Comissão do iFood: quanto realmente sobra por pedido no seu delivery

A conta que 1 em cada 3 restaurantes não faz. Descubra, passo a passo, quanto sobra de verdade no seu bolso depois que a plataforma cobra sua parte — e o que fazer quando o número assusta.

Quanto o iFood cobra, na prática

O iFood opera três planos principais, e a diferença entre eles decide o tamanho do seu problema. No Plano Básico, a comissão é de aproximadamente 12% mais R$ 1,00 fixo por pedido — mas a entrega é sua (motoboy próprio, custo separado). No Plano Entrega, sobe para cerca de 23%, com a plataforma cuidando da logística. No Plano Entrega+, chega a 27%, incluindo cobertura de não-conformidade. Anúncios internos e promoções patrocinadas são cobrados à parte, em qualquer plano.

Segundo a Abrasel (2023), 72% dos restaurantes associados relatam pressão de custos com plataformas de delivery, e o custo total de operar via aplicativo pode representar entre 40% e 45% do ticket médio do pedido, considerando todos os componentes. Isso em um setor cuja margem líquida média é de apenas 5% a 10% (Abrasel). A matemática é apertada por natureza — e fica ainda mais apertada quando você não a controla.

A conta real: hambúrguer artesanal de R$ 35 no Plano Entrega

Vamos abrir a calculadora. Considere um hambúrguer artesanal vendido por R$ 35,00 no iFood, no Plano Entrega (23% de comissão). Os valores abaixo são médias de mercado verificadas pelo Sebrae, Goomer e Saipos (2023).

Componente Valor (R$) % sobre venda
Preço de venda 35,00 100%
(–) Comissão iFood (23%) –8,05 23%
(–) Insumos (pão, blend 180g, queijo, molhos, vegetais) –10,00 28,6%
(–) Embalagem delivery (caixa + papel + rateio bag) –4,00 11,4%
(–) Mão de obra rateada por unidade –3,00 8,6%
(–) Desperdício operacional (4% do CMV) –0,40 1,1%
Sobra bruta por pedido R$ 9,55 27,3%

Parece razoável? Ainda não terminamos. Dessa sobra bruta, você precisa cobrir aluguel, energia elétrica (que subiu 9,8% em 2024, segundo a ANEEL), gás, água, impostos (Simples Nacional para alimentação começa em 4,5%) e — se precisar do dinheiro antes de D+30 — a antecipação de recebíveis, que custa entre 1,99% e 2,99% ao mês.

Se descontarmos apenas o imposto do Simples (R$ 1,58) e uma antecipação média de 2,5% (R$ 0,88), a sobra cai para R$ 7,09 por pedido, ou 20,3% do preço de venda. Ainda antes do aluguel. Ainda antes da energia. Ainda antes do pró-labore.

O efeito silencioso do prazo de repasse

Poucos lojistas percebem que o prazo de recebimento é, ele mesmo, um custo. O iFood repassa em D+30 no formato padrão — ou seja, você vende hoje e recebe daqui a um mês. Para antecipar, paga taxa. O Uber Eats trabalha em D+7. O Rappi pode levar até D+30. Enquanto isso, o fornecedor de pão quer receber semanalmente, o distribuidor de carne cobra à vista, e a folha de pagamento não espera.

Essa defasagem de caixa é o que empurra pequenos lojistas para o crédito caro. Você paga 2,5% ao mês para antecipar receita que já é sua — o equivalente a 34,5% ao ano. Em um negócio que trabalha com margem de 5% a 10%, cada ponto percentual perdido nesse ciclo é uma mordida direta no resultado.

Para efeito de comparação: o Trend SuperApp opera com repasse D0, no mesmo dia da venda, sem custo de antecipação. Sobre uma operação que faz R$ 30 mil/mês em delivery, isso pode representar R$ 750 a R$ 900 economizados por mês só em antecipação — dinheiro que volta para a margem.

Por que 2024 apertou ainda mais a conta

Os números do exemplo acima já não são os de dois anos atrás. Segundo o IBGE, o IPCA de alimentação fora do domicílio acumulou alta de 4,1% em 12 meses (out/2024), mas os insumos de proteína e laticínios — categoria direta do hambúrguer — subiram 6,2% no mesmo período. Adicione o reajuste do salário mínimo (+6,97%) e a alta da energia (+9,8%), e o CMV real do prato cresceu mais rápido do que o ticket médio, que segue estagnado entre R$ 42 e R$ 47 (iFood Insights, 2023).

Traduzindo: o custo de produzir subiu, o preço de venda não acompanhou, e a comissão continua sendo cobrada sobre o valor cheio. Quem não reprecificou em 2024 está trabalhando com margem menor sem perceber.

O que isso significa para o seu negócio

Fazer essa conta uma vez por trimestre não é burocracia — é sobrevivência. Três ações práticas que você pode implementar essa semana:

  1. Refaça o cálculo por produto, não pelo faturamento geral. Cada item do cardápio tem CMV, embalagem e margem diferentes. Um combo pode estar subsidiando o prejuízo de um item avulso sem que você saiba.
  2. Precifique diferente por canal. O Sebrae recomenda markup mínimo de 2,5x o CMV para delivery via plataforma. Se o preço no salão é R$ 30, o preço no app precisa ser R$ 35 ou R$ 38 — não por ganância, por matemática.
  3. Diversifique canais de venda. Depender de uma única plataforma que detém 80% do mercado (Similarweb, 2024) significa aceitar qualquer regra que ela impuser. Ter um segundo canal com condições melhores devolve poder de negociação — e margem.

Conclusão

A comissão da plataforma não é o único vilão da sua rentabilidade — mas é o único componente que você pode trocar sem reformular a cozinha inteira. Enquanto insumos, energia e mão de obra sobem em ritmo que você não controla, a estrutura de custos do canal de venda é uma decisão. E toda decisão pode ser revista.

Se a conta do seu delivery está mais apertada do que deveria, talvez o problema não seja o seu hambúrguer. Cadastre sua loja no Trend SuperApp e venda com 0% de comissão e repasse D0 — a matemática fica diferente quando o sócio silencioso sai da equação.

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