O tamanho real da mordida: até 30% do pedido
Vamos aos números praticados em 2024 e 2025 pelas principais plataformas. O iFood cobra entre 12% e 27% por pedido nas modalidades básicas, chegando a passar de 30% quando somamos taxa de entrega e planos de anúncio (Termos Comerciais iFood, 2024). Rappi opera entre 15% e 30% dependendo do plano contratado (Contrato Comercial Rappi Brasil, ABF, 2023). Uber Eats trabalha na mesma faixa de 15% a 30% mais taxa de ativação (Uber Eats Partner Terms Brasil, 2024).
Não é um custo qualquer. Segundo a CNDL/SPC Brasil, 65% dos donos de restaurantes afirmam que as taxas das plataformas são o maior custo variável do negócio — maior que embalagem, maior que a mão de obra dedicada ao delivery (Pesquisa Setor Alimentício, 2023). E a Abrasel foi mais direta na Pesquisa Cenário dos Restaurantes de 2024: 1 em cada 3 estabelecimentos cadastrados em plataformas opera no zero a zero ou no prejuízo depois de descontada a comissão.
A matemática explica o desconforto. A margem líquida média de um restaurante brasileiro fica entre 5% e 10% (Sebrae, Guia de Gestão Financeira para Restaurantes, 2024). Com comissões de 27% a 30%, o canal online consome entre 60% e 100% dessa margem — dependendo do ticket médio. Ou seja: em muitos casos, você está trabalhando para a plataforma.
O que o PL 2.630/2023 propõe (e o que ele mudaria no seu caixa)
O projeto em tramitação na Câmara propõe teto de 15% sobre o valor do pedido para plataformas de delivery com mais de 100 mil estabelecimentos cadastrados (Câmara dos Deputados, Portal da Legislação, 2024). A Abrasel estimou em nota técnica ao Congresso, em outubro de 2024, que a medida devolveria entre R$ 4,5 bilhões e R$ 6 bilhões por ano ao setor de alimentação fora do lar.
Tirando o zoom da macroeconomia e trazendo para o seu caixa, o impacto fica assim, considerando comissão atual de 27% (plano padrão iFood) e volume de 300 pedidos por mês:
| Ticket médio | Comissão hoje (27%) | Com teto de 15% | Economia por pedido | Economia mensal |
|---|---|---|---|---|
| R$ 30 | R$ 8,10 | R$ 4,50 | R$ 3,60 | R$ 1.080 |
| R$ 50 | R$ 13,50 | R$ 7,50 | R$ 6,00 | R$ 1.800 |
| R$ 80 | R$ 21,60 | R$ 12,00 | R$ 9,60 | R$ 2.880 |
| R$ 120 | R$ 32,40 | R$ 18,00 | R$ 14,40 | R$ 4.320 |
Um restaurante com ticket médio de R$ 50 recuperaria R$ 1.800 por mês — R$ 21.600 por ano. Para uma casa de ticket mais alto, R$ 120, o saldo passa dos R$ 51 mil anuais. É salário de gerente, é reforma de cozinha, é capital de giro.
Só que há um problema: o PL aguarda votação em comissão, sem prazo definido para o plenário (Câmara dos Deputados, consulta jan/2025). E o setor não pode congelar decisões esperando o Congresso agir.
O precedente de fora: Nova York provou que dá pra regular
O argumento das plataformas contra o teto é sempre o mesmo: regulação reduz investimento, cobertura e qualidade do serviço. Mas o precedente internacional aponta outra direção. Nova York impôs teto de 15% em 2021 (originalmente medida de pandemia, tornada permanente pela NYC Administrative Code §20-848). Nenhuma das grandes plataformas deixou o mercado. Ao contrário: o número de restaurantes parceiros cresceu 22% no primeiro ano, segundo dados do NYC Department of Consumer and Worker Protection (2022). Chicago seguiu o mesmo modelo. Coreia do Sul foi ainda mais longe: teto de 9,8% na Baemin (Korea Fair Trade Commission, 2023).
O Brasil, hoje, é um dos últimos grandes mercados de delivery sem qualquer regulação de teto — enquanto o iFood detém entre 70% e 80% do mercado nacional (Euromonitor / Prospera, 2024). Essa assimetria é o coração da discussão: quando uma plataforma controla 8 em cada 10 pedidos, "não usar" deixa de ser uma escolha real para o lojista.
Alternativas que já existem — enquanto o PL não passa
Se você não pode esperar a lei, quatro caminhos já estão sobre a mesa:
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Plataformas com modelo 0% de comissão. O Trend SuperApp opera nesse formato: o lojista paga uma estrutura fixa e retém 100% do valor de cada venda. Para um restaurante com ticket médio de R$ 50 e 300 pedidos/mês, isso representa R$ 4.050 a mais no caixa por mês — R$ 48.600 por ano — em comparação com uma plataforma que cobra 27%.
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Canal próprio (white-label). Cardápios digitais com link direto pelo WhatsApp ou site próprio. Ferramentas como Cardápio Web, Goomer e Anota AI cobram mensalidade fixa, sem comissão variável.
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Fidelização e cashback próprios. Reduzir a dependência do algoritmo construindo uma base de clientes recorrentes que compram direto de você.
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Multi-plataforma com precificação diferenciada. Praticar preços maiores dentro das plataformas de alta comissão para compensar o custo — e direcionar o cliente fiel para o canal direto.
O que isso significa para o seu negócio
O PL 2.630/2023 é importante e vale acompanhar. Mas apostar todo o planejamento financeiro do próximo ano na velocidade do Congresso é uma estratégia frágil. O que dá pra fazer agora, sem esperar:
- Faça a conta do seu caso. Use a tabela acima com o seu ticket médio e seu volume real de pedidos. Descubra em reais quanto a comissão está custando por mês.
- Diversifique canais. Nenhum restaurante deveria depender de uma única plataforma para 80% ou mais do faturamento. É risco operacional, não só financeiro.
- Teste modelos de comissão zero. Um mês de operação paralela mostra na prática se o modelo fixo compensa no seu volume.
A discussão pública sobre taxas de delivery está mais madura do que nunca — mas quem paga a conta enquanto ela avança é você. E o mercado já oferece saídas.
O caminho mais curto entre a lei e o seu caixa
O teto de 15% é uma discussão legítima e necessária. Mas existe um caminho mais rápido que a tramitação legislativa: escolher, agora, um modelo que já pratica 0% de comissão. O Trend SuperApp foi construído nessa lógica desde o início — sem taxa por pedido, com repasse D0 e logística integrada. Cadastre sua loja e veja quanto o seu caixa poderia crescer neste mês.
Os percentuais de comissão citados podem variar conforme plano contratado e negociação individual com cada plataforma. Dados do PL 2.630/2023 conferidos no Portal da Câmara dos Deputados em janeiro de 2025.
