A comissão é a ponta do iceberg
O iFood cobra entre 27% e 30% de comissão sobre o valor total do pedido — não sobre o lucro, sobre a receita bruta. O Rappi opera em faixa similar, entre 25% e 30% para restaurantes independentes. O Uber Eats vai de 15% a 30% dependendo do plano contratado.
Parece um dado simples. Mas a incidência importa mais do que o percentual.
Considere um prato que você vende por R$ 40,00. Seu custo de insumos é R$ 14,00 — um CMV de 35%, dentro da média do setor. Com 30% de comissão, a plataforma fica com R$ 12,00. Você fica com R$ 14,00 antes de pagar energia, mão de obra, embalagem e aluguel.
Em outras palavras: a plataforma retém, em valor absoluto, quase o mesmo que você gastou para fazer o prato. E ainda não pagou nada do resto da operação.
Segundo a Abrasel, 41% dos restaurantes brasileiros apontam as taxas das plataformas como o principal fator de pressão sobre a rentabilidade — acima da inflação de alimentos e do custo de mão de obra. Não é uma percepção: é aritmética.
O custo financeiro que ninguém anuncia
Nos planos básicos do iFood, o repasse padrão ocorre em 30 dias corridos após a venda. Para receber em D+2 ou D+1, você paga uma taxa de antecipação que vai de 1,99% a 2,99% ao mês — o equivalente a 24% a 36% ao ano.
Para comparação: a Selic estava em 10,5% ao ano em maio de 2024. Ou seja, o custo de antecipar o seu próprio dinheiro dentro da plataforma chega a ser três vezes maior do que a taxa básica de juros da economia.
Para um restaurante que fatura R$ 30.000 por mês no app e antecipa tudo ao longo do ano, esse custo adicional chega a R$ 600 a R$ 900 mensais — ou até R$ 10.800 por ano saindo do caixa só para receber em tempo hábil o que já vendeu.
Esse é um custo que nunca aparece na apresentação comercial da plataforma.
Embalagem: custo seu, exigência deles
As plataformas não pagam embalagem. Mas exigem padrões mínimos de acondicionamento — caixa adequada, lacre de segurança, identificação do pedido — e avaliam a entrega pelo estado em que o produto chega ao cliente.
Uma avaliação ruim por embalagem inadequada afeta sua nota. Uma nota menor reduz sua posição orgânica no app. Uma posição menor aumenta sua dependência de anúncio pago. O círculo se fecha.
Uma embalagem completa — caixa, saco, lacre, talher descartável — custa entre R$ 0,80 e R$ 3,50 dependendo do fornecedor e do produto. Para 300 pedidos por mês, isso representa entre R$ 240 e R$ 1.050 mensais, 100% por conta da sua operação, sem qualquer compensação da plataforma.
Anúncio pago: o aluguel dentro do aluguel
O iFood oferece um sistema de anúncios por clique ou por período — os restaurantes pagam para aparecer em destaque na home ou nos resultados de busca do app. Sem investimento, restaurantes com poucas avaliações ou sem histórico raramente chegam às primeiras posições de forma orgânica.
O custo relatado por operadores varia muito por cidade e categoria: de R$ 300 a mais de R$ 2.000 por mês em praças mais competitivas como São Paulo e Rio de Janeiro.
A diferença estrutural em relação ao Google Ads, por exemplo, é esta: no Google, você paga para atrair clientes para o seu canal. No iFood Ads, você paga para aparecer dentro de uma plataforma que também cobra 30% por cada venda que você gera com esse clique. São dois custos em cima do mesmo pedido.
Promoções: participar tem custo, recusar tem consequência
O iFood opera campanhas sazonais — Dia das Mães, Black Friday, campanhas regionais — onde o desconto concedido ao consumidor é parcialmente ou totalmente bancado pelo restaurante. Em algumas campanhas de cupom, o estabelecimento absorve entre 50% e 100% do desconto. Em promoções relâmpago, a plataforma pode sugerir descontos de 10% a 20% com prazo curto de adesão.
O detalhe está na palavra "participar": restaurantes que aderem às campanhas tendem a ganhar mais visibilidade dentro do algoritmo. Restaurantes que recusam sistematicamente podem ver sua posição orgânica cair. Não é uma regra escrita — mas é um padrão documentado por operadores e analisado pela própria Abrasel.
O resultado prático: a promoção é voluntária no papel, estrutural na prática.
A conta completa: 41% do que você fatura
Veja a simulação para um restaurante com ticket médio de R$ 45 e 400 pedidos por mês — faturamento bruto de R$ 18.000 no app:
| Item de custo | Cálculo | Valor mensal |
|---|---|---|
| Comissão da plataforma (30%) | 30% × R$ 18.000 | R$ 5.400 |
| Taxa de antecipação (2%/mês) | 2% × R$ 18.000 | R$ 360 |
| Embalagens (R$ 1,80/pedido) | 400 × R$ 1,80 | R$ 720 |
| Anúncio pago (estimativa) | Plano intermediário | R$ 600 |
| Campanhas com desconto | 10% sobre 20% dos pedidos | R$ 360 |
| Total de custos | R$ 7.440 | |
| % sobre faturamento bruto | 41,3% |
Esse é o número que precede qualquer discussão sobre insumos, mão de obra, aluguel ou energia. De cada R$ 100 que entra pelo app, R$ 41 ficam na plataforma antes de você pagar um único funcionário.
O que está acontecendo no resto do mundo
O Brasil tem o segundo maior mercado de delivery do mundo em pedidos per capita, atrás apenas da China (Statista, 2023). Mas a concentração de mercado é similar à de outros países — com dinâmicas de custo que já geraram resposta regulatória em outras praças.
Nova York foi pioneira: em 2021, aprovou um teto de 15% de comissão para plataformas de delivery, com limite adicional de 5% para serviços complementares. No Brasil, há projetos de lei em tramitação no Congresso — entre eles o PL 3.530/2023 — mas sem aprovação até meados de 2024.
Enquanto a regulação não chega, a conta permanece na mesa do lojista.
O que isso significa para o seu negócio
Conhecer cada linha do custo não é exercício acadêmico — é gestão. Algumas ações práticas:
1. Calcule seu custo real por pedido, somando comissão, embalagem e rateio do anúncio pago. Compare com o seu CMV. Se o custo da plataforma superar o custo dos insumos, você está trabalhando mais para a plataforma do que para si mesmo.
2. Avalie o custo da antecipação separadamente. Se você antecipa regularmente, isso é uma linha fixa do seu caixa — e precisa estar no seu DRE, não escondido nos extratos.
3. Diversifique canais. Restaurantes que constroem base própria de clientes — via WhatsApp, aplicativo direto ou plataformas com modelo diferente — reduzem a dependência estrutural das grandes plataformas e recuperam margem ao longo do tempo.
É exatamente para esse terceiro ponto que o Trend SuperApp foi construído: um marketplace de delivery com 0% de comissão por pedido e repasse D0 — o dinheiro cai no mesmo dia da venda. Para o restaurante da simulação acima, isso representa recuperar R$ 7.440 por mês que hoje ficam distribuídos entre comissão, taxa financeira, anúncio e campanhas de desconto.
Conclusão
A comissão declarada é o número que aparece no contrato. O custo real é o que fica depois que você soma tudo que não aparece — e ele pode ser 40% maior do que você imagina.
Para um setor que opera com margens de 3% a 5%, cada ponto percentual conta. Entender a estrutura completa de custos das plataformas é o primeiro passo para tomar decisões mais inteligentes sobre onde e como vender.
Quer ver a conta do seu restaurante sem os custos ocultos? Conheça o modelo do Trend SuperApp: 0% de comissão, repasse no mesmo dia, logística integrada.
