Lei dos Entregadores: o que muda no custo do seu delivery em 2025

23% dos restaurantes já cogitam abandonar as plataformas de delivery por causa da regulamentação dos entregadores. Se o seu negócio depende do canal, esta é a hora de entender os números — e agir antes que o custo chegue no seu extrato.

O que a lei muda (e por que o custo chega no seu caixa)

A regulamentação prevê benefícios mínimos obrigatórios para entregadores por aplicativo: seguro de acidentes, remuneração mínima por hora ativa, recolhimento previdenciário pela plataforma e acesso a benefícios como vale-refeição. Do ponto de vista dos entregadores, é uma correção necessária de uma relação de trabalho que operava em zona cinzenta há quase uma década.

Do ponto de vista do custo, porém, a conta é objetiva. Consultorias setoriais estimam um impacto adicional de R$ 1,50 a R$ 4,50 por pedido para as plataformas. Em um ticket médio de R$ 35 a R$ 45, isso representa um acréscimo de 3,3% a 12,8% no custo por transação — e ninguém acredita que iFood, Rappi ou congêneres vão absorver isso da margem.

A projeção mais conservadora, citada pela Abrasel, aponta para um aumento de +4,5% no custo operacional líquido dos restaurantes de baixo e médio volume. Parece pouco? Não é. Segundo o SEBRAE, 67% dos restaurantes independentes já operam com margem operacional abaixo de 15%. Um acréscimo de 4,5% consome quase um terço dessa margem — em um canal, o delivery, que já rende até 40% menos que o salão, segundo estimativas da própria Abrasel.

O silêncio estratégico das plataformas

Nenhuma das grandes plataformas comunicou aos lojistas, até agora, como o custo da regulamentação será absorvido. Não é descuido: é estratégia. Enquanto o texto final não está 100% operacionalizado, cada plataforma preserva flexibilidade para decidir quanto repassar — e quando.

Na prática, o repasse pode vir de três formas, e nenhuma delas é boa para o restaurante:

  1. Aumento direto de comissão — a via mais transparente, e por isso a menos provável no curto prazo.
  2. Nova taxa de serviço identificada como "taxa de regulamentação" ou similar, cobrada por pedido.
  3. Redução de subsídios ao consumidor, o que derruba conversão e obriga o lojista a compensar com desconto próprio para manter volume.

Nos três cenários, quem paga é o mesmo: você. A pergunta não é se o custo vai chegar. É quando e em qual formato.

Por que o "abandono" de 23% é matemática, não desabafo

O número da Abrasel — 23% dos restaurantes cogitando sair das plataformas — não é ameaça de barganha. É análise fria de viabilidade. Um restaurante com ticket médio de R$ 50 e 200 pedidos mensais no iFood paga hoje entre R$ 2.700 e R$ 3.000/mês apenas em comissão, considerando as taxas médias de 27% a 30% reportadas por levantamentos do Procon-SP. Some embalagem, perdas por cancelamento e descontos promocionais e a margem no canal frequentemente entra no vermelho.

Com a regulamentação, esse pedido de R$ 50 pode ficar até R$ 2,25 mais caro. Multiplicado por 200 pedidos, são mais R$ 450 mensais de custo — sem contrapartida em serviço, sem contrapartida em visibilidade, sem contrapartida em nada.

A conta de sair, para muitos lojistas, deixa de ser emocional e passa a ser financeira. E é aqui que o artigo muda de tom: sair para onde?

Três alternativas concretas para blindar sua margem

1. Canal direto via WhatsApp Business

Restaurantes que migraram parte da operação para venda direta via WhatsApp reportam economia de 15% a 28% na comissão por pedido, segundo levantamentos do SEBRAE. O ponto fraco é logística — sem plataforma, o lojista precisa organizar entrega própria. O ponto forte é margem imediata e propriedade da base de clientes (que no iFood, lembre-se, é da plataforma).

2. Frota própria com cooperativas de entregadores

Cooperativas locais oferecem custo por corrida entre R$ 6 e R$ 12, contra R$ 8 a R$ 15 embutidos pelas plataformas em regiões metropolitanas. Além de mais barato, o modelo já opera dentro dos parâmetros da nova lei — ou seja, você não é surpreendido por reajustes futuros. Funciona bem para restaurantes com volume concentrado em um raio de 3 a 5 km.

3. Marketplaces com modelo alternativo de cobrança

O modelo dominante — comissão de 27% a 30% — não é o único que existe. Marketplaces com 0% de comissão e cobrança fixa ou por serviço (como o Trend SuperApp) transferem a estrutura de custo do variável para o previsível. Isso significa que o impacto da regulamentação sobre os seus pedidos, dentro desses canais, é matematicamente zero.

O padrão internacional confirma a tendência. Na Espanha, primeiro país europeu a regulamentar entregadores de app (Lei Riders, 2021), o setor viu redução de cerca de 8% no número de entregadores nas plataformas no primeiro ano e migração significativa para cooperativas e canais próprios. O mesmo movimento está começando aqui.

O que isso significa para o seu negócio

Três ações práticas você pode tomar ainda este mês:

  • Calcule hoje o seu custo real por pedido em cada canal. Comissão + taxa de serviço + embalagem + perdas. Se você não tem esse número, você não tem controle da sua operação de delivery.
  • Reduza a dependência do canal único. Se 100% do seu delivery está em uma plataforma, você está 100% exposto ao que ela decidir sobre repasse. A meta razoável é ter no mínimo 30% do volume fora da plataforma dominante até o fim de 2025.
  • Comece a construir sua base direta agora. Cada pedido pelo WhatsApp ou por canal próprio é um cliente que passa a ser seu — não da plataforma. Isso vale mais no médio prazo do que qualquer economia pontual de comissão.

Conclusão

A Lei dos Entregadores não é o vilão da história — é apenas o gatilho de uma reorganização que já estava atrasada no delivery brasileiro. O modelo de comissão alta, dependência de plataforma única e margem espremida chegou ao limite. Quem entender isso agora sai fortalecido; quem esperar o extrato de agosto para reagir vai reagir tarde.

Sua margem de 2025 depende das decisões que você toma em 2024. Cadastre sua loja no Trend SuperApp e opere com 0% de comissão e repasse D0 — o único canal em que a regulamentação não muda o custo do seu pedido.

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