Comissão de delivery em 2025: quanto o iFood, Rappi e outros levam do seu pedido

As comissões cobradas pelas plataformas de delivery corroem entre 15% e 27% do faturamento dos restaurantes. Fizemos as contas — e o resultado explica por que tantos lojistas estão repensando seus canais em 2025.

Quanto cada plataforma cobra em 2025

Vamos aos números. Não existe uma tabela pública única, mas dados amplamente reportados pela imprensa e por associações do setor desenham um quadro razoavelmente claro:

  • iFood: comissão entre 12% e 27% por pedido, dependendo do plano. No plano "Entrega Fácil", em que a logística é da plataforma, a taxa média chega a 27% mais taxa de serviço. No plano básico, em que o restaurante entrega com motoboy próprio, a comissão cai para faixa de 12% a 15% — mas o custo do entregador passa para o seu bolso.
  • Rappi: comissão reportada entre 20% e 30%, variando por categoria e contrato. Em alguns segmentos há cobrança adicional de taxa de embalagem.
  • Mercado Delivery: comissão entre 10% e 17%, com foco maior em mercados e conveniência do que em refeições prontas.

Para dimensionar o peso desses percentuais no mercado, vale lembrar que o iFood concentra cerca de 80% do GMV de delivery no Brasil, segundo estimativas do Morgan Stanley reportadas pelo Canaltech em 2023. Ou seja: quando falamos em comissão de delivery, na prática, estamos falando do que uma plataforma dominante cobra em um mercado com pouca concorrência real.

O contexto brasileiro amplifica o problema. Segundo a Abrasel, o setor de alimentação fora do lar respondia por 34% dos gastos alimentares das famílias em 2023, e a parcela via delivery cresce ano a ano. Ao mesmo tempo, o IPCA de alimentação fora do domicílio subiu 5,4% em 2023 (IBGE), pressionando o CMV. Enquanto a receita bruta cresce, a margem líquida é comprimida em duas frentes.

A conta que ninguém quer fazer: simulação de margem

Nada convence tanto quanto ver o número na tela. Simulamos abaixo um pedido de ticket médio de R$ 60,00 em quatro cenários diferentes, com CMV de 35% (referência SEBRAE) e custo estimado de motoboy próprio de R$ 8 a R$ 12 em capitais:

Item Canal Próprio iFood Básico (15%) iFood Entrega Fácil (27%) Rappi (25%)
Receita bruta R$ 60,00 R$ 60,00 R$ 60,00 R$ 60,00
Comissão plataforma R$ 0,00 R$ 9,00 R$ 16,20 R$ 15,00
Custo motoboy R$ 10,00 R$ 10,00 R$ 0,00 R$ 0,00
CMV (35%) R$ 21,00 R$ 21,00 R$ 21,00 R$ 21,00
Embalagem R$ 2,00 R$ 2,00 R$ 2,00 R$ 2,00
Sobra p/ custos fixos + lucro ~R$ 27 ~R$ 18 ~R$ 20,80 ~R$ 22

Repare no que a tabela mostra. Um pedido de R$ 60 rodado via iFood Entrega Fácil deixa cerca de R$ 20,80 para cobrir aluguel, folha, energia, impostos e — se sobrar — lucro. O mesmo pedido feito por canal próprio deixa R$ 27. A diferença é de aproximadamente R$ 6 por pedido. Multiplique por 200 pedidos mensais e você tem R$ 1.200 a mais no caixa todo mês, sem vender uma unidade a mais.

E o cálculo fica ainda mais duro quando você lembra que a margem operacional média do food service no Brasil é de 5% a 10% sobre o faturamento, segundo a Abrasel. Ou seja: os R$ 6 de diferença por pedido não são "um detalhe" — são, muitas vezes, a diferença entre operar no vermelho ou no azul.

O que está mudando no cenário global

Enquanto o debate no Brasil ainda engatinha, outros mercados já reagiram. Nova York aprovou, em 2021, um teto permanente de 15% de comissão para plataformas de delivery — regra que São Francisco e outras cidades americanas replicaram. Portugal discute regulação semelhante desde 2023, e o Reino Unido enfrenta pressão antitruste sobre Deliveroo e Uber Eats.

No Brasil, Abrasel e Abresi levaram o tema ao Congresso Nacional em 2023 e 2024, com propostas de teto para comissões digitais. Não há prazo para votação, mas o movimento sinaliza uma tendência: o modelo atual, em que a plataforma captura percentual crescente do GMV enquanto o restaurante absorve o risco operacional, começa a ser questionado institucionalmente. Para o lojista, isso significa que o custo de depender exclusivamente de um canal caro pode diminuir no médio prazo — mas contar com regulação é uma aposta arriscada.

O que isso significa para o seu negócio

Se você opera hoje com dependência alta de uma única plataforma, três ações práticas cabem no seu radar em 2025:

  1. Calcule sua margem real por canal. Faça o exercício da tabela acima com seus números — CMV real, ticket médio real, comissão real. Muitos lojistas descobrem que canais que "vendem muito" são justamente os que menos rentabilizam.
  2. Diversifique canais antes que precise. Um restaurante que opera 90% no iFood tem pouco poder de negociação. Um que opera 50% no iFood, 30% em canal próprio e 20% em plataformas de menor comissão negocia de outro patamar.
  3. Reveja o ticket médio. Como a comissão é percentual, quanto maior o ticket, maior o valor absoluto que a plataforma leva. Estratégias de combo e upsell reduzem o impacto proporcional dos custos fixos por pedido.

Conclusão

A comissão de delivery deixou de ser um custo invisível. Em 2025, com margens espremidas por inflação de insumos e concentração de mercado, cada ponto percentual pago à plataforma é um ponto a menos de fôlego no seu caixa. Fazer a conta é o primeiro passo. O segundo é agir sobre o mix de canais antes que a matemática decida por você.

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