O que mudou no custo real das plataformas em 2024-2026
As comissões cobradas por iFood e Rappi hoje variam entre 12% e 30% por pedido, dependendo do plano contratado. O plano com logística própria da plataforma — o mais usado por restaurantes que não têm motoboy próprio — fica na faixa superior, entre 23% e 30%. Esse já é o número que aparece no extrato.
O custo real, porém, é maior. Para ganhar visibilidade dentro do aplicativo, a maioria dos lojistas investe em impulsionamento (anúncios internos), com desembolsos que vão de R$ 500 a R$ 5.000 por mês. Somando comissão, impulsionamento e embalagens diferenciadas que algumas plataformas exigem, o custo efetivo por pedido pode chegar a 35% a 45% do ticket. A Abrasel estima que, no agregado, as plataformas consomem entre 25% e 35% do faturamento gerado pelo canal.
Para dimensionar o problema: a margem líquida média de um restaurante no Brasil é de 5% a 15%. Quando a comissão da plataforma supera a margem bruta do pedido, a operação só se sustenta se o volume cobrir o prejuízo unitário com ganho de escala em outros canais. Pesquisa da Abrasel aponta que 1 em cada 3 restaurantes considera as taxas de plataforma o principal obstáculo à rentabilidade no delivery.
O que o canal próprio realmente custa
O canal próprio — WhatsApp com bot de pedidos, cardápio digital integrado, site com checkout ou app proprietário — tem uma estrutura de custo radicalmente diferente. A taxa de transação (gateway de pagamento) fica entre 1,5% e 3,5% por pedido. Ferramentas como Anota AI, Cardápio Web e Goomer cobram mensalidades entre R$ 100 e R$ 500. Logística segue como variável independente: pode ser motoboy próprio, parceiro local ou serviço sob demanda.
A conta parece óbvia: trocar 27% de comissão por 3% de taxa de pagamento é economia de 24 pontos percentuais por pedido. Mas o cálculo honesto inclui o que a plataforma faz por você e que, no canal próprio, você passa a pagar separado: descoberta e aquisição de cliente novo.
No iFood, o cliente que nunca ouviu falar do seu restaurante te encontra via busca na plataforma. No canal próprio, ele precisa ser atraído por mídia paga (Meta Ads, Google), indicação, panfletagem ou presença orgânica em redes sociais. O custo médio para adquirir um cliente novo via mídia paga no setor de alimentação fica entre R$ 15 e R$ 40, dependendo de região e categoria.
A boa notícia é que, no canal próprio, o cliente é seu. Você tem o telefone, o histórico, a preferência. Pode fazer recompra via WhatsApp com custo próximo de zero, oferecer fidelidade e controlar o ticket médio sem a pressão de promoções obrigatórias da plataforma.
Comparativo direto: a conta que você precisa fazer
Para uma loja hipotética com 1.000 pedidos/mês e ticket médio de R$ 50:
| Linha | iFood (plano Entrega, 27%) | Canal Próprio |
|---|---|---|
| Faturamento bruto | R$ 50.000 | R$ 50.000 |
| Comissão / taxa | R$ 13.500 (27%) | R$ 1.500 (3%) |
| Impulsionamento / mídia paga | R$ 2.000 | R$ 4.000 (CAC R$ 20 x 200 novos clientes) |
| Ferramenta de pedidos | — | R$ 300 |
| Custo total do canal | R$ 15.500 (31%) | R$ 5.800 (11,6%) |
| Sobra bruta | R$ 34.500 | R$ 44.200 |
Diferença de R$ 9.700 por mês, ou R$ 116 mil ao ano, para uma loja de porte médio. O número varia conforme o percentual de clientes recorrentes (que não precisam ser readquiridos) e a eficiência da operação logística. Mas a ordem de grandeza se mantém: canal próprio reduz o custo total do canal pela metade ou mais quando a base de clientes recorrentes é saudável.
O que isso significa para o seu negócio
A decisão de migrar para canal próprio não precisa ser radical nem imediata. Três ações práticas:
- Faça a conta hoje: pegue o extrato do último mês da plataforma, some comissão + impulsionamento + taxa de serviço, e divida pelo faturamento bruto do canal. Se o resultado passar de 25%, você está pagando caro demais para operar.
- Comece pelo cliente recorrente: ofereça 10% de desconto para quem pedir direto via WhatsApp. Clientes que já conhecem seu produto migram com fricção baixa — e cada pedido migrado é margem recuperada sem custo de aquisição.
- Reduza dependência gradualmente: a meta inicial não é zerar as plataformas, é tirá-las do papel de único canal. Chegar em 50% plataforma / 50% próprio em 12 meses é um objetivo realista para a maioria dos restaurantes.
Conclusão
As plataformas de delivery seguirão sendo um canal relevante — a descoberta orgânica que elas oferecem tem valor real. O que mudou é que elas deixaram de ser o único caminho viável. Com margem apertada e taxas crescentes, qualquer lojista que não esteja construindo canal próprio em paralelo está apostando toda a operação em um custo que ele não controla. O Trend SuperApp foi desenhado para quem quer reduzir essa dependência sem perder volume: 0% de comissão, repasse D0 e logística integrada. Faça a conta, cadastre sua loja e venda com 0% de comissão.
