Lei dos Entregadores 2026: o que sua loja precisa fazer agora

A Lei 14.717/2024 vai empurrar o custo das plataformas para cima e a conta tende a chegar no seu caixa. Entenda o impacto por pedido e o que fazer nos próximos meses para não perder margem.

O que a lei muda na prática

A Lei 14.717/2024 fixa três pilares principais: piso de remuneração de R$ 0,98 por km rodado com valor adicional por tempo de espera, seguro obrigatório com cobertura de até R$ 17.864,27 para afastamento por acidente e contribuição previdenciária ao INSS. Segundo nota técnica do Ipea de outubro de 2024, esse conjunto aumenta o custo operacional das plataformas na rubrica logística entre 20% e 35%.

Esse custo não some no ar. Estimativas de mercado compiladas por veículos como Poder360 e Folha de S.Paulo apontam impacto adicional de R$ 1,50 a R$ 4,00 por entrega para as plataformas. Historicamente, esse tipo de custo é repassado em duas frentes: aumento da taxa de entrega cobrada do consumidor e aumento da comissão cobrada do restaurante. Nos mercados onde a regulação chegou primeiro, o repasse ao lojista foi a via principal.

A conta em reais por pedido

Vale traduzir o cenário em números que caibam na sua planilha. O iFood cobra hoje comissões que variam de 12% a 30% por pedido, dependendo do plano contratado. Considerando um ticket médio de R$ 45, veja como a projeção pós-lei desenha o novo custo:

Cenário Ticket médio Comissão atual Aumento projetado Custo total por pedido
Plano básico R$ 45 R$ 5,40 (12%) +R$ 2,00 a R$ 4,00 R$ 7,40 a R$ 9,40
Plano intermediário R$ 45 R$ 10,35 (23%) +R$ 2,00 a R$ 4,00 R$ 12,35 a R$ 14,35
Plano completo R$ 60 R$ 16,20 (27%) +R$ 2,00 a R$ 4,00 R$ 18,20 a R$ 20,20

Um restaurante que fatura R$ 30.000 por mês em delivery no plano completo pode ver o custo de comissão sair de R$ 8.100 para algo entre R$ 9.100 e R$ 10.100 mensais. Dois a três mil reais a mais, todo mês, saindo direto da linha de lucro.

O agravante: segundo a Abrasel, 58% dos restaurantes brasileiros já operam com margem líquida abaixo de 5%. Uma pressão adicional de 2 a 4 pontos percentuais no custo por pedido, para muita loja, é a distância entre operar no azul e operar no vermelho.

O que aconteceu onde a regulação chegou primeiro

Brasil não é o primeiro país a regulamentar o trabalho de entregadores de aplicativo. Reino Unido fez isso em 2021 e Califórnia consolidou a Proposition 22 em 2020. Os dois casos oferecem uma prévia razoável do que esperar por aqui.

Indicador Reino Unido (pós-2021) Califórnia (pós-2020)
Aumento de comissão ao restaurante +4 a 7 p.p. +2 a 4 p.p.
Crescimento de canais próprios +34% em 2 anos +28% em 18 meses
Queda na dependência de plataforma única -19 p.p. em 3 anos -14 p.p. em 2 anos

Fontes: KPMG UK Food & Drink Report (2023) e McKinsey "The State of Food Delivery" (2022).

O padrão é consistente: comissões subiram, restaurantes sentiram a margem apertar e quem já tinha canal próprio ativo saiu na frente. A migração para venda direta não foi uma reação emocional, foi uma resposta racional a uma equação que mudou.

A janela de oportunidade tem prazo

A implementação plena da lei está marcada para 1º de maio de 2025. Os ajustes comerciais entre plataformas e restaurantes, no entanto, devem começar já no primeiro trimestre. Isso significa que existe uma janela de poucos meses para agir com antecedência, e não em resposta.

Três movimentos concretos para fazer agora:

1. Ative um canal próprio antes que a taxa suba. Enquanto o iFood opera com comissões de até 30%, o Trend SuperApp opera com 0% de comissão por pedido e repasse D0. Para uma loja que fatura R$ 30.000 mensais em delivery, migrar parte relevante do volume para canal próprio pode representar R$ 8.100 a mais no caixa por mês, todo mês.

2. Comece a fidelizar sua base agora. Cliente que já pediu direto de você três vezes não volta fácil para o marketplace concorrente. Use os próximos meses para transferir gradualmente sua base de recompra para o seu canal. Cupom de primeira compra, brinde na segunda, prioridade no atendimento na terceira. Simples e funciona.

3. Renegocie seu plano de plataforma agora, não em maio. No primeiro trimestre de 2025, você ainda tem poder de barganha porque as plataformas ainda não anunciaram os novos valores. Depois do reajuste comunicado, sua margem de negociação encolhe.

O que isso significa para o seu negócio

A Lei dos Entregadores não é uma tempestade que passa. É uma mudança estrutural no custo do delivery via marketplace. Restaurantes que tratarem isso como problema de médio prazo, resolvem em cima da hora e no pior momento. Restaurantes que tratarem como reorganização de curto prazo, chegam em maio com base fidelizada, canal próprio funcionando e independência de uma única plataforma.

Três perguntas para fazer esta semana:

  • Que percentual do meu faturamento depende hoje de uma única plataforma?
  • Quanto do meu volume de recompra eu consigo migrar para canal próprio nos próximos 90 dias?
  • Meu preço no cardápio suporta uma comissão 3 a 4 pontos maior sem eliminar minha margem?

Se qualquer uma dessas respostas incomoda, o momento de agir é agora.

Conclusão

A Lei 14.717/2024 vai empurrar o custo do delivery via marketplace para cima e o histórico internacional mostra que boa parte dessa conta chega no lojista. A diferença entre quem sente pouco e quem sente muito é quem se preparou antes do reajuste ser comunicado. Cadastrar sua loja no Trend SuperApp agora, com 0% de comissão e repasse D0, é o movimento mais direto para ganhar independência antes da virada. Cadastre sua loja no Trend e comece a construir seu canal próprio antes que a lei entre em vigor plena.

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