cuida R$ 100 a R$ 130
Entrega iFood ~23% a 27% Entregadores iFood Sem mensalidade
Impulso (com destaque) 27% ou mais Entregadores iFood Sem mensalidade

Sobre a comissão, ainda incide ISS de 2% a 5% (o serviço da plataforma é tributado), além da taxa de pagamento, que costuma rodar em 3% a 3,5% sobre o valor total do pedido. O custo efetivo, portanto, é maior do que o número que aparece no contrato.

Para dimensionar o impacto: o iFood processa mais de 65 milhões de pedidos por mês no Brasil e detém cerca de 73% do mercado de delivery por aplicativo, segundo o relatório anual da Prosus, controladora da empresa. Não estar lá significa, para a maioria dos restaurantes urbanos, abrir mão de visibilidade relevante. Estar lá nas condições erradas significa trabalhar para a plataforma.

O que isso faz com a sua margem

O ticket médio do iFood no Brasil está em torno de R$ 58 por pedido (dado Prosus, ano fiscal 2024). Vamos abrir esse número no plano Entrega iFood, com comissão de 27%:

Item Valor
Ticket médio R$ 58,00
Comissão iFood (27%) R$ 15,66
Taxa de pagamento (3%) R$ 1,74
Embalagem delivery (média) R$ 2,50
Custo da mercadoria (CMV 35%) R$ 20,30
Sobra antes das despesas fixas R$ 17,80

Desses R$ 17,80, ainda saem aluguel, folha, energia, gás, marketing e impostos sobre venda. Em um restaurante com estrutura típica, a margem líquida final no canal delivery roda entre 3% e 8% — bem abaixo dos 5% a 15% que o setor pratica no atendimento presencial.

É por isso que 83% dos restaurantes praticam preços diferenciados no aplicativo, segundo pesquisa da CNDL/SPC Brasil. O cardápio do app costuma ser 15% a 30% mais caro que o do salão. O problema é que essa estratégia reduz conversão, e a conta nem sempre fecha.

O PL que pode mudar o jogo (e por que ele trava)

Tramita na Câmara dos Deputados o PL 2.943/2022, que propõe teto de comissão de 15% para plataformas de delivery, além de obrigatoriedade de transparência contratual. Em paralelo, o PL 1.668/2022 trata dos direitos dos entregadores no Senado.

iFood, Rappi e Uber Eats se manifestaram formalmente contra o teto de 15%, argumentando que inviabilizaria o subsídio de entregas. A Abrasel pressiona pela aprovação. O debate está em compasso de espera.

O paralelo internacional é instrutivo: Nova York e Chicago já aprovaram leis municipais com teto de 15% sobre comissões de plataformas de delivery, em vigor desde 2021 e 2022 respectivamente. Na Colômbia, o teto é de 30%. Na União Europeia, não há limite fixo, mas o Digital Markets Act criou outras regras de equilíbrio entre plataformas e parceiros.

Enquanto a regulação não chega, o lojista brasileiro precisa decidir como operar com as regras atuais.

Como reduzir o custo efetivo do iFood (sem sair dele)

Sair do iFood não é viável para a maioria dos restaurantes hoje. O que é viável é trabalhar com inteligência tributária, operacional e de canal:

1. Calcule o break-even por plano. Use a fórmula:

Preço mínimo viável = (Custo fixo rateado + CMV + Embalagem) 
                    ÷ (1 - % comissão - % taxa pagamento)

Para um prato com custo de produção de R$ 18 e custo fixo rateado de R$ 5 por pedido, o preço mínimo viável é R$ 34,91 no plano Básico (12%) e R$ 43,17 no plano Entrega iFood (27%). Se o seu cardápio está abaixo desses valores, você está pagando para vender.

2. Migre o que for possível para entrega própria. A diferença entre 12% e 27% de comissão é maior do que o custo de manter um ou dois entregadores parceiros em horário de pico, especialmente para restaurantes com volume acima de 200 pedidos/mês.

3. Reduza dependência: use o iFood para aquisição, outros canais para fidelização. Um cliente que descobriu seu restaurante no iFood e voltou a pedir três vezes pelo seu canal direto custa muito menos do que três pedidos novos pela plataforma. WhatsApp, site próprio, marketplaces alternativos com 0% de comissão e programas de fidelidade reduzem drasticamente o custo médio de aquisição.

4. Negocie individualmente. Lojistas com volume relevante e bom histórico operacional conseguem condições melhores que as praticadas no padrão. Não custa pedir.

5. Audite o repasse mensal. Cobranças retroativas, alterações unilaterais e taxas extras aparecem com frequência nos relatórios. Quem não confere, paga.

O que isso significa para o seu negócio

A comissão do iFood não é um custo fixo da operação — é uma variável que você pode trabalhar. Três ações concretas para começar esta semana:

  • Abra a planilha do seu cardápio e aplique a fórmula do preço mínimo viável em cada item, considerando o plano que você opera. Os pratos abaixo do break-even precisam ser repensados, retirados ou reprecificados.
  • Mapeie quanto do seu faturamento depende do iFood hoje. Se passa de 50%, você tem um risco de concentração que precisa ser reduzido — não amanhã, mas começando agora.
  • Monte um canal direto (WhatsApp Business com cardápio, marketplace alternativo ou site próprio) e ofereça incentivo para o cliente recorrente migrar. Cada pedido que sai da plataforma e entra no seu canal direto recupera 25% a 30% de margem.

A conta que ninguém faz no fim do mês

A pergunta certa não é "quanto eu pago de comissão", e sim "quanto sobra depois de tudo". Com 27% de comissão, 3% de taxa de pagamento, ISS embutido e 14 a 30 dias para o repasse cair na conta, o canal delivery vira o pior negócio do restaurante — e ainda assim não dá para abrir mão dele.

A boa notícia é que existem alternativas. O Trend SuperApp opera com 0% de comissão por pedido e repasse no mesmo dia (D0) — sobre o ticket médio de R$ 58, isso representa de R$ 13 a R$ 16 que ficam no caixa do lojista a cada venda. Em 300 pedidos/mês, a diferença chega a R$ 4.800.

[Cadastre sua loja no Trend SuperApp →] e venda com 0% de comissão.

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