Lei dos Entregadores: quanto vai custar ao seu restaurante em 2026

A Lei 14.717/2025 já entrou em vigor e o repasse para o lojista é questão de meses. Veja quanto vai custar, quando chega e o que fazer agora para não ver sua margem evaporar.

O que a lei mudou (em números)

A Lei 14.717/2025 obriga plataformas como iFood, Rappi e Uber Eats a arcarem com quatro custos que antes não existiam formalmente:

  • Piso horário de R$ 32,09 por hora efetivamente trabalhada
  • INSS patronal de 20% sobre o valor pago
  • FGTS de 8%
  • Seguro contra acidentes equivalente a 8% sobre a remuneração

Somados, os encargos representam entre 36% e 42% sobre o piso base, segundo análise publicada pelo ConJur. Isso eleva o custo total por entregador ativo para algo entre R$ 44 e R$ 47 por hora — em um mercado onde, historicamente, o entregador era remunerado por corrida, sem piso e sem encargos.

Levantamento da consultoria IDV estima que o custo adicional por entrega feita nas plataformas ficará entre R$ 2,50 e R$ 4,80, dependendo do tempo médio de deslocamento e do volume de pedidos por hora.

Quanto disso vai chegar no seu caixa

Fontes do setor consultadas pelo TecMundo indicam que o iFood pode reajustar as comissões cobradas dos lojistas entre 12% e 18% sobre os valores atuais. Hoje, a plataforma cobra entre 12% e 30% dependendo do plano — o que significa que um restaurante que paga 23% de comissão pode passar a pagar entre 26% e 27%.

Traduzindo para o cotidiano de um restaurante médio:

  • Faturamento delivery de R$ 100 mil/mês
  • Comissão atual (23%): R$ 23.000
  • Comissão pós-reajuste (27%): R$ 27.000
  • Impacto no caixa: R$ 4.000/mês, ou R$ 48.000/ano

E o problema não para no repasse direto. A Exame projeta que o ticket médio dos pedidos deve subir entre 8% e 15% até o final de 2026, combinando o reajuste das comissões e a transferência de custos ao consumidor final — o que pode reduzir volume de pedidos em restaurantes mais sensíveis a preço.

Pesquisa do Valor Econômico com 420 estabelecimentos mostrou que 67% dos restaurantes que operam em plataformas já trabalham com margem zero ou negativa no canal delivery, subsidiando o pedido digital com o lucro do salão presencial. Para esses lojistas, mais 4 pontos percentuais de comissão não é ajuste — é sentença.

Três saídas viáveis (e nenhuma delas é "esperar para ver")

A boa notícia é que o cronograma escalonado da lei dá alguns meses de janela para agir. As três alternativas mais realistas:

1. Renegociação de plano com a plataforma atual. Restaurantes com histórico de volume constante têm poder de barganha — especialmente aqueles nos planos básicos. Vale pedir revisão da comissão em troca de exclusividade regional, upgrade de visibilidade ou compromisso de investimento em marketing dentro do app. Não é solução definitiva, mas segura tempo.

2. Logística própria para o raio curto. Segundo o Sebrae, manter um motoboy CLT custa entre R$ 3.200 e R$ 4.500/mês (R$ 19 a R$ 27/hora). Para compensar, o restaurante precisa sustentar entre 4 e 6 entregas/hora em raio de até 5 km. Restaurantes com ticket médio acima de R$ 80 são os que mais se beneficiam do modelo. Uma frota própria pequena, combinada a canais alternativos de pedido (WhatsApp, site próprio, marketplaces sem comissão), pode reduzir a dependência da plataforma tradicional em 30% a 50%.

3. Revisão de cardápio para o canal digital. A Abrasel aponta que restaurantes que adotaram cardápio específico para delivery reportaram aumento médio de 23% na margem do canal. Três movimentos concretos: eliminar itens com CMV acima de 40% do preço de venda no delivery, criar combos com margem mínima de 35%, e trabalhar precificação diferenciada entre presencial e digital — o que já é prática comum e aceita pelo consumidor.

O que isso significa para o seu negócio

A Lei dos Entregadores não é uma discussão futura. Ela já está em vigor, o reajuste de comissões já foi sinalizado pelas próprias plataformas, e o primeiro semestre de 2026 é o horizonte concreto para o impacto pleno.

Se você opera delivery e não quer descobrir o novo custo pelo extrato, três ações imediatas fazem sentido:

  • Refaça o cálculo de margem do seu canal delivery hoje — considerando um cenário de comissão 4 pontos percentuais acima do atual. Se a margem já está apertada, você tem semanas, não meses, para agir.
  • Teste um canal paralelo agora, mesmo que pequeno. WhatsApp com link de pagamento, site próprio ou marketplace alternativo. O objetivo é reduzir a dependência de uma única fonte de pedidos.
  • Revise o cardápio digital eliminando itens que sangram margem e criando combos com precificação inteligente.

Conclusão

A regulamentação dos entregadores era necessária e há tempos esperada. Mas quem paga a conta, no fim, é o elo mais frágil da cadeia — e nesse mercado, o elo mais frágil costuma ser o restaurante de bairro, o operador independente, o lojista que já opera com margem líquida entre 5% e 8%.

A escolha é entre absorver o custo, repassar ao cliente e perder volume, ou construir alternativas que reduzam a dependência das plataformas tradicionais.

O Trend SuperApp opera com 0% de comissão e repasse em D0. Se você quer proteger sua margem antes que 2026 chegue, cadastre sua loja agora e comece a vender sem taxa de comissão ainda este mês.

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *